Em dia de tensão no exterior, soja fecha no vermelho em Chicago

Publicado em 17/07/2014 15:47 e atualizado em 17/07/2014 17:59 3208 exibições

Nesta quarta-feira (17), o mercado da soja operou com intensa volatilidade na Bolsa de Chicago. Informações sobre a boa demanda pela oleaginosa dos Estados Unidos e algumas especulações a respeito do clima no Meio-Oeste americano vinham dando suporte aos preços, que chegaram a operar com altas de dois dígitos, porém, a queda de um avião na fronteira da Ucrânia com a Rússia trouxe nervosismo ao mercado e os fundos optaram pela realização de lucros no final da sessão. 

Queda do avião da Malaysia Airlines

O avião da Malaysia Airlines tinha a bordo 295 passageiros e caiu na Ucrânia, a 40 quilômetros da fronteira com a Rússia. Até o momento, não se sabe o motivo da queda ou a autoria caso isso tenha sido um atentado ligado à crise entre Rússia e Ucrânia. 

Segundo informações do Estadão, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, declarou que "não descarta" que o avião tenha sido derrubado e afirmou que se trata de um "ato terrorista". Por outro lado, de acordo com o que apurou a agência Associated Press, os rebeldes separatistas negam que tenham sido responsáveis por abater o avião. 

Embora as informações ainda sejam desencontradas, a notícia trouxe nervosismo ao mercado financeiro e o impacto entre as commodities foi imeadiato. No caso da soja, os fundos de investimento entraram no vendendo suas posições e migrando para ativos mais seguros, como o dólar, por exemplo, que fechou o dia em alta. A moeda norte-americana subiu mais de 1% e fechou acima dos R$ 2,25 pela primeira vez desde o início de junho. 
 
Fundamentos: Demanda x Nova safra dos EUA

Entre os fundamentos, a demanda chamou mais atenção nesta quinta-feira. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou, nesta quarta, a venda de 708 mil toneladas de soja em grão da safra 2014/15 para a China. Ontem, o departamento anunciou outras duas vendas, sendo uma da temporada atual e outra da nova safra. 

Além disso, reportou ainda seu novo boletim de exportações semanais. Na semana que terminou em 10 de julho, os EUA exportaram 37,7 mil toneladas de soja da safra 2013/14. Apesar de o número ser bem menor do que o registrado na semana anterior, o total ficou acima das expectativas do mercado, que variavam de 50 mil toneladas negativas a 100 mil toneladas. Já da temporada nova, as vendas foram de 561 mil toneladas. O volume também ficou dentro do esperado, já que as projeções eram de 500 mil a 875 mil toneladas. 

Sobre o clima nos Estados Unidos, algumas especulações também contribuíram para os momentos de alta em Chicago. Segundo explicou o economista e analista de mercado Camilo Motter, da Granoeste Corretora, algumas consultoria e institutos de pesquisa trazem ligeiras preocupações com a região oeste do Corn Belt, que já apresenta um clima mais seco. O que tem está previsto até o momento não preocupa, porém, caso esta situação se prolongue pode gerar um alerta sobre algumas porções de estados como Iowa, Minesotta, Dakota do Sul e Nebraska. 

Entretanto, Motter reafirma que, de modo geral, as condições ainda são muito favoráveis, com chuvas de bons volumes e bem distribuídas e temperaturas amenas, o que é um cenário de clima ideal para as lavouras, que já se encontram em fase de floração nos EUA. "O clima é agora o fator decisivo para o rumo dos mercados", disse o analista. "Qualquer problema climático poderia confrontar com baixos estoques e preços que já caíram muito em Chicago e, caso aconteça, seria muito construtivo para as cotações mais adiante", completa. 

Preços no Brasil

Os preços da soja no Brasil, diante de todas essas informações, nesta quinta-feira, tentaram manter a estabilidade. Os altos prêmios que continuam sendo pagos nos portos brasileiros aliados a uma alta do dólar resultaram em uma alta de 0,30% da saca da soja no Porto de Paranaguá e, no de Rio Grande, a cotação ficou estável em R$ 65,00. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

2 comentários

  • Carlos Alberto Erhart Sulina - PR

    O que tem a ver a queda de um avião lá perto da Rúsia com o preço do nosso soja, rs rs

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