Soja inicia a terça-feira operando em queda na CBOT; petróleo perde os US$ 55 em NY

Publicado em 16/12/2014 06:43 890 exibições

Nesta manhã de terça-feira (16), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago dão continuidade ao fechamento negativo da sessão anterior e ainda operam em baixa. Por volta das 7h25 (horário de Brasília), os principais vencimentos perdiam pouco mais de 6 pontos, com o contrato janeiro/15 valendo US$ 10,32 por bsuhel e o maio, referência para a safra brasileira, cotado a US$ 10,45. 

Ontem, os preços foram pressionados, segundo analistas internacionais, pelos números do esmagamento de soja nos Estados Unidos em dezembro ficando abaixo das expectativas, de acordo com números da Nopa (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas) e com os embarques semanais norte-americano em linha com as projeções do mercado. 

Na semana que terminou em 11 de dezembro, os embarques de soja dos EUA somaram 1.820,364 milhão de toneladas, contra 2.203,505 milhões da semana anterior. No acumulado do ano comercial, o total já é de 25.567,235 milhões de toneladas, contra 20.897,007 milhões do mesmo período na temporada anterior. 

Além disso, o mercado da soja ainda sente a pressão vinda do mercado do petróleo, que tem pressionado as commodities de uma forma geral. De acordo com uma notícia da agência Reuters, os valores do minério de ferro, do carvão e do petróleo voltaram aos níveis registrados na crise de 2008/09 e, de acordo com os analistas consultados, "sinalizam não só o impacto de uma oferta abundante, mas também uma acentuada fraqueza em partes da economia global". 

Nesta manhã de terça-feira, por volta das 7h40, o petróleo negociado na Bolsa de Nova York registrava mais um dia de baixas e já operava abaixo dos US$ 55,00 o barril. Leia mais:

>> Preços do petróleo, carvão e minério de ferro voltam aos níveis da crise de 2008/09

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja recua em Chicago, mas alta do dólar ameniza perdas e traz manutenção dos preços no Brasil

O mercado internacional da soja ampliou suas perdas na sessão desta segunda-feira (15) e fechou em baixa na Bolsa de Chicago, com perdas de 9,75 a 10,50 pontos entre os principais vencimentos. Em contrapartida, o dólar terminou o dia com alta de mais de 1% frente ao real, o que trouxe estabilidade aos preços da soja no porto de Rio Grande e uma alta de mais de 1% para o produto futuro no porto de Paranaguá. 

Nesta segunda, a soja com entrega maio/15 terminou o dia negociada no terminal gaúcho a R$ 66,00 por saca, quando, durante o dia, chegou a bater nos R$ 67,00. Já o produto disponível ficou em R$ 68,00. No terminal paranaense, a soja da safra 2014/15 encerrou os negócios a R$ 65,70/saca. No interior do país, mais um dia de estabilidade para os preços da oleaginosa. 

Negócios - Segundo o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, a meta do produtor brasileiro nesse momento é de vender a soja da safra que está no campo hoje a R$ 70,00 no mercado de porto, que tem variado, nos últimos dias, entre R$ 64,00 e R$ 67,00 por saca. "Se o mercado não chega nos R$ 70, ele não vende. E os compradores estão aí para algo entre R$ 64,00 e R$ 66,50, e o mercado não deve fugir muito desse quadro", diz Brandalizze. "O produtor está tranquilo, não espera  grandes novidades para os próximos dias, o mercado está tranquilo, é de demanda, que vem sustentando esses níveis e, provavelmente, vai começar o próximo ano como está se configurando nessa segunda quinzena de dezembro", completa. 

CBOT - Na Bolsa de Chicago, os números do esmagamento de soja em novembro e os embarques semanais norte-americanos ligeiramente menor do que o esperado pesaram sobre as cotações, segundo explicaram analistas. No entanto, ainda de acordo com os especialistas, o mercado segue operando em um ritmo mais lento nesse final de ano e dentro do intervalo de preços de US$ 10,30 a US$ 10,70 por bushel entre as posições mais negociadas e deve se manter nesse quadro ao menos até o final de 2014, à espera de novas notícias que possam motivar uma oscilação mais expressiva das cotações. 

"Estamos chegando ao final do ano e esse é um período normal de desaceleração dos negócios, os grandes investidores começam a fazer suas contas, arriscam menos e estamos em um período de indefinição na América do Sul. Não há problemas, o quadro segue normal, não há a garantia de uma colheita, e ao mesmo tempo também não há indicativos de perdas por enquanto", explica o consultor sobre o andamento dos negócios na Bolsa de Chicago. 

Além disso, Brandalizze afirma ainda que o inverno bastante rigoroso também nos Estados Unidos desaceleram os negócios por parte dos produtores norte-americanos. 

Assim, Brandalizze acredita que, daqui até o final do ano, o mercado internacional da soja deverá estar atento, principalmente a duas notícias por semana: a dos embarques semanais norte-americanos, às segundas-feiras, e das vendas para exportação, às quintas-feiras, ambas divulgas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). 

Paralelamente, o desenvolvimento da safra sulamericana, principalmente no Brasil, também ganha cada vez mais peso entre os negócios e a atenção dos investidores. Como relata o produtor rural de Santa Teresa do Oeste/PR, Salvador Reis Neto, o sol forte e as chuvas ainda irregulares em sua região devem comprometer a produtividade da soja no oeste do estado. "As lavouras plantadas mais cedo estão abortando vagens, o crescimento das plantas está prejudicado e a produtividade ficará abaixo da média, com certeza", diz. 

Em Guaíra, no oeste do Paraná, segundo o presidente do Sindicato Rural do Município, Silvanir Rosset, com uma estiagem de mais de