Apesar de semana negativa na CBOT, soja supera os R$ 64 nos portos do Brasil

Publicado em 14/11/2014 17:51 e atualizado em 14/11/2014 19:05 957 exibições

O movimento negativo registrado pelos preços da soja na Bolsa de Chicago se intensificou no final da sessão desta sexta-feira (14) e os futuros da oleaginosa encerraram os negócios com perdas de 27,75 a 31 pontos. O contrato janeiro/14, o mais negociado nesse momento, perdeu os US$ 10,30 e fechou a semana valendo US$ 10,22 por bushel. O contrato maio/15, referência para a safra brasileira, ficou em US$ 10,36. 

Depois de uma semana bastante agitada e após mais de 40 dias de ganhos acumulados para o mercado, os investidores buscaram trazer uma acomodação para as cotações, além de garantirem um bom posicionamento para o início da próxima semana. Atualmente, segundo analistas, os preços da soja contam com um patamar de suporte que tem tem sido observado com bastante atenção diante de um movimentos técnicos muito fortes e de fundamentos que variam entre uma demanda muito aquecida e uma grande oferta da safra 2014/15. 

Além disso, uma alta expressiva do dólar frente a uma cesta das principais moedas internacionais nos últimos dias também acaba provocando uma baixa nos preços dos produtos negociados nas bolsas americanas, uma vez que acaba tirando uma parte de sua competitividade, ainda de acordo com analistas. Nesta sexta, o dólar registrou uma sessão de alta sobre o real, porém, devolveu parte dos ganhos no final dos negócios e fechou o dia subindo 0,23% a R$ 2,6007. Na máxima, a moeda chegou a R$ 2,63. Na semana, a divisa acumulou alta de 1,46% e no mês, até esta sexta-feira, o dólar acumula alta de 4,92%, segundo informou a agência de notícia Reuters. 

A semana

Com a forte baixa registrada pelos preços no pregão desta sexta-feira, os futuros da soja acabaram fechando a semana em campo negativo. O contrato janeiro/14 caiu, em relação ao preço da última segunda-feira (10), 0,7% e para o maio/15 a queda foi de 0,22%. 

O andamento dos preços da soja em grão na Bolsa de Chicago tem estado muito ligado ao movimento do mercado do farelo, onde os preços também recuaram expressivamente nesta sexta-feira, perdendo mais de 3% nas principais posições. Porém, na semana, as cotações conseguiram manter sua variação positiva. Da última segunda até esta sexta-feira, o vencimento dezembro/14 subiu 1,93% e o março/15 acumulou uma alta de 2,73%. Desde o início do mês, as posições têm ganho de 7,20 e 9,3%, respectivamente. 

O que motivou esse último rally dos preços do farelo no mercado futuro americano foi a complicação logística na distribuição do derivado da soja nos Estados Unidos ao mesmo tempo em que a demanda se mostrava muito forte e crescente. Competindo com outros produtos como carvão e óleos de aquecimento, a chegada do farelo aos locais onde a necessidade era maior ficou cada vez mais complicado. E a situação se agravou com as previsões de um inverno norte-americano muito rigoroso, o que deve exigir uma quantidade maior de ração para os animais que seguem para confinamento nessa época no país. 

Para alguns analistas, essa situação de complicação logística nos Estados Unidos poderia se estender até meados de janeiros e continuar dando suporte às cotações do derivado da soja. Já para outros, a situação deve, aos poucos, se normalizar. Para Fernando Muraro, analista de mercado da AgRural, o problema já vem sendo resolvido e a próxima semana poderia ser de pressão para as cotações no mercado internacional.

Por outro lado, a demanda também esteve no foco dos negócios essa semana, já que se mostra muito forte e aquecida e esse poderia ser um fator de importante para uma sustentação dos preços. No boletim semanal de vendas para a exportação divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta sexta, as vendas norte-americanas somaram 1.074,3 milhão de toneladas, contra 1.609,8 milhão da semana anterior. As expectativas variavam entre 1,1 e 1,3 milhão de toneladas. 

No acumulado da temporada comercial 2014/15, as vendas já totalizam 36.719,6 milhões de toneladas, ou 82% do total da última estimativa do USDA para as exportações do país de 46,81 milhões de toneladas. A China, como tradicionalmente acontece, foi o principal destino da oleaginosa dos EUA, respondendo por 733 mil toneladas do total. O USDA informou ainda que 400 mil toneladas da nova safra foram vendidas também na mesma semana. 

No caso do farelo de soja, as vendas da safra 2014/15 ficaram em 21,3 mil toneladas e as da safra 2015/16 em 18,3 mil toneladas, enquanto as expectativas do mercado para a temporada corrente variavam de um cancelamento de 100 mil toneladas até novas vendas que pudessem chegar a 100 mil. Dessa forma, se confirma a situação de uma demanda ainda muito aquecida pelo derivado nos Estados Unidos, inclusive para exportação. Na semana anterior, houve um cancelamento na safra 14/15 de 123,7 mil toneladas. Com isso, as vendas para exportação acumuladas no ano comercial 2014/15, que começou em 1º de outubro, já somam 6,291 milhões de toneladas frente à estimativa do USDA de 10,89 milhões. 

