Soja: Mercado segue em queda na CBOT diante da boa safra nos EUA

Publicado em 20/08/2014 12:51 1150 exibições

Safra EUA 2014/15 - 1

Lavoura de soja no estado de Illinois, EUA - Foto: Vlamir Brandalizze

Na sessão regular desta quarta-feira (20), os futuros da soja seguem operando em campo negativo e aumentam a intensidade do recuo nos principais vencimentos. Por volta de 12h30 (horário de Brasília), os contratos mais distantes já trabalhavam com perdas de mais de 10 pontos. O vencimento novembro/14, referência para a safra norte-americana, era negociado a US$ 10,43 por bushel, recuando 9,75 pontos. 

Os dados mais atuais que começam a chegar ao mercado sobre a nova safra norte-americana continuam sendo o principal fator de pressão sobre as cotações, já que confirmam as projeções sobre uma grande produção na temporada 2014/15. O Crop Tour Pro Farmer, um dos mais respeitados levantamentos feito sobre a situação das lavouras norte-americanas, já vêm apresentando rendimento acima do esperado tanto para a soja quanto para o milho. 

No estado de Ohio,  a contagem de vagens de soja em um espaço de 3x3 pés ficou em 1.342,42 vagens, enquanto na Dakota do Sul esse número é de 1.057,80 vagens. Em Indiana, a contagem ficou em 1.220,79 vagens/3x3 pés e em Nebraska, 1.103,26 vagens. 

Favorecendo esse bom desenvolvimento das lavouras norte-americanas, que apresentam excelente qualidade, está o quadro climático também bastante positivo no Meio-Oeste norte-americano. Nesse verão, os campos foram beneficiados por temperaturas mais amenas e chuvas dentro da média em quase todas as principais regiões produtoras e, por isso, até o momento, ainda não se apresentam quaisquer ameaças climáticas à produção dos EUA.

Segundo relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, direto do Corn Belt, "os  indicativos de uma grande safra americana estão se confirmando. Em todos os quilômetros que já percorremos aqui no Meio-Oeste americano as lavouras que vimos estão muito boas". 

Assim, a safra de grãos dos EUA caminha para atender os últimos números estimados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) tanto para a soja - em mais de 103 milhões de toneladas, número que poderia ser superado, segundo produtores locais e atingir as 105 milhões de toneladas - e algo entre 350 e 360 milhões de toneladas para o milho, com uma produtividade para o cereal acima das 211,67 sacas por hectare (200 bushels por acre).  

O único problema climático pelo qual poderiam passar os agricultores norte-americanos a esta altura seria a ocorrência de geadas precoces, principalmente nas lavouras plantadas um pouco mais tarde. 

"Se essas geadas não vierem, essa será uma safra cheia, não tem mais volta. Algumas áreas ficaram de quatro a cinco semanas sem chuvas, mas os bons níveis de umidade do solo compensaram essas condições.  Os produtores não devem nem mesmo enfrentar problemas no momento da colheita, eles investiram muito em tecnologia e têm maquinários novos, ou seja, estão preparados para colher esta safra muito rapidamente", disse Brandalizze. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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