Soja: mesmo com altas no Brasil e em Chicago, vendas seguem lentas

Publicado em 23/07/2014 17:26 2897 exibições

Com a forte alta dos preços em Chicago nesta quarta-feira (23) - de mais de 15 pontos para os principais vencimentos -, mais a alta do dólar ante o real e uma valorização dos prêmios pagos nos portos brasileiros, o dia foi positivo também para as cotações no mercado físico brasileiro. Os preços subiram, em média, entre R$ 1,00 e R$ 1,50 nas principais praças de comercialização. 

No porto de Rio Grande, por exemplo, a alta foi de R$ 2,00 e o preço passou de R$ 65,00 para R$ 67,00 por saca, superando o valor pago em Paranaguá, que ficou estável em R$ 66,00. No porto paranaense, os prêmios, no entanto, subiram. Entre os principais vencimentos, os ganhos variaram de 4,40 a 14,8%. Sobre o vencimento setembro/14, o valor é de US$ 2,20 e para março/15 e US$ 0,70. 

Mesmo diante desse cenário, o fluxo de negócios no Brasil não apresentou qualquer alteração significativa. O dia foi de poucos negócios e os produtores continuam segurando a soja que ainda possuem da safra velha, apostando na oleaginosa como um ativo financeiro, como explicou o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. Nem mesmo os preços chegando aos R$ 67,00 em bons momentos do dia em Paranaguá estimularam novas vendas, já que a meta inicial do sojicultor é algo próximo dos R$ 70,00. 

No sudoeste de Goiás, por exemplo, ainda há cerca de 20% da safra velha de soja para ser comercializada e os produtores, como em outras regiões produtoras do Brasil, esperam melhores momentos para voltar a vender. Segundo o presidente da Comigo, Antônio Chavaglia, a comercialização segue lenta na região e as perdas expressivas que foram registradas nas últimas semanas ainda levam um tempo para serem completamente recuperadas.

"O produtor tem um financiamento daqui até o final do ano e ele achou que os preços fossem ficar sustentados ou até melhorar, mas não foi isso que aconteceu, e ele deixou de ganhar de R$ 5,00 a R$ 6,00 por saca", o que justifica sua retração nas vendas nesse momento em que a recuperação dos preços ainda é recente. No mercado de balcão na região de Rio Verde/GO a soja vale R$ 53,00/saca.  

Força da Demanda

Além da falta de vendedores no mercado, a demnda mundial por soja, que ainda se mostra muito aquecida e dando sinais de crescimento, favorece essa direção dos preços. Nas últimas semanas, além da soja em grão, o mercado internacional pôde observar também um aumento das compras de farelo e óleo, inclusive de compradores que não são vistos com frequência nos negócios, mas que carregam um potencial significativo de importantes importadores. 

A China deverá aumentar suas importações de soja na próxima temporada frente ao crescente e aquecido setor de rações no país, como mostra uma pesquisa feita pela agência internacional de notícias Bloomberg. O estudo mostrou que a recente e acentuada baixa dos preços favoreceu as margens de processamento no país, estimulando esse incremento nas compras. 

Na última semana, a China adquiriu 2 milhões de toneladas e mais 120 mil da safra 2013/14 dos EUA nesta segunda-feira (21) após os preços recuarem aos menores patamares em quatro anos na Bolsa de Chicago. Sobre o ano comercial que se inicia em 1º de outubro, a perspectiva da agência é de que as importações da nação asiática possam subir 7% e chegar a 73 milhões de toneladas.

Altas em Chicago

Na sessão regular desta quarta-feira (23), os futuros da soja fecharam o dia subindo entre 16,75 e 18,75 nos principais vencimentos. Assim, o agosto voltou para a casa dos US$ 12,00 e o setembro para os US$ 11 por bushel. As cotações se recuperaram, portanto, dos menores patamares registrados em 45 meses na Bolsa de Chicago. 

De acordo com informações da agência internacional Bloomberg, o principal fator de estímulo para o mercado internacional foram as primeiras preocupações que começam a aparecer sobre o clima nos Estados Unidos. Algumas áreas poderiam sofrer com condições adversas nos próximos dias, segundo mostraram as últimas previsões climáticas. 

Na região sudoeste do Meio-Oeste americano as chuvas deverão ser limitadas nas próximas duas semanas, aumentando a possibilidade de que os pés de soja possam passar por algum stress. De acordo com os últimos números do USDA, até domingo (20), 60% das lavouras de soja já estavam florescendo, registrando o melhor índice dos últimos cinco anos. 

"A fase mais importante do cultivo está na nossa frente com o período de polinização. Enquanto o clima ainda está favorável, o mercado observa essas informações com cautela", disse a analista internacional Louise Gartner, de uma corretora de Ohio, à Bloomberg. 

Paralelamente, no leste de Iowa, principal estado produtor de soja dos EUA, sem temperaturas um pouco mais quentes e chuvas em agosto, o potencial produtivo pode ficar limitado por conta do clima muito úmido que provocou, no início da safra, um atraso do plantio e uma redução no tamanho das plantas. 
Além disso, nos estados de Iowa e Nebrask as temperaturas já estavam próximas de 40ºC e, em muitos lugares que vinham sofrendo com o excesso de chuvas,as plantas morreram e já podem ser vistas manchas nos campos onde a produção foi comprometida por condições desfavoráveis de clima.

Números de um relatório trazido também pelo USDA mostram que os índices de umidade adequada no solo diminuíram nos últimos dias. No estado de Indiana, por exemplo, o número caiu de 72 para 70 pontos em uma semana, no Missouri de 77 para 74, no Nebraska de 73 para 66 e na Dakota do Sul de 85 para 80. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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