CBOT: Soja recua com produção e estoques maiores nos EUA

Publicado em 12/08/2014 17:31 e atualizado em 12/08/2014 18:56 2477 exibições

Nesta terça-feira (12), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam o dia com baixas expressivas na sessão regular. Entre as posições mais negociadas, as perdas variaram entre 13,50 e 14,25 pontos, com o contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana, encerrou o dia valendo US$ 10,59 por bushel. 

A queda acentuada dos preços foi reflexo dos números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), nesta terça, em seu novo relatório mensal de oferta e demanda. Entretanto, os novos dados, segundo analistas, não trouxeram nenhuma grande mudança e ficaram dentro das expectativas dos traders. 

Já para a safra 2014/15 as mudanças foram mais significativas. A produção foi estimada em 103,85 milhões de toneladas, contra a estimativa anterior de 103,42 milhões de toneladas. As expectativas do mercado variavam de 100,7 milhões a 107,53 milhões de toneladas. A produtividade também apresentou um leve incremento e foi projetada em 51,47 sacas por hectare. As expectativas para o rendimento variavam de 50,45 a 53,3 sacas por hectare e, em julho, foi reportada em 51,25 scs/ha. 

Esse ligeiro ajuste da produtividade, segundo explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest, veio em linha com os que vêm sendo registrados nos últimos anos para esse período do ano, já que agosto é o mês determinante para a cultura da soja nos Estados Unidos. 

Além disso, Vanin acredita também que novas mudanças podem ser apresentandas nos próximos relatórios, principalmente no de setembro, quando informações dos produtores rurais sobre o número de vagens e o peso dos grãos começam a chegar. Paralelamente, afirma ainda que isso é um reflexo do favorável quadro climático que foi registrado em julho no Meio-Oeste norte-americano, e das boas condições que vêm sendo observadas nesse mês, contribuindo para o bom desenvolvimento das lavouras. 

As últimas semanas foram de precipitações dentro do esperado e temperaturas mais amenas, abaixo da média para o período e, com isso, o USDA informou que, até o último domingo (10), 70% das lavouras de soja se mostravam em boas ou excelentes condições. 

O importante agora, ainda de acordo com o analista é observar qual será o impacto desse cenário nos estoques finais norte-americanos, que também foram revisados para cima, passando de 11,29 milhões para 11,7 milhões de toneladas. 

Nos números da demanda o USDA não trouxe qualquer alteração para a safra 2014/15 dos Estados Unidos. O esmagamento foi mantido em 47,76 milhões de toneladas e as exportações em 45,59 milhões. Essas são informações, entretanto, que também devem ser acompanhados de perto, principalmente no que se refere às vendas externas. 

"O USDA vai ter também que começar a olhar os outros fatores. Nesse relatório, ele manteve o esmagamento e as exportações brasileiras de óleo sem alteração, e pra nós atendermos a demanda interna para o biodiesel teremos que esmagar, a partir de novembro, um volume de 8 a 10 milhões de toneladas a mais em 2015 para suprir esses 2 milhões de toneladas a mais que vamos precisar de óleo", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

O USDA, ainda de acordo com Eduardo Vanin, não mexeu nos números para o esmagamento de soja nos EUA, bem como nas exportações de farelo norte-americanas - 10,66 milhões de toneladas, diante das incertezas do comportamento do mercado frente à possibilidade de troca do produto pelo DDG, já que a China proibiu as importações do subproduto do milho alegando conter traços de transgenia não aprovada no país. O analista afirma ainda que essas exportações do derivado de soja, no entanto, devem ser maiores. 

Para o Brasil, a estimativa do USDA é de que as exportações de farelo sejam de 13,8 milhões de toneladas na safra 2014/15 - mesmo número da safra 2013/14, contra 14 milhões estimadas no relatório anterior; para a Argentina, as vendas externas devem ser de 29,820 mil toneladas, contra 27 mil da temporada anterior.  

Contestação

No espaço do Fala Produtor do site Notícias Agrícolas, o consultor de mercado Liones Severo, do SIM Consult, contesta os números do USDA. "Às vezes precisamos ser contundentes, num esforço de mudar o leme da nossa arca. Os números divulgados pelo relatório do USDA são fantasiosos e distantes da realidade de oferta e demanda mundial. Joguem esses números na primeira lata de lixo que encontrarem". 

Sobre as datas dos estoques finais, Severo afirma que o intervalo de 1º de outubro de 2014 a 1º de outubro de 2015 não representa os estoques de Brasil e a Argentina. "Os estoques de soja mundial crescerão de 67,090 milhões de toneladas no dia 1º. de outubro deste ano, para 85,310 milhões de toneladas para o dia 1º. de outubro de 2015. Esta data não representa os estoques de Brasil e Argentina porque naquela data não termina nossa safra. Então, a medida que cresce a safra sul-americana, maiores se tornam os estoques mundiais. Especificamente, neste ano o Brasil terá 17,110 milhões de toneladas de soja, Argentina com 28,630 milhões de toneladas, a China com 13.290 milhões de toneladas, todos dia 1/10/14. Nem mencionei o estoque norte-americano de 3,820 milhões de tons, porque se deduzir a conta de resíduos negativos (que não existe) de 2,560 milhões de tons, o estoque norte-americano deste ano será na realidade 1,260 milhões de tons, o menor da história e não declarado. Portanto, nenhum desse fantasiosos estoques existem e, se por ventura existisse a soja jamais trabalharia acima de US$ 8,00 por bushel", explica o consultor.

Milho - A respeito do milho, os números mais contestados por Severo são os que se referem à demanda. O USDA estima as exportações mundiais de milho da safra nova em 115,22 milhões de toneladas, contra 125,47 milhões de toneladas da safra anterior. "Será que as importações mundiais encolherão em cerca de 10 milhões de toneladas, se existe uma forte expansão no consumo de farelo de soja, seu parceiro na formulação de rações?", completa. 

De 2012/13 para 2013/14, a demanda mundial de milho cresceu 37% e o estimado agora, da safra passada para a 2014/15 é de um recuo de, aproximadamente, 9%. " os preços do milho explodiram na China e já estão negociando na equivalência de us$ 6.00 por bushel da Bolsa de Chicago. Dá para acreditar??", finaliza Liones Severo.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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