Soja amplia altas na CBOT com clima adverso nos EUA e no Brasil

Publicado em 06/10/2014 13:20 2292 exibições

Nesta segunda-feira (6), os futuros da soja dispararam na Bolsa de Chicago e, por volta de 12h40 (horário de Brasília), na sessão regular, os principais vencimentos subiram mais de 20 pontos com o clima de volta ao foco dos negócios. O contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana, era cotado a US$ 9,33 por bushel, enquanto o maio/15, referência para a temporada brasileira, valia US$ 9,55. 

As condições climáticas adversas - tanto para a colheita nos Estados Unidos, quanto para o plantio no Brasil - compõem um quadro favorável para o avanço das cotações. 

Paralelamente, a baixa do dólar nesta segunda também contribui e permite uma alta não só da soja, como das commodities de uma forma geral neste pregão. Em Chicago, milho e trigo também trabalhavam em campo positivo, enquanto na Bolsa de Nova Iorque, os preços do café subiam expressivamente, registrando os melhores patamares em dois anos. 

Chuva e frio nos EUA

Nos Estados Unidos, o excesso de chuvas vem comprometendo o avanço dos trabalhos de colheita em estados importantes na produção como Iowa, Nebraska, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Minnesota e Wisconsin. As previsões para as próximas semanas indicam que as precipitações devem continuar e podem continuar atrapalhando. 

Além das chuvas excessivas, o tempo também está bastante frio na região do Corn Belt e algumas lavouras plantadas mais tarde podem sofrer com essas condições. Foi um final de semana de temperaturas negativas, principalmente, na parte superior do Meio-Oeste e nas planícies do Norte. 

Com isso, algumas geadas chegaram a campos de soja e milho, porém, sem causar danos ou prejuízos de larga escala dado o bom desenvolvimento das plantas até agora. No entanto, o cenário vem exigindo atenção dos produtores e atraindo os olhares dos investidores. 

Para Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, no entanto, esse não é um quadro de muita preocupação e não deve fazer com que os preços mantenham uma alta consistente por conta desse fator. 

Na próxima sexta-feira, 10 de outubro, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz seu novo boletim mensal de oferta e demanda e, ainda de acordo com o analista, as expectativas são de um aumento nos números de produtividade tanto de soja quanto de milho e, consequentemente, nas estimativas de produção, que são recorde. 

As projeções do mercado para a nova safra de soja dos EUA têm variado de 105 a 110 milhões de toneladas. 

"Eu não acredito que já haja um fato real de grandes quebras na safra americana, o efeito de geadas ou de uma possível neve, e eu não acredito, portanto, que seja um grande problema", afirma Araújo. 

No Brasil

No Brasil, faltam chuvas, principalmente no Centro-Oeste, para o avanço do plantio da nova safra de soja e, aos poucos, o mercado deverá voltar sua atenção para o cenário climático brasileiro para direcionar o mercado. No município de Sorriso, em Mato Grosso, as chuvas são irregulares e dificultam o bom andamento da semeadura. 

Segundo o presidente do sindicato rural local, Laércio Pedro Lenz, as previsões indicam a regularização das precipitações somente a partir da segunda quinzena de outubro e, por conta disso, os trabalhos de campo estão parados. 

"Eu acredito em uma sustentação se essa situação continuar, ou seja, se as chuvas não vierem e continuar o atraso do plantio, mas ainda estamos somente no início da safra 2014/15 aqui no Brasil", acredita o analista. 

Porém, enquanto a seca não permite que o produtor do Centro-Oeste avance com o plantio, na região Sul o excesso de chuvas também atrasa o plantio. Um levantamento da AgRural divulgado hoje pela Reuters mostrou que apenas 3% da área brasileira já foi semeada, contra a média de 4% dos últimos cinco anos. 

"No Paraná, onde até a semana passada o plantio estava adiantado em relação a 2013, os grandes volumes de chuva registrados nesta semana impediram a entrada das máquinas em praticamente todo o Estado", disse a AgRural em relatório semanal. 

Recuperação técnica e mercado financeiro

Além dos fatores climáticos, o mercado de grãos observa também, principalmente no caso da soja, uma recuperação técnica nesta segunda-feira. Os fundos de investimento buscam cobrir suas posições vendidas, principalmente de curto prazo, e aproveitam o momento para concluir essa movimentação.

Ao mesmo tempo, o mercado observa uma expressiva baixa do dólar frente à cesta das principais moedas internacionais, inclusive o real, o que acaba sendo um fator positivo para as commodities agrícolas, que se tornam mais competitivas. 

"Depois de todas essas altas da moeda norte-americana, há uma queda do índice dólar e isso é positivo para o mercado de commodities e isso influencia o mercado", explica Marcos Araújo. 

Nesta segunda-feira, com o resultado do 1º turno das eleições e a chegada do candidato Aécio Neves ao 2º disputando com Dilma Rousseff, o dólar voltou a cair, registrando uma baixa de 4% na abertura da sessão, e a Bovespa disparou. As ações da Petrobras também exibiram expressiva alta. Por volta de 13h30 (Brasília), a moeda caía pouco mais de 2% e valia R$ 2,41, depois de bater nos R$ 2,50 na última semana.  

Segundo explicou o economista Roberto Troster, a confiança do mercado financeiro internacional é maior em Aécio Neves e sua chegada à essa nova etapa das eleições foi recebida como uma "surpresa bastante positiva" nesse momento. O desempenho do candidato do PSDB foi destaque na cobertura internacional sobre as eleições brasileiras. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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