As vendas semanais de óleo de soja ficaram ligeiramente acima do número da semana anterior - 13,6 mil toneladas - para totalizarem 15,6 mil toneladas na semana que terminou no último dia 6. Das 950 mil toneladas estimadas pelo USDA para serem exportadas em 2014/15, 267,5 mil já estão comprometidas.

Safra do Brasil e mercado interno

No Brasil, a semana terminou sem uma direção definida para os preços. No porto de Rio Grande, a cotação do produto com entrega para maio/15 fechou estável em R$ 64,00 por saca, já o produto disponível caiu 2,27%, passando de R$ 66,00 para R$ 64,50. Já em Paranaguá, a soja futura subiu 2,38% na semana, passando de R$ 63,00 para R$ 64,50. 

No interior do país, os preços subiram quase 2% em importantes praças de comercialização como Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. Em Jataí, em Goiás, o ganho semanal foi de 3% e o preço da soja fechou  a semana em R$ 54,33 por saca. Em Cascavel, no Paraná, a cotação começou e fechou a semana com R$ 60,50, e em Ubiratã e Londrina, os preços registraram uma ligeira queda. 

Apesar disso, o consultor de mercado Carlos Cogo, da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, o mercado brasileiro segue mostrando boas oportunidades de comercialização. "Há 45 dias tínhamos o preço da soja perto dos US$ 9,00 por bushel e agora temos um piso de US$ 10,50 para a soja, um dólar de quase US$ 2,70 e toda essa incompetência governamental ajuda o produtor de soja e milho com o câmbio subindo bastante", diz. 

Para Cogo, esse é um importante e positivo momento para o produtor que precisar e quiser fazer posições futuras para essa nova safra. "Essa combinação de prêmios de 60 a 70 cents positivos, mais a cotação de US$ 10,50 à frente e o dólar atual, o produtor fecha em reais e espera os acontecimentos climáticos na América do Sul", completa. 

O consultor afirma ainda que o mercado continua mostrando espaço para novas altas, a demanda nunca esteve tão forte como está agora, os chineses estão comprando volumes imensos de soja e "os compradores acordaram, os grãos estavam muito baratos, e eles entraram com posições compradas em Chicago. A única coisa que atrapalha o produtor agora é o governo", diz. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Carla Mendes Campinas - SP

    Caro Dalzir Vitória, primeiramente, não tomo como pessoal suas colocações pois, além de observá-las com um postura bastante profissional, acredito que o contraditório é importante para que os debates aconteçam e para que diferentes opiniões possam ser conhecidas.

    No entanto, o que o senhor chama de discrepância, disparate e de bases erradas eu defendo como sendo a opiniões de diversos analistas de mercado - as quais são, claramente, diferentes das do senhor - consultados diariamente por mim para que eu possa construir minhas matérias sobre o andamento do mercado, reportando o cenário observado, como já lhe expliquei em outra oportunidade. E essa tem sido minha prática de forma que prefiro me informar com opiniões de profissionais do setor, mesmo que elas não atendam às expectativa de alguns. Me fio nessas opiniões, justamente, por saber que partem de pessoas que são de confiança da nossa equipe.

    Eu, como repórter especializada, estudo e apuro com compromisso cada informação que disponibilizo do Notícias Agrícolas, este portal que há anos vem construindo um canal de oportunidade de informação para os produtores rurais do Brasil.

    No entanto, mais uma vez afirmo que a responsabilidade das decisões, bem como a escolha das opiniões que desejam seguir, é de cada um daqueles que acreditam no compromisso e nos serviços que o Notícias Agrícolas há anos oferece aos internautas e no compromisso que tenho com a veracidade das informações que presto neste portal.

    A questão da complicação logística, ao contrário do que o senhor afirma, não se resolverá em um estalar de dedos, mas, como eu também já vinha sinalizando de acordo com as informações dos analistas e consultores, iria, aos poucos, se solucionando, e o efeito disso sobre os preços poderia ir se dissipando. Sugiro que o senhor acompanhe com atenção a entrevista do analista de mercado Fernando Muraro, da AgRural - http://www.noticiasagricolas.com.br/videos/entrevistas/148514-precos-despencam-em-chicago-puxados-por-uma-reversao-no-quadro-de-escassez-do-farelo.html - que explica detalhadamente a movimentação do farelo de soja e sua relação nessa semana com os preços da soja em grão. E para alguns analistas, essa é uma questão que ainda poderia se mostrar complicada até meados de janeiro.

    Sobre a demanda, o consultor de mercado Carlos Cogo, em uma entrevista ao João Batista Olivi mostra que o ritmo nunca esteve tão forte, importantes compradores como a China, por exemplo, têm adquirido volumes significativos de produto, o que mantém o espaço que o mercado ainda têm para que os preços voltem a subir mais adiante, ainda de acordo com o consultor.

    O novo ano comercial, mais uma vez lhe digo, é um ano muito delicado para o mercado e de intensa volatilidade, onde os preços - que já são frágeis - estão ainda mais sensíveis a qualquer novo dado que apareça, sobretudo, nesse momento, sobre a nova safra da América do Sul e o comportamento da demanda frente à esse quadro de oferta.

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