Soja tem queda na CBOT, mas prêmios e câmbio remuneram produtor brasileiro

Publicado em 02/12/2014 11:39 e atualizado em 02/12/2014 12:24 899 exibições

A semana vem se mostrando bem tranquila para o mercado internacional de grãos. Nesta terça-feira (2), mais uma vez, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago operam testando os dois lados da tabela e operando com oscilações bem pouco expressivas. Por volta de 12h15 (horário de Brasília), os preços recuavam pouco mais de 1 ponto entre os principais vencimentos. 

O mercado vem trabalhando, nos últimos dias, em uma faixa bem definida de preços entre US$ 10,00 e US$ 10,50 desde o meio de outubro e, sem novidades que possam motivar movimentos mais expressivos das cotações, há pouca volatilidade entre esses dois patamares, segundo explica Glauco Monte, consultor de grãos da FCStone. 

"A soja se consolidou nesses patamares e é normal ter uma variação dentro dessa faixa pelas notícias que aparecem diariamente. Mas, por enquanto, a soja se acomodou dentro dessa faixa, aguardando novos posicionamentos seja de demanda, seja alguma notícia vinda da oferta, e nesse momento, notícias de oferta seriam mais da América do Sul já que a safra dos Estados Unidos está consolidada", diz o consultor. 

O mercado, ainda segundo o consultor, já tem conhecidas as informações sobre a consolidação da nova safra norte-americana, do crescimento da demanda e agora da estabilidade que começa a chegar à safra da América do Sul, que vem se recuperando diante de melhores condições de clima e a regularização das chuvas, principalmente no Brasil e na Argentina. 

Para o médio prazo, sem informações muito diferentes do que o mercado já conhece - principalmente em relação à demanda -, a tendência é de que o mercado possa se acalmar um pouco mais e apresentar cotações ligeiramente mais pressionadas. Porém, notícias vindas ainda da América do Sul e da influência das condições de clima no desenvolvimento das lavouras - que entram em sua fase determinante para a definição da produtividade nos próximos meses - também devem ser consideradas pelo mercado cada vez mais. 

Preços no Brasil

Apesar do quadro particular de custos de cada região produtora do país, os preços ainda trabalhando no intervalo entre US$ 10,00 e US$ 10,50 em Chicago e mais os componentes de câmbio e prêmios nos portos, trazem renda - apesar de vir com uma margem mais apertada nessa temporada - ao sojicultor brasileiro, explica o consultor da FCStone. 

"Dos três fatores que formam preços hoje, que são câmbio, prêmios e os preços em Chicago, dois estão acima da média. O câmbio está acima dos R$ 2,50 - ainda dependendo das medidas na nova equipe econômica -; prêmios para maio/15 na casa dos 50 cents de dólar acima da CBOT são valores historicamente altos para o período, e somente as cotações na bolsa estão abaixo da média em relação aos últimos cinco anos. Então, os preços atualmente, se pensarmos dessa maneira, não estão tão ruins como era esperado com uma safra de 108 milhões de toneladas nos Estados Unidos", diz Glauco Monte. 

Assim, o momento atual, portanto, segue garantindo uma margem de renda para o produtor do Brasil, apesar de mais ajustada em relação às safras anteriores, o que exige, consequentemente, uma comercialização mais detalhada, regida por uma estratégia mais específica para cada região, principalmente diante de custos de produção mais elevados. "Temos uma situação mais favorável do que se imaginava", acredita o consultor. 

Para o produtor que, até esse momento, vendeu pouco de sua nova safra e tem seus custos para cobrir, seria prudente aproveitar os momentos para fixar uma parte de sua safra, garantindo uma movimentação menos intensa em Chicago e dois dos três componentes na formação dos preços acima da média, sendo prêmio e a taxa de câmbio. 

"Eu acredito que seja prudente para aquele produtor que está pouco vendido, com a safra da Argentina e do Brasil agora indo bem, realizar algumas vendas, aproveitando esse momento. Se o produtor fizer uma venda agora em reais para o período entre março e maio ele pega um câmbio ainda maior do que os R$ 2,56 já que ele pega um câmbio futuro, prêmios na exportação acima da média e somente Chicago mais pressionado em relação aos últimos anos. Apesar de ser uma decisão particular, eu diria que o produtor deveria avançar um pouco nas vendas, principalmente aquele que não tem muito volume vendido até o momento. 

Nesta terça-feira, por volta das 13h18 (horário de Brasília), o dólar operava com alta de 0,82 a R$ 2,5746 e, na máxima da sessão até esse momento, chegou aos R$ 2,5786. Entre os prêmios no porto de Paranaguá, o vencimento março somava 78 centavos de dólar sobre Chicago e as posições abril e maio/15 tinham 48 cents. Já Chicago, no mesmo momento, ampliava suas perdas para a soja, que variavam a pouco mais de 9 pontos entre as posições mais negociadas. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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