CBOT: Soja opera com ligeiros ganhos, mas tem instabilidade

Publicado em 06/08/2014 12:40 e atualizado em 06/08/2014 15:15 1467 exibições

Nesta quarta-feira (6), o mercado de grãos opera sem uma tendência bem definida na Bolsa de Chicago. Na manhã de hoje, os preços da soja trabalhavam em campo misto, com oscilações bem pouco expressivas. Porém, na sessão regular, por volta de 12h20 (horário de Brasília), as cotações já passavam para o lado positivo da tabela, com pequenas altas que variavam de 5 a 8 pontos nos contratos mais negociados. 

O início da semana foi bastante agitado para o mercado internacional da soja. Na segunda-feira (4), os futuros da oleaginosa registraram ganhos de mais de 20 pontos e, no dia seguinte, perderam mais de 15. Segundo explicou o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, esse é um momento de muita instabilidade para o mercado, que observa muitas informações chegando diariamente, principalmente sobre a disputa entre os fundamentos de oferta e demanda. 

O clima tem se mostrado muito favorável às lavouras dos Estados Unidos e, com isso, as expectativas de uma colheita recorde - com estimativas de consultorias que passam das 105 milhões de toneladas - vêm ganhando mais força e espaço no mercado. A produtividade, até esse momento, está estimada em mais de 51 sacas por hectare e as condições para as próximas semanas deverão continuar beneficando as plantações no Meio-Oeste americano. 

Ao mesmo tempo, há ainda uma força e uma influência muito forte do mercado financeiro no mercado internacional de grãos nesse momento, de acordo com Brandalizze. "Eles (os fundos) deixam subir o mercado de 20 a 25 pontos e depois liquida suas posições, derrubando o mercado cerca de 15 pontos como o que aconteceu nesta terça-feira (5)", disse.

"Em Chicago, o que temos visto hoje são os preços circulando entre US$ 10,50 e US$ 11,00 e esses são patamares que todo o mercado trabalha com essa realidade de uma safra cheia nos EUA e na América do Sul, ou seja, o que tinha para cair em Chicago já caiu e, se tivermos novas quedas, não serão muito fortes", acredita o consultor. 

Frente a esse quadro, o momento para o produtor brasileiro, portanto, é de bastante cautela. "Daqui para frente, o produtor brasileiro terá outras oportunidades", afirma Brandalizze. "A demanda mundial está aparecendo, basicamente, da China, e compra em dias de baixa, ganhando de US$ 500 mil a US$ 1 milhão em uma posição, fazendo isso e comprando cada vez mais", completa. 

Até o momento, a nação asiática já comprou 16 milhões de toneladas da nova safra de soja dos Estados Unidos, um volume 30% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, buscando atender sua demanda interna de grandes volumes de ração, o que é fator positivo para os preços. Além disso, outros compradores não tão assíduos como os chineses também têm participado mais frequentemente do mercado e isso sinaliza essa força e crescimento da demanda global pela commodity. 

"A Ásia está participando mais do mercado porque sofreram com o clima nas áreas de arroz da Índia, Vietnã, Tailândia e, parte desse arroz que é colhido no continente também vai para a produção de ração. Toda a Ásia é grande produtor de suínos e frango e, como já se comenta que a produção indiana de arroz pode ser de 10 a 15 milhões de toneladas menor, é menos volume de produto que sobra para ração", explicou Vlamir Brandalizze. 

Mercado Interno - No mercado interno, os preços da soja ainda são beneficiados pelos altos prêmios que continuam sendo pagos nos portos brasileiros. Nesta quarta, no porto de Paranaguá, o valor é de US$ 2,50 sobre o valor praticado em Chicago para a soja com entrega agosto/14, o que faz com o que o bushel passe dos US$ 14,00. 

No mercado brasileiro, o produtor conta ainda com prêmios positivos também para os vencimentos mais distantes - abril e maio/15 de US$ 0,53, cenário que mostra, portanto, a demanda que continua forte pelo produto brasileiro. 

Além disso, o produtor deve estar atento também ao comportamento do dólar frente o real. Há alguns dias, a moeda norte-americana vem se valorizando, apesar da ligeira queda registrada nesta quarta. Na abertura da sessão de hoje, o ativo chegou a se aproximar dos R$ 2,30, porém, em seguida, devolveu parte dos ganhos e, por volta de 12h38, perdia 0,13%, cotado a US$ 2,27. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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