Soja inicia a semana em campo positivo na Bolsa de Chicago

Publicado em 18/08/2014 07:31 1737 exibições

A semana começa com preços em alta para a soja na Bolsa de Chicago. Na manhã desta segunda-feira (18), por volta das 7h30 (horário de Brasília), os futuros da oleaginosa trabalhavam com ganhos que variavam entre 2,75 e 7,75 pontos. Quem liderava as altas era o vencimento setembro/14, o que, nesse momento, é o mais próximo e o que representa o mercado à vista. 

Na última semana, os ganhos para o mercado internacional da soja foram motivados pelas boas notícias vindas da demanda. As exportações semanais reportadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vieram acima das expectativas do mercado e, ao longo da semana, novas vendas foram anunciadas. 

Paralelamente, as previsões climáticas seguiram indicando que o tempo se manteria favorável ao desenvolvimento das lavouras norte-americanas, fortalecendo as expectativas de uma grande safra a ser colhida nos Estados Unidos na temporada 2014/15. Nesse início de semana, novas previsões deverão ser divulgadas e voltar a mexer com mercado. 

Hoje, saem ainda dois novos boletins importantes do departamento norte-americano, sendo um deles o de embarques semanais, ou seja, o que efetivamente saiu de grãos dos EUA na semana - por volta de 11h (horário de Brasília) - e o de acompanhamento de safras (17h), após o fechamento do pregão, que traz as condições das lavouras do país até o último domingo (17).

A espera por esses dois reportes, como sempre, tira um pouco da força e da direção do mercado, uma vez que impacta diretamente no humor dos investidores. 

Veja como fechou o mercado na última sexta-feira:

Soja: Força da demanda traz boas perspectivas para mercado brasileiro

Os futuros da soja na Bolsa de Chicago fecharam o dia em campo negativo nesta sexta-feira (15). A última sessão da semana foi marcada por uma intensa volatilidade, com os futuros da oleaginosa oscilando diversas vezes entre os campos positivo e negativo da tabela, quando os preços chegaram a subir mais de 10 pontos nos contratos mais negociados. 

Ao longo do dia, o vencimento setembro/14 chegou a recuperar a casa dos US$ 11,00 por bushel - atingindo a máxima de US$ 11,13 neste pregão -, mas terminou o dia valendo US$ 11,02. Já a posição que é referência para a safra norte-americana, novembro/14, encerrrou o dia valendo US$ 10,51, com queda de 4,50 pontos, enquanto o maio/14, referência para a produção brasileira, ficou em US$ 10,76/bushel. 

O que trouxe um novo fôlego aos preços e limitou o potencial de baixa ao mercado foi o anúncio de uma nova venda de soja em grão de 110 mil toneladas da safra nova para a China feita pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta sexta. A notícia vem confirmando a continuidade da força e o crescimento da demanda, não só por parte da nação asiática, mas em âmbito global, da demanda pela oleaginosa. 

As compras chinesas já estão bem acima dos números registrados no mesmo período do ano passado e a tendência, segundo analistas, é de que suas importações continuem aumentando. Além disso, o último relatório de exportações semanais do USDA mostrou que as vendas de soja da safra velha dos EUA continuam acontecendo, elevando ainda mais o acumulado no ano comercial - que já supera largamente a última projeção do departamento norte-americano - e os dados da safra nova também são positivos. 

Além disso, nos Estados Unidos, a demanda interna também está bastante aquecida e o movimento é outro fator positivo para os preços, inclusive no mercado físico norte-americano. A China, há algumas semanas, proibiu a importação de DDG de milho por conta de alguns carregamentos que continham traços de uma variedade transgência não aprovada no país o que, ainda de acordo com analistas, deve aumentar a necessidade das compras de farelo de soja. 

As margens de esmagamento melhoraram nos últimos dias, estimulando a compra de matéria-prima e, consequentemente, o avanço dos preços do derivado e da soja em grão. 

"Voltamos a entrar no mercado de demanda, e a tendência de curto prazo é de que esse mercado opere mais próximo dos US$ 11 por bushel, porque continuamos com pouca oferta de soja disponível nos principais países exportadores, continuamos sem vendas de grandes volumes no Brasil, a Argentina está começando a vender alguns pequenos volumes, ainda pouco significativos e isso, automaticamente, tem sido um fator tem segurado as cotações e o mercado busca uma reação", diz Vlamir 

Ao mesmo tempo, a safra norte-americana segue se desenvolvendo em muito boas condições. O clima no Meio-Oeste americano, principal região produtora de grãos dos Estados Unidos, permanece contribuindo com o desenvolvimento das lavouras, as chuvas têm estado dentro do normal e as temperaturas se mostram mais amenas. Para os próximos dias, as previsões indicam a continuidade desse quadro. 

