Soja fecha o dia em alta na CBOT e tem leves ganhos no Brasil

Publicado em 15/09/2014 17:07 1628 exibições

Nesta segunda-feira (15), depois de uma sessão de movimentações pouco expressivas, os futuros da soja fecharam o dia em campo positivo na Bolsa de Chicago. As posições mais negociadas terminaram o dia com ganhos entre 4,25 e 5,75 pontos, com o contrato novembro/14 cotado a US$ 9,89 por bushel, alta de 0,43% em relação à última sexta-feira (12). 

Segundo analistas, o mercado refletiu a tentativa de recuperação dos preços depois das expressivas baixas registradas nas últimas semanas e as boas notícias vindas da demanda. Além disso, a chegada de uma frente fria nos Estados Unidos no último final de semana trouxe algum alívio às cotações, porém, de acordo com informações de sites internacionais, os danos foram mínimos às lavouras. 

No Brasil, preços melhores também foram registrados, principalmente nos portos. Em Rio Grande, a alta para a soja com entrega para maio/15 foi de 1,75% a R$ 58,00 por saca, enquanto em Paranaguá, o preço permaneceu estável nos R$ 55,50/saca. 

Comercialização

Apesar disso,  a comercialização no Brasil segue travada, o que acaba trazendo algum suporte às cotações, senão como fator de alta, ao menos como um limitador das baixas. "Devido a baixos preços e insegurança em diversas regiões do mundo, os três países que produzem mais de 85% da soja do mundo - Argentina, Brasil e EUA - não vão vender, e com isso vemos pouca oscilação", diz o consultor. 

Essa situação de negócios quase paralisados vem sendo refletidas em prêmios ainda positivos nos portos brasileiros. Apesar de exibirem uma ligeira queda nesta segunda-feira em relação aos números da última semana, os prêmios mostram que o interesse da demanda ainda persiste e os compradores seguem, portanto, estimulando os compradores - retraídos - a voltarem a vender. Para o contrato novembro, o prêmio pago no porto de Paranaguá está em US$ 2,30 sobre o valor praticado em Chicago, , que leva a soja a US$ 12,17 por bushel, com o contrato sendo negociado a US$ 9,87.

"O problema de preço muito baixo não é só do produtor, mas também do comprador. Quando o mercado está parasalisado, há uma estagnação de negócios, e isso também gera dúvida e insegurança nos compradores. Ele compra 'da mão para a boca', volumes estritamente necessários para não alavancar preços e para não perder a oportunidade de comprar a preços menores. Então, estamos em um momento muito ruim de negócios, mas isso limita novas quedas", diz o consultor de mercado Ênio Fernandes. 

Demanda

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou, nesta segunda, a venda de 118 mil toneladas de soja da safra 2014/15 para a China e trouxe algum ânimo aos negócios. Em seguida, o novo boletim semanal de inspeções de exportações do departamento norte-americano trouxe números para a soja melhores do que os registrados na semana anterior e também acima dos registrados no mesmo período da temporada anterior.  

Os embarques semanais de soja ficaram em 255,02 mil toneladas, contra 173,73 mil da semana anterior. O número ficou dentro das expectativas do mercado, que variavam de 140 mil a 270 mil toneladas. 

No ano passado, nesse mesmo período, o total foi de 80,775 mil toneladas. No acumulado do ano comercial iniciado em 1º de setembro, o total de embarques já é de 333,608 mil toneladas contra 130,969 mil da temporada anterior. 

"Hoje, o mercado começou a olhar um pouquinho para o lado da demanda. De acordo com o boletim do USDA, foram embarcadas mais de 255 mil toneladas de soja, os americanos estão com mais do que o dobro do volume de embarques do mesmo período do ano passado, há demanda internacional e agora começa a se olhar para onde vai essa soja", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Além disso, os números sobre o esmagamento de soja nos EUA também ficaram acima do esperado e deram algum suporte às cotações. A Associação Nacional dos Processadores de Óleos Vegetais (Nopa) informou, nesta segunda-feira (15), que os Estados Unidos esmagaram, em agosto, 3,010 milhões de toneladas de soja, pouco acima da expectativa do mercado de 3,04 milhões de toneladas. 

O número é ligeiramente menor do que o registrado em julho, de 3,225 milhões, mas pouco mais alto do que o de agosto, de 3,007 milhões.  

As informações sobre os fundamentos da nova safra norte-americana, no entanto, já foram precificadas, em sua maior parte, segundo analistas, e, diante disso, o mercado precisa agora de novas notícias que pudessem estimular oscilações mais expressivas na CBOT. 

Para Ênio Fernandes, a movimentação do mercado dos próximos 30 dias deve ser mais tímida. "O mercado mostra essa pouca oscilação porque, entre outros fatores, porque conta com pouca arbitragem e, consequentemente, pouca margem de ganho para os fundos. Além disso, com as origens inseguras (em efetivar novos negócios), o mercado também oscila menos", explica Fernandes.

Geadas nos EUA

No último final de semana, algumas geadas foram registradas no Meio-Oeste dos Estados Unidos, porém, menos severa do que vinham sendo esperadas e limitada à porção noroeste do Corn Belt, de acordo com informações do site norte-americano Farm Futures. Para essa semana, não há ainda ameaças adicionais de geadas, porém, o clima deve seguir frio, e com a presença de boas chuvas para a continuidade do desenvolvimento das lavouras. 

"Embora algumas geadas leves tenham atingido o noroeste do Meio-Oeste, o frio foi bem menos intenso do que o que vinha sendo indicado na semana passada. Dessa forma, as possíveis perdas para a soja e para o milho continuam sendo mínimas, em toda a região, por enquanto", informou o Commodity Weather Group. 

Clique no link abaixo e confira as cotações nesta segunda-feira:

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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