Soja segue pressionada em Chicago e vencimento março também perde os US$ 10

Publicado em 03/12/2014 12:01 268 exibições

Os futuros da soja seguem operando em campo negativo na sessão desta quarta-feira (3) na Bolsa de Chicago e ampliavam suas perdas em relação ao movimento registrado mais cedo. Assim, por volta das 11h50 (horário de Brasília), as cotações dos principais vencimentos perdiam entre 6,75 e 7 pontos e a posição março/15 também trabalhava abaixo dos US$ 10,00 por bushel. 

Segundo explica o analista de mercado e economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, o mercado ainda passa por uma movimentação técnica bastante acentuada, com os fundos de investimentos aproveitando para liquidar parte de suas posições, além de uma pressão vinda também do recuo nos preços do petróleo. 

"Isso afeta de forma bastante acentuada os preços da soja e também do milho. Além disso, há um questionamento ainda pequeno sobre a demanda, que colocou os fundos na ponta vendedora e vem pressionando os preços nos últimos dias", diz. 

A Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) decidiu, na última semana, não cortar a produção e, com isso, tornam o produto mais barato - já que conseguem extrair com um menor custo de produção - e mantém suas margens garantidas. Ao mesmo tempo, a demanda por outros combustíveis como biodiesel - que tem como uma das principais matérias-primas o óleo de soja - e o etanol de milho menos competitivos, já que se tornam mais caros frente ao petróleo, o que pesa, portanto, sobre os negócios de ambas as commodities.

Entre os fundamentos, as informações já são conhecidas. A colheita da safra 2014/15 já está praticamente concluída nos Estados Unidos e, na América do Sul, as condições climáticas já se mostram mais favoráveis ao andamento das lavouras, principalmente no Brasil e na Argentina. 

"Temos um mercado pressionado que deve durar mais alguns dias e acredito que possamor virar o ano assim", acredita Motter, que chama atenção ainda à necessidade se acompanhar de perto a movimentação da demanda mundial pela oleaginosa, principalmente por parte da China, bem como das condições de seus estoques. "Poderia haver um esfriamento da demanda chinesa agora, e o mercado já desconfia um pouco disso e, se esfriar um pouco, tende a se voltar a comprar um pouco mais na América do Sul, programando embarques para fevereiro, março e abril", completa o analista da Granoeste. 

Frente a isso, será necessária ainda uma atenção também à divulgação dos boletins semanais de embarques e vendas para exportação por parte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que são reportados às segundas e quintas-feiras, respectivamente. 

"A demanda é um fato a que eu chamo atenção e devemos estar atentos sobre a forma de como vai se comportar. Devemos observar que os EUA têm uma oferta 16/17 milhões de toneladas a mais do que no ano passado e, portanto, devem dar vazão, seja pela demanda interna, esmagamento interno, seja através da demanda externa, pelas exportações. Acredito que os estoques serão menores do que as 12 milhões de toneladas que o USDA vem projetando, com o esmagamento e as exportações também acima das projeções", afirma Motter. 

Outro fator de atenção pelo produtor rural é a formação da taxa de câmbio e, até que se firmem as medidas propostas pela nova equipe econômica no governo brasileiro, ainda haverá uma volatilidade na moeda norte-americana frente ao real. Nesta quarta-feira, especificamente, o mercado aguarda as novidades sobre a taxa de juros que vem do Copom (Comitê de Política Monetária) - e uma taxa mais alta atrai mais recursos e pressiona o dólar - além da movimentação dos negócios no cenário externo. 

Depois de superar os R$ 2,58 na máxima da sessão de hoje, onde operava em campo positivo, a moeda voltou a recuar e, por volta de 12h50, perdia 0,89% a R$ 2,555. E é essa taxa cambial que, apesar da volatilidade e ao lado de prêmios ainda positivos nos portos - em um momento em que estariam negativos com a chegada da nova oferta americana, principalmente - é o que tem neutralizado parte das baixas observadas em Chicago e mantido uma certa estabilidade entre os valores registrados para a soja no mercado brasileiro, ainda segundo explicam os analistas e consultores.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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