Soja volta a subir em Chicago com boas exportações nos EUA

Publicado em 14/08/2014 13:07 1562 exibições

O mercado internacional da soja parece ter definido uma melhor direção para as cotações no início da tarde desta quinta-feira (14) e opera em alta na Bolsa de Chicago. Na sessão regular, por volta de 12h40 (horário de Brasília), os ganhos dos vencimentos mais negociados variavam entre 8 e 12,75 pontos. O contrato novembro, referência para a safra norte-americana, era cotado a US$ 10,54 por bushel. 

Os números positivos vindos da demanda no boletim de vendas para exportação divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) hoje estimularam os ganhos na CBOT. As exportações semanais de soja ficaram acima das expectativas do mercado - de 1 milhão de toneladas - e totalizaram 1.143,2 milhão de toneladas se somados os volumes das safras velha e nova. 

Foram 61,4 mil da temporada 2013/14 e 1.081,8 milhão da 2014/15. Na semana anterior, esses números foram de 94,9 mil e 1009,0 milhão de toneladas, respectivamente. No acumulado do ano, as vendas para exportação da temporada velha dos EUA já somam 46.180,3 milhões  de toneladas contra a última projeção do USDA de 44.630,0 milhões de toneladas. 

Sobre o farelo de soja, o USDA informou um recuo expressivo nas vendas e o saldo semanal entre as duas safras foi de 120,4 mil toneladas. De 2013/14, as vendas ficaram negativas em 31,7 mil toneladas, contra 252,1 mil toneladas, já de 2014/15, foram vendidas 152,1 mil toneladas contra as 479 mil reportadas no boletim da semana anterior. 

No acumulado do ano, as vendas da safra velha totalizam 10.304,0 milhões de toneladas frente à última estimativa do USDA de 10.570,0 milhões. 

No óleo de soja as vendas também vieram bem menores do que as registradas na semana anterior. O saldo da semana foi de 2 mil toneladas, sendo 6,7 mil da safra nova e 4,7 mil negativas da safra velha. No boletim passado, esses números foram de 10 mil e 15,5 mil, respectivamente. 

As vendas da temporada 2013/14 de óleo de soja já acumulam 805,9 mil toneladas, contra 840 mil da última estimativa do departamento norte-americano.

Por outro lado, o que ainda limita as altas da soja no mercado futuro norte-americano, principalmente nos vencimentos mais distantes, são as projeções de uma grande safra vinda dos Estados Unidos. O departamento norte-americano estimou a colheita da safra 2014/15 em 103,85 milhões de toneladas, com uma produtividade superior a 51 sacas por hectare. 

Ao lado dessas informações, há ainda as previsões de clima para as próximas semanas, que continuam se mostrando favoráveis e contribuem, portanto, para o bom desenvolvimento das lavouras. As temperaturas previstas para os próximos seis dias devem ficar ligeiramente abaixo do normal, com maior possibilidade de chuvas no estado de Iowa e, se confirmadas, serão benéficas tanto para as lavouras de soja quanto para milho. 

Paralelamente, o mercado ainda vê uma influência muito grande do financeiro nessas últimas semanas. O aumento da tensão nos conflitos geopolíticos - que não sinalizam a chegada a um acordo entre as partes ou soluções que pudessem os amenizar - e dados que chegam diariamente sobre o comportamento da economia mundial também pesam sobre o andamento dos negócios. 

Já é conhecido que um cenário de maior aversão ao risco no mercado financeiro estimula os investidores a deixarem suas posições em ativos mais sensíveis, como é o caso das commodities agrícolas, e se voltarem a outros mais seguros, como os os títulos da dívida americana e o dólar, por exemplo. 

Nesta quinta, a moeda norte-americana opera em queda frente ao real em um dia de tensão no mercado brasileiro depois da morte do candidato à presidência da República, Eduardo Campos. A morte do presidenciável trouxe muitas incertezas ao cenário político e financeiro do país já que, segundo analistas, leva a corrida eleitoral de volta à estava zero. Além disso, no quadro internacional, dados mais fracos sobre o mercado de trabalho dos EUA também pesam sobre o dólar frente ao real e à outras moedas. 

Entretanto, a recente valorização do dólar - que saiu da casa dos R$ 2,20 nas últimas semanas - e mais os altos prêmios que continuam sendo pagos nos portos brasileiros são os fatores que têm amortizado as quedas em Chicago na formação dos prçeos da soja no Brasil. Assim, o recuo das cotações tem sido, portanto, menos severo no mercado interno do que o que tem sido observado na CBOT. 

No porto de Rio Grande, os preços continuam variando entre R$ 66 e R$ 68 por saca de soja disponível em alguns casos, e um ritmo ligeiramente mais acelerado de negócios pôde ser observado. Os compradores seguem no mercado, porém, os vendedores ainda se mostram retraídos e à espera de novas boas oportunidades de comercialização. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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