Soja: em dia de USDA, mercado opera em queda na CBOT

Publicado em 10/10/2014 07:37 e atualizado em 10/10/2014 09:56 1492 exibições

A manhã de sexta-feira (10) é de baixa no mercado internacional da soja. As cotações devolvem parte dos ganhos registrados no fechamento da sessão anterior e, por volta das 7h40 (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados trabalhavam com perdas de 8,50 a 9,75 pontos na Bolsa de Chicago. 

O mercado deve se manter na defensiva no pregão de hoje à espera dos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) que serão divulgados às 13h desta sexta-feira. As expectativas do mercado são de um aumento expressivo nos números de produção, produtividade e estoques da soja e, se confirmados, as cotações poderiam ser ainda mais pressionadas, segundo analistas. 

O foco se divide com as condições de clima no Brasil e nos Estados Unidos. A colheita está atrasada no Meio-Oeste americano por conta do excesso de precipitações, situação que se repete com o plantio brasileiro que sofre com, além as chuvas excessivas no Sul, com a estiagem no Centro-Oeste. 

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Às vésperas do USDA, soja foca clima e demanda e fecha em alta

Os preços da soja voltaram a subir nesta quinta-feira (9) na Bolsa de Chicago e fecharam a sessão regular com ganhos de mais de 6 pontos nos principais vencimentos. O contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana, fechou o dia cotado a US$ 9,42 por bushel e o maio/15, referência para a safra brasileira, ficou valendo US$ 9,66. O mercado voltou a subir neste pregão após dois dias de baixas. 

O mercado registrou uma sessão positiva às vésperas do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta sexta-feira, 10 de outubro e, segundo analistas, poderia ser mais um fator de pressão sobre as cotações. 

Alguns movimentos de compras especulativas por parte dos fundos de investimento, porém, contribuíram para o avanço das cotações, já que os investidores buscam se posicionar antes da divulgação dos novos números do USDA. 

As expectativas apontam uma possibilidade grande de aumento nas estimativas do USDA para a safra dos EUA de soja de 106,41 milhões para 108,20 milhões de toneladas, com a produtividade no país subindo de 52,85 para 53,35 sacas por hectare. Os estoques finais estão sendo esperados na casa dos 13 milhões de toneladas. Os números são bem maiores do que os da temporada 2013/14, quando o país passou por uma severa estiagem e registrou uma quebra na colheita. 

Ao mesmo tempo, porém, hoje o USDA trouxe um novo reporte semanal de vendas para exportação mostrando que a demanda mundial pela oleaginosa segue bastante aquecida e atua como fator de suporte ou, ao menos, limitador de baixa para os preços. 

O boletim mostrou que o volume de exportações de soja dos Estados Unidos alcançou os 66%, ou seja, das 46,270 milhões de toneladas estimadas pelo departamento para serem exportadas no ano comercial 2014/15, já estão comprometidas 29,747,1 milhões de toneladas. Somente na semana que terminou em 2 de outubro, as vendas totalizaram 923,5 mil toneladas, contra as expectativas do mercado que eram de 720 mil toneladas. 

Nos derivados de soja os números também são importantes. As vendas semanais de farelo de soja também registraram um aumento expressivo passando de 259,3 mil para 707,6 mil toneladas. No acumulado do ano, as vendas já totalizam 6.026,5 milhões de toneladas, contra 10,520 milhões estimadas pelo USDA para este ciclo. 

Para o óleo de soja, foram vendidas, na semana que terminou em 2 de outubro, em 69,8 mil toneladas, contra 27,3 mil da semana anterior. Assim, o volume acumulado no ano chega a 165,2 mil toneladas frente a estimativa do USDA para o ano comercial 2014/15 de 860 mil toneladas. 

Além disso, o mercado internacional também observa de perto o atual cenário climático no Meio-Oeste norte-americano. Há um excesso de chuvas nos principais estados produtores do Corn Belt comprometendo o bom andamento dos trabalhos de campo e atrasando, consequentemente, a chegada da nova safra norte-americano ao mercado. 

"As chuvas continuam a cair ao longo do Meio-Oetse e os mapas do Serviço Nacional de Meteorologia mostram mais chuvas para esta semana. Embora essas precipitações não alterem significativamente o tamanho da safra norte-americana, elas atrasam a chegada da oferta aos consumidores finais (importadores, principalmente). E isso ganha importância ainda maior depois de o USDA ter apontado números críticos para os estoques trimestrais de soja em 1º de setembro no relatório do último dia 30", disse o analista de mercado Bob Burgdorfer, do site especializado norte-americano Farm Futures.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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