Soja volta a subir nesta sexta-feira e fecha o mês com 14% de alta em Chicago

Publicado em 31/10/2014 16:38 e atualizado em 31/10/2014 17:35 1515 exibições

A semana foi realmente agitada para o mercado internacional da soja na Bolsa de Chicago. Após as fortes altas registradas ao longo dos últimos dias, os preços pareciam manter um cenário de estabilidade nesta sexta-feira (31), porém, no meio da tarde, intensificou expressivamente os ganhos e fechou o dia subindo entre 14,50 e 19,50 pontos nos principais vencimentos. 

O contrato novembro/14, referência para a safra norte-americana, encerrou a semana valendo US$ 10,49 por bushel, acumulando uma alta de 4,27% na semana, enquanto para o vencimento maio/15, referência para a produção do Brasil, o fechamento ficou em US$ 10,62, com ganho semanal de 3,62%. No mês, o avanço das duas posições foi de, respectivamente, 14,52% e 12,74%.

Nessa semana, o mercado foi marcado por uma conjunção de fatores que trouxe um forte estímulo aos preços. Paralelamente, foi influenciado também por movimentos observados no cenário financeiro e pela maciça presença dos fundos de investimento, o que acentou a volatilidade dos negócios nos últimos dias. Apesar disso, para o analista de mercado Marcos Araújo, da Agrinvest, as cotações se consolidam acima dos US$ 10,50 e passam por um bom momento, sem espaço para baixas muito significativas nas próximas sessões. Entretanto, sinaliza ainda que serão necessárias novas e importantes informações para que novos ganhos sejam estimulados. 

Farelo de Soja

Um dos principais fatores de alta para os preços da soja nessa semana foi a movimentação surpreendente no mercado do farelo de soja nos Estados Unidos. Com uma demanda muito aquecida pelo setor de rações norte-americano, preços das carnes registrando níveis recordes e as margens de esmagamento positivas no país - de cerca de US$ 2,00, ainda segundo Marcos Araújo -, os preços do derivado no mercado futuro americano também passaram por uma forte alta e registraram o maior rally desde 1974, ou seja, em 40 anos. 

No mês, a alta acumulada do farelo de soja na Bolsa de Chicago é de 29,67% para a posição dezembro, que encerra outubro valendo US$ 387,20/tonelada curta. Para março/15, o ganho é de 16,41% e fechamento de US$ 344,10. A produção de aves, suínos e bovinos vêm exigindo muito farelo de soja para garantir a ração dos animais que seguem para confinamento antes da chegada da temporada de neve no país e isso vem provocando um caos logísitco nos EUA. Trens e barcaças estão tomados de diversos produtos e agora se deparam com mais essa demanda, que já registra em fretes mais altos e um tempo mais longo de espera nos terminais. 

Logística nos EUA

Ferrovia na costa da Califórnia - Foto: Bloomberg

Demanda

Dessa forma, a demanda também se mostrou como um importante componente para as cotações da soja nessa última semana. Nos últimos dias, foram reportadas novas vendas da oleaginosa para a China e destinos desconhecidos, além de o boletim de vendas para exportação divulgado na quinta-feira (30) pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) mostrar que no acumulado do ano, já há 34.099,5 milhões de toneladas comprometidas do total de 46,270 milhões de toneladas estimadas pelo departamento norte-americano, o que corresponde a 76%. 

Sobre o farelo de soja, o departamento informou que as vendas semanais foram de 147,9 mil toneladas, contra apenas 23 mil da semana anterior, uma lata de mais de 500%. No acumulado do ano comercial, as vendas já totalizam 6.393,3 milhões de toneladas, enquanto o USDA projeta as exportações da temporada 2014/15 em 10,890 milhões de toneladas. 

Clima, colheita e plantio

As informações sobre o clima, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil também estiveram muito presentes no mercado nos últimos dias. Há algumas semanas, chuvas excessivas vinham atrasando de forma significativa a colheita da nova safra dos Estados Unidos e, segundo o analista da Agrinvest, esse foi o fator de início dessas novas altas. 

Apesar das boas produtividades que vêm sendo registradas, o índice de área colhida nos EUA vinha se mostrando abaixo da média dos últimos anos, de acordo com informações do USDA, porém, o cenário climático parece mais favorável e os trabalhos de campo puderam ser retomados, o que chegou a causar uma pressão momentânea nos preços. 

No Brasil, porém, a situação é a oposta. A previsão de boas chuvas que chegariam na segunda quinzena de outubro para as principais regiões produtoras do país não se confirmou em muitas localidades e o plantio segue bastante atrasado em comparação com as temporadas anteriores. 

No Mato Grosso do Sul, até o momento cerca de 30% da área já cultivada com a soja, conforme dados da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul). O índice está bem abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, de 60%. No estado de Mato Grosso, apenas 20,1% da área foi semeada com a oleaginosa. Segundo dados do Imea (Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária), em 2013, o plantio do grão já estava completo em 50,5%. A situação também se repete no Paraná, onde cerca de 47% da soja foi cultivada, de acordo com o último boletim do Deral (Departamento de Economia Rural). Já no ano anterior, no mesmo período, os agricultores paranaenses já tinham conseguido finalizar os trabalhos nos campos. 

Porém, de acordo com o NOAA, serviço oficial de clima do governo norte-americano, as previsões indicam maior acumulado de chuvas para as principais regiões produtoras brasileiras entre os dias 7 e 13 de novembro. Nesse período, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, deverão receber precipitações entre 25 até 55 mm.

NOAA

Previsão de Chuvas para 7 a 13 de novembro - Mapa: NOAA

 

Fundos de Investimentos

Além disso, há ainda uma movimentação do mercado financeiro também influenciando os negócios com as commodities em geral, não só as agrícolas. Com bons dados sobre a economia dos Estados Unidos e a retirada dos estímulos por parte do Federal Reserve - o banco central norte-americano -, os fundos de investimento deixaram suas posições nas commodities para migrar para ativos mais seguros, entre eles o títulos do Tesouro Americano e o dólar. 

A moeda norte-americana tem alta frente ao real e à outras moedas nesta sexta-feira e esse ganho, ainda segundo explicam os analistasm acaba tirando uma parte da competitividade dos produtos negociados nas bolsas dos EUA, uma vez que se tornam mais caros. Nesta sexta-feira, o dólar subiu mais de 3% frente à moeda brasileira, a R$ 2,47 e, no mês, o ganho é de mais de 1%. 

Mercado Interno

Com todos esses componentes e mais a alta do dólar, os preços no Brasil também tiveram uma semana positiva e bons ganhos em outubro, o que criou boas oportunidades de comercialização para o produtor brasileiro. Frente a preços que trouxeram margens de renda mais significativa, o ritmo dos negócios melhorou no Brasil nos últimos dias e aumentou ligeiramente o percentual da comercialização da safra brasileira.

Em outubro, a soja com entrega para maio/15 no porto de Rio Grande acumulou uma alta de 11,30% e fechou a semana valendo R$ 64,00 por saca, o maior valor do intervalo; já no terminal de Paranaguá, o ganho foi de 7,96%, encerrando a semana a R$ 63,50/saca. No interior do país, a alta mais expressiva foi em Não-Me-Toque/RS, onde as cotações subiram 10,58% passando de R$ 54,00 para R$ 57,50. Nas demais praças de comercialização, o avanço variou entre 4,76 e 9,09% no acumulado do mês.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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