Soja recua na CBOT com boas expectativas para safra dos EUA

Publicado em 15/07/2014 13:15 1498 exibições

As boas condições das lavouras de soja nos Estados Unidos neste início da safra 2014/15 são as melhores desde 1994. De acordo com o último boletim do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgado nesta segunda-feira (14), 72% das plantações estão em boas ou excelentes condições e são esses números que seguem como principal fator de pressão para as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago. 

A última estimativa do departamento é de que os EUA colham mais de 103 milhões de toneladas,com uma área de plantio recorde de mais de 34 milhões de toneladas, com uma produtividade superior a 51 sacas por hectare e estoques finais, caso esses números se confirmem, de mais de 11 milhões de toneladas. "Além de uma grande safra, com uma produtividade excelente, o mercado vê também uma soja entrando antecipadamente. Isso tudo vem derrubando os preços", afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest. 

Na sessão regular desta terça (15), por volta de 12h30 (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados perdiam entre 12 e 20,50 pontos, com o vencimento novembro/14, o mais negociado nesse momento e referência para a safra norte-americana, cotado a US$ 10,74 por bushel. Até agora, a mínima registrada nesse pregão para o contrato foi de US$ 10,70. O vencimento agosto/14, ao mesmo tempo, valia US$ 11,76, recuando 20,50 pontos. 

A diferença entre ambos os vencimentos - o chamado spread - tem diminuído e, ainda segundo Vanin, tem sido vista como uma boa oportunidade para o mercado. "O mercado tem visto o spread entre o agosto e o novembro, ou qualquer vencimento mais a frente como uma oportunidade. Já que teremos soja já em agosto, não temos porque esse vencimento estar muito acima dos demais vencimentos (...) E por isso os mais pressionados são os vencimentos agosto e setembro", explica. 

Previsão do tempo para os EUA

A previsão do tempo para os Estados Unidos continua sendo positiva para o desenvolvimento da nova safra. Até o final de agosto, período em que o clima é determinante para a efetivação da fase de enchimento dos grãos nos Estados Unidos, o tempo deverá ficar dentro da normalidade, com temperaturas amenas, adequadas e chuvas dentro do normal. 

"A não ser que algo mude em termos de clima, os Estados Unidos caminham para uma produtividade recorde" diz o analista. 

Movimento da demanda x Margens de esmagamento

Preços mais baixos, no entanto, podem atrair um movimento mais expressivo da demanda mundial por soja e criar um suporte, ou amenizar as perdas que podem ser sentidas em Chicago a medida em que a nova safra dos Estados Unidos vai se concretizando. Porém, Vanin lembra da importância de se observar as margens de esmagamento para que se entenda a força que essa demanda tem e pode registrar mais adiante. 

Nesse momento, nos Estados Unidos, a margem é boa, o que vem garantindo o esmagamento no país e deve estimular as indústrias a registrarem um nível mais elevado no próximo ano. Já no Brasil, em contrapartida, a situação não é tão favorável, com os produtores segurando a oferta, impedindo que as indústrias possam alongar sua programação. 

Na China, por enquanto, a margem também é negativa. "A China tem uma posição, nos Estados Unidos, para a safra nova, de quatro milhões de toneladas a menos do que foi registrado na mesma época do ano passado, reflexo das margens ruins no país", explica o Eduardo Vanina. Segundo o analista, esse quadro se dá por conta dos elevados estoques de soja nos portos chineses - que passa de 7 milhões de toneladas, contra algo entre 4 e 5 milhões no anterior - e os elevados estoques comerciais de farelo na nação asiática, os quais também estão acima da média. 

As margens da suinocultura, que é o maior consumidor de ração na China, também vêm negativas e contribuem para esse quadro. Além disso, o país ainda sofre com os abates sanitários de aves ocorridos em 2012 e 2013 também. "Isso vem colaborando por uma demanda por farelo na China aquém do que necessário para diminuir os estoques de farelo e também de soja em grão no país", explica. 

Apesar disso, o USDA anunciou, nesta terça-feira, a venda de mais 120 mil toneladas de soja da safra 2014/15 para a China. "A gente espera que a demanda volte, mas isso depende também do comportamento do farelo e do óleo, que é o que compõe, no final das contas, as margens de esmagamento", completa.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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