Soja estende movimento negativo e recua na CBOT na manhã desta 4ª

Publicado em 30/07/2014 07:55 2026 exibições

A manhã desta quarta-feira (30) é negativa para o mercado da soja na Bolsa de Chicago. Por volta das 7h40 (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados perdiam entre 7,25 e 10,25 pontos, com o mercado dando continuidade ao movimento negativo da sessão anterior. 

Ontem, o mercado encerrou o dia com expressiva queda na CBOT diante do mau humor do mercado financeiro e do movimento de venda de posições por parte dos fundos de investimentos, que aproveitam o final do mês para se reposicionar no mercado. 

Paralelamente, para alguns analistas, o mercado é pressionado ainda pelo bom desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos e pela não confirmação das especulações sobre um clima um pouco mais seco em algumas regiões do Meio-Oeste americano podendo impactar as boas condições dos campos norte-americanos. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja: Clima nos EUA e mau humor do financeiro pesam sobre Chicago

Na sessão regular desta terça-feira (29), os futuros da soja fecharam os negócios com baixas de dois dígitos na Bolsa de Chicago. As especulações sobre o clima mais seco nos Estados Unidos perderam força e um movimento de realização de lucros foram, segundo analistas, os principais fatores que motivaram essas baixas. As posições mais negociadas fecharam o dia perdendo entre 10 e 15,50 pontos, com o contrato novembro, referência para a safra norte-americana e o mais negociado nesse momento, cotado a US$ 10,95 por bushel. 

Além disso, veio ainda uma pressão do mau humor do mercado financeiro pesando sobre todas as commodities nesta terça-feira. Duas notícias trouxeram preocupações para os investidotes, uma delas foi o alerta emitido pela agência de classificação Moody's sobre as petrolíferas estatais da América do Sul. O comunicado aumentou os riscos para a Petrobrás pela política de controle de preços da gasolina. A outra foi sobre o índice de confiança da indústria, que apresentou um redução, em julho, de 3,2%.

Paralelamente, no cenário internacional, os conflitos geopolíticos tanto entre Rússia e Ucrânia como no Oriente Médio, entre Gaza e Israel, também deixaram os investidores mais alertas e avessos ao risco, estimulados a migrar para ativos mais seguros, como o dólar, por exemplo, que fechou em alta frente ao real, deixando suas posições em commodities, provocando uma queda quase que generalizada entre os preços. As sanções da União Europeia à Rússia foram ampliadas e a cautela permaneceu no mercado. O dólar comercial subiu 0,30%, encerrando a R$ 2,2303. O contrato futuro para agosto avançava 0,36% para R$ 2,233.

Preços no Brasil - No mercado interno, apesar da forte queda na CBOT, o recuo dos preços foi um pouco mais ameno e, em muitas praças de comercialização, as cotações nem chegaram a apresentar movimentação em relação ao fechamento anterior e terminaram o dia estáveis. No porto de Paranaguá, a soja disponível recuou 2,21%, em R$ 66,50 por saca e a futura, com entrega para maio de 2015, ficou em R$ 60,50, perdendo 0,82%. Já no porto de Rio Grande, o valor da soja disponível fechou dia recuando 1,47% a R$ 67,00, enquanto a futura perdeu 0,81%, encerrando o dia a R$ 61,00. 

Clima favorável nos EUA

Nos últimos dias, o mercado viu especulações sobre um clima mais quente e seco nos Estados Unidos ganharem força e contribuírem para o movimento de recuperação dos preços da soja em Chicago. No entanto, novas previsões mostraram que as condições climáticas que deverão ser observadas nas próximas semanas, principalmente em meados de agosto, deverão continuar favoráveis ao desenvolvimento das lavouras no Meio-Oeste americano. 

No entanto, o último boletim de acompanhamento de safras divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta segunda-feira (28) mostrou uma ligeira redução no índice de lavouras em boas ou excelentes condições. O número caiu, em uma semana, de 73 para 71%. Ainda assim, essa é a melhor classificação dos campos norte-americanos em 20 anos, segundo informações de agências internacionais. 

"Há conversas sobre alguma seca nas previsões, mas ainda temos duas ou três semanas para receber as chuvas. Parece que há muitos tentando justificar as boas altas que o mercado vem apresentando, mas falar de seca nesse momento me parece bastante prematuro", disse um analista da consultoria FCStone de Londres, Matt Ammermann à agência Bloomberg. 

Para a primeira metade de agosto, as previsões indicam, de acordo com institutos meteorológicos americanos, temperaturas mais amenas e um volume bom, porém, um tanto limitado, de chuvas para o Corn Belt. A agência internacional DTN, entretanto, em um reporte desta terça, mostrou que as chuvas mais limitadas que são esperadas para o Meio-Oeste nos próximos sete dias não deverão ser um problema muito preocupante, já que essas temperaturas mais amenas deverão minimizar o efeito do clima seco e manter os níveis de umidade nos solos norte-americanos. 

Com essas incertezas sobre o clima nos Estados Unidos e novas previsões chegando dia a dia, a volatilidade e a especulação intensa típicas desse momento do mercado deverão se mostrar de forma cada vez mais significativa, ampliando as oscilações mais forte das cotações no mercado futuro. 

"Estamos chegando em agosto, veremos um mercado um pouco mais especulado, mas, até o momento as perspectivas continuam sendo de uma safra recorde, seja de soja ou milho e, isso por si só, é um fator extremamente baixista", explica o analista de mercado Steve Cachia, da Cerealpar. Ainda segundo o analista, as previsões de menos chuvas e um clima mais seco nos Estados Unidos no mês de agosto são naturais e, a especulação do mercado sobre essas condições são normais nesse período do ano. Porém, afirma que, qualquer ameaça climática que possa levar os níveis de produtividade a serem menores do que os que vêm sendo esperado poderia dar algum alento ao mercado. 

Força da demanda dá suporte às cotações

Por outro lado, novas notícias sobre a demanda seguem dando sustentação ao mercado nesse momento, onde as expectativas de uma oferta abundante pesam sobre as cotações. A China, maior importador mundial da oleaginosa, vem participando de forma cada vez mais significativa do mercado, bem como outros consumidores não tão comuns vêm aparecendo com mais frequência. E não só a demanda por soja em grão, mas o consumo pelos derivados - farelo e óleo - também tem indicado crescimento. 

Segundo relatou o analista de mercado Vinícius Ito, da Jefferies, foi confirmada a venda de mais de 3 milhões de toneladas de soja, entre as safras nova e velha dos EUA, para a nação asiática e destinos não revelados somente entre os dias 7 e 28 de julho. 

"A demanda internacional está acompanhando, no mercado interno dos EUA há uma boa demanda para esmagamento e as exportações superaram o nível do ano passado, estamos com números recordes, principalmente para o farelo, e isso pode ser reflexo de uma demanda razoável que temos visto no mundo por rações, inclusive pela China, mesmo depois de o país ter colocado barreiras na importação de DDG de milho, já que precisa abastecer seu mercado interno de alimentação animal", explicou o analista. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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