Soja fecha com mais de 20 pts de alta na CBOT e ganhos no Brasil

Publicado em 28/07/2014 16:40 3122 exibições

Nesta segunda-feira (28), o mercado da soja fechou em alta pela quinta sessão consecutiva e registrando os melhores preços em nove semanas na Bolsa de Chicago. Especulações sobre o clima no Meio-Oeste norte-americano e novidades sobre a demanda deram o tom positivo ao mercado e as cotações encerraram o dia subindo mais de 20 pontos. 

O vencimento agosto/14 fechou o dia valendo US$ 12,36 por bushel, com alta de 24,25 pontos; o novembro/14, referência para a safra norte-americana, ficou em US$ 11,07 - recuperando a casa dos US$ 11 -, subindo 24,25 pontos também e, no março/15, a posição ficou cotada em US$ 11,20, com ganhos de 23,75 pontos. O mercado iniciou a semana operando em campo positivo e foi ampliando as altas durante o pregão. 

Com preços mais altos em Chicago, as cotações da soja no mercado brasileiro também avançaram. No porto de Paranaguá, a valorização foi de 1,49% e levou o preço a R$ 68,00 por saca, mesmo preço no porto de Rio Grande, onde a alta foi de 0,74%. 

O que também favorece as cotações no Brasil são os bons prêmios que vêm sendo pagos pela soja. Em Paranaguá, a entrega agosto registra um prêmio de US$1,75 sobre o valor praticado em Chicago e, para o setembro, esse número chega a US$ 2,30. 

Novidades na demanda

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), nesta segunda-feira, a venda de 486 mil toneladas de soja da safra nova para a China e a informação chegou reforçando a presença latente e crescente da demanda nesse momento. Na última semana, o USDA já vinha reportando várias vendas não só de soja em grão, mas também farelo e óleo em boas quantidades. 

As baixas recentes  tornaram os preços mais atrativos e os consumidores e fundos de investimentos vêm agora boas oportunidades e voltam às compras. "Assim como o vendedor tem recuado bastante (esperando melhores momentos para comercializar), os compradores  vêm uma oportunidade de compras. Na média geral, se vê uma maior pressão compradora, portanto", acredita Motter. "Nós tivemos os menores preços em quatro anos nas últimas semanas", completa. 

Para Motter, o mercado observa agora uma antecipação da demanda e um impacto muito positivo sendo sentido pelas cotações no mercado internacional. Na última semana, o USDA já vinha reportando várias vendas não só de soja em grão, mas também farelo e óleo em boas quantidades. 

Além dessa nova venda anunciada pelo USDA, um novo boletim semanal de embarques para exportação trazido pelo departamento norte-americano trouxe também bons números para a soja. Os embarques semanais de soja somaram 112,345 mil toneladas e o volume ficou bem acima do registrado na semana anterior, de 97,160 mil toneladas, e muito elevado ainda em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 36,585 mil toneladas.

No acumulado do ano safra os EUA já embarcaram 43.022,445 milhões de tonelas, contra 35.333,329 milhões do mesmo período da temporada anterior. Para todo o ano comercial, que se encerra em 31 de agosto, a estimativa do USDA é de que sejam exportadas 44,09 milhões de toneladas.  

"A demanda traz suporte de médio e longo prazo ao mercado e é isso que estamos vendo agora. Devagar, a demanda vem dando um colchão para esse mercado, aparentemente o mercado está tendo um suporte que estávamos esperando, os preços pararam de cair e até se recuperaram um pouco. Então, para aquele produtor que tem um tempo mais curto para vender, esse é um bom momento, já que nas últimas semanas tivemos altas de 3 a 4%", explica o consultor de mercado Flávio França Jr.  

Fundos recomprando posições

Não só os consumidores voltaram a participar do mercado de forma mais significativa, como os fundos também aparecem recomprando parte de suas posições. 

"Fundos que estão até sobrevendidos em algumas posições, dado a avalanche de vendas que tivemos nessa primeira parte de julho, também vêem uma oportunidade no campo especulativo de atuar com compras, imaginando que qualquer tensão climática nos EUA em agosto possa mudar o quadro", diz o analista. 

Ainda segundo explicou Motter, o mercado precificou rapidamente as variáveis negativas que foram colocadas, principalmente depois do último boletim de oferta e demanda do USDA em 11 de julho, e agora os preços precisam buscar se estabilizar. Agora, fatores novos que chegam ao mercado permitem, portanto, essa estabilidade e essa retomada de alguns patamares. 

Apesar disso, pela primeira vez desde 2006, o Bank od America Merril Lynch observou que os fundos de hegde e outros especuladores apostaram em uma queda nos preços da oleaginosa. O movimento, segundo a instituição financeira, se deve ao aumento da área de soja em detrimento do milho, o que deve resultar, segundo expectativas, em uma grande safra nos Estados Unidos. 

Entretanto, o banco mostrou ainda que a posição líquida vendida é de US$ 200 milhões e, uma semana antes, o saldo comprado era de US$ 200 milhões, de acordo com informações da agência internacional Dow Jones. 

Clima nos Estados Unidos

Apesar de, até esse momento, o mercado estar observando exclentes condições climáticas para o desenvolvimento da nova safra americana, as primeiras especulações sobre o quadro climático no Meio-Oeste americano começam a aparecer e já trazem algum reflexo para as cotações. 

As chuvas do último final de semana no Corn Belt ficaram abaixo do esperado em algumas regiões e, segundo um levantamento do Commodity Weather Group, o clima seco nos próximos 10 dias deverá expandir a área de plantas sob stress para cerca de 25%. No entanto, temperaturas um pouco mais baixas poderiam ajudar a amenizar os prejuízos caso essas condições persistam. 

Para a região Oeste do Corn Belt ainda há previsão de clima mais seco nos próximos 12 a 15 dias, o que é bom nesse momento depois de excessivas chuvas no mês de junho, porém, é preciso acompanhar e saber se, ao final desse período, ainda se projete essas chuvas mais limitadas. "Podemos ter especulações no mercado climático pela frente e, nesses últimos dias, os noticiários já estão levando isso mais em conta", explica o analista Camilo Motter. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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