Soja: baixas na CBOT pressionam cotações no mercado brasileiro

Publicado em 21/07/2014 17:03 e atualizado em 22/07/2014 07:34 1623 exibições

O mercado da soja fechou a sessão regular desta segunda-feira (21) com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago. As posições mais negociadas terminaram o dia perdendo mais de 12 pontos e trabalhando ainda abaixo dos US$ 11,00 por bushel. O bom desenvolvimento do clima nos Estados Unidos favorecendo o excelente desenvolvimento da nova safra do país foi, mais uma vez, o principal fator de pressão para as cotações. 

"Toda esta pressão sobre os preços da soja na Bolsa de Chicago está relacionada com a expectativa de uma super safra norte-americana. A cada semana que passa, o clima continua se mantendo favorável e os números se encaminham para uma safra superior a 100 milhões de toneladas pela primeira vez", afirma o consultor em agronegócio Flávio França. "Esse é um período, portanto, difícil para que o mercado tenha uma reação expressiva", completa. 

No Brasil, o que vem amenizando as perdas registradas na CBOT tem sido os prêmios pagos nos nos portos. Apesar disso, hoje os preços nos portos recuaram. No porto de Rio Grande a queda foi de 1,23%, com a saca de soja disponível valendo R$ 64,00, e no de Paranaguá, o preço caiu 0,75%, encerrando o dia a R$ 66,00/saca.  Em Paranaguá, Sobre o vencimento agosto praticado em Chicago há um prêmio positivo de US$ 1,70 e para setembro/14 esse valor é de US$ 2,15. Até mesmo os vencimentos mais distantes, referentes à nova safra, também contam com prêmios positivos. Para abril, são US$ 0,45 acima do valor registrado na CBOT. 

Dessa forma, os preços no mercado brasileiro caíram bem menos do que caíram em Chicago, por conta desses prêmios, da demanda - tanto interna quanto para exportação - e, o que limitou um potencial de preços maiores, foi a taxa de câmbio, explica o consultor. E esses prêmios, segundo França, são o indicativo de que há ainda uma demanda bastante aquecida pela soja brasileira, pelo menos, até setembro, e também pela oferta de outros países, apesar do baixo volume de produto disponível. 

De acordo com informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de soja em grão somam, somente nas três primeiras semanas de julho, 3,793 milhões de toneladas. O volume é ligeiramente menor do que o registrado no mesmo período de junho - 0,79% - no entanto, em relação a julho de 2013, o volume é 10,1% maior e a receita gerada pelas vendas registra um incremento de 6,5% - chegando a US$ 141,7 milhões. Ainda nesta segunda, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou duas novas vendas. Da safra 2013/14, os EUA venderam 120 mil toneladas de soja para a China, e mais 135 mil toneladas de farelo de soja da safra 2014/15 para destinos desconhecidos. 

"Com o mundo crescendo, preços baixos para soja e milho, inevitavelmente, vão provocar um aquecimento do consumo, o lado da demanda é muito forte, porém, isso não está sendo suficiente para rebater a possibilidade de uma safra americana cheia", diz o consultor. 

O USDA trouxe ainda seu novo boletim de embarques semanais e, na semana que se encerrou no dia 17 de julho, os EUA embarcaram 96.915 milhões de toneladas de soja, elevando o acumulado no ano comercial a 42.909,855 milhões de toneladas. A temporada só se encerra em 31 de agosto e a última projeção do USDA para as exportações 2013/14 do país são de 44,09 milhões de toneladas. 

Clima deve seguir favorável nos EUA

Segundo informações da agência internacional de notícias DTN, a produção norte-americana de grãos no Meio-Oeste do país deverá continuar contando com um clima bastante favorável até o final de julho e o início de agosto. Segundo explicou o climatologista Dennis Todey, apesar de algumas condições adversas observadas em junho de inundações registradas no norte dos EUA, as condições agora são promissoras para as culturas, tanto para a soja que está na época da floração, quanto para o milho, que está na fase de polinização. 

"A safra está, no geral, em boa forma. Há pequenos bolsões de umidade e algum atraso no desenvolvimento em determinadas regiões, mas no geral, tudo parece muito bem até agora", acredita Todey. "A umidade está acima do considerado normal para esse período e, nos últimos 30 dias, foram registradas temperaturas menos quente do que a média para essa épóca. A única área onde as temperaturas estavam ligeiramente acima da média foi no Leste do Corn Belt", completou.

Assim, diante desse cenário, o mercado já começa a precificar o novo boletim de acompanhamento de safras que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga no final da tarde de hoje, após o fechamento do mercado. No caso da soja, de acordo com os últimos números, eram 72% das lavouras de soja em boas ou excelentes condições. 

Essa é, segundo analistas, a melhor classificação dos campos norte-americanos em 20 anos, o que reforça as perspectivas do mercado para a maior safra de soja dos Estados Unidos, com mais de 103 milhões de toneladas, registrando área e produtividade recordes, de 34 milhões de hectares e mais de 51 sacas/ha, respectivamente.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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