No entanto, para Brandalizze, o mercado já absorveu, por hora, essas informações e essas projeções de uma grande safra americana - estimada pelo USDA em 103,85 milhões de toneladas -, mas, ainda não sabe, exatamente, o que poderá observar de demanda. Dessa forma, toda nova notícia que surgir sobre o consumo pela soja deverá permitir que o mercado "flutue mais do lado positivo", apesar de se mostrarem de forma mais tímida. 

"O mercado terá essas flutuações, que não devem ser grandes, nos próximos dias, com máximas de 20 pontos em cada pregão, com um dia em alta, e outro com o mercado buscando liquidar de forma técnica para garantir lucros, e é assim que o mercado vai se comportar nos próximos dias, até que uma nova notícia venha alavancar um pouco mais os negócios", explica o consultor. 

Soja na Semana

Na semana, o saldo foi negativo para o mercado internacional da soja, bem como para os preços nos portos brasileiros. Em Chicago, o vencimento setembro recuou 0,54%, passando de US$ 11,08 para US$ 11,02. Para novembro, a desvalorização foi de 1,96%, e o preço caiu de US$ 10,73 para US$ 10,52 por bushel. 

Assim, com uma referência menor de cotações na CBOT, os preços da soja recuaram também em Paranaguá e Rio Grande. Para a soja disponível, no porto paranaense, a queda na semana foi de 0,74% e a saca da oleaginosa caiu de R$ 67,50 para R$ 67,00, já no terminal gaúcho o recuo foi menor - 0,44% - e a cotação recuou de R$ 67,50 para R$ 67,20. Já para a soja da safra nova, as perdas foram mais intensas e de, respectivamente, 4,84% e 2,11%. Em Paranaguá, a semana terminou com R$ 59,00/saca, contra os R$ 62,00 da última segunda-feira (11) e, em Rio Grande, caiu de R$ 61,50 para R$ 60,20. 

Para Vlamir Brandalizze, a semana no mercado internacional foi marcada pelas poucas novidades trazidas pelo USDA em seu boletim mensal de oferta e demanda da última terça-feira (12), confirmando o que o mercado esperava e exercendo uma influência comedida sobre o andamento dos preços em Chicago. Assim, acredita que a próxima semana será de novos ajustes para as cotações. 

No mercado brasileiro, as "novas demandas" que vêm surgindo devem estar no centro das atenções, principalmente por parte do setor de biodiesel, e que podem estimular uma reação dos preços. Além disso, há um otimismo bastante grande no setor de rações, que vislumbram um bom momento da demanda com a possibilidade do aumento das exportações para a Rússia, que embargou boa parte de seus vendedores tradicionais na última semana. 

"Seguiremos com uma demanda forte no mercado interno e pouca oferta. Já temos pouca soja e essa soja está na mão de poucos produtores e produtores capitalizados, e eles devem valorizar o produto. Então, não esperamos queda de preços no mercado nacional", acredita o consultor.  

Oportunidades de venda

Apesar desse saldo semanal negativo, as expectativas dos analistas e consultores de mercado são de melhores oportunidades de comercialização entre o final de agosto e o início de setembro, quando o mercado passa, tradicionalmente, por alguns ligeiros repiques de preços. 

"Esse é um período quando começam a surgir as previsões de clima para os Estados Unidos para a fase já final da safra, quando podem entrar as massas de ar polar que vêm do Canadá e pegam o norte do Corn Belt, então, se entrar alguma dessas massas nas previsões, com possibilidade de geadas, aí o mercado poderia reagir mais e esse seria o momento de o produtor começar a fazer suas fixações. Essas notícias, quando começam a aparecer, fazem o mercado flutuar mais para cima", diz Brandalizze. 

Patamares interessantes e que deveriam ser observados com atenção pelos produtores ficam na casa dos US$ 11,50 que, aliados aos prêmios, superam os US$ 12,00 por bushel nos portos brasileiros.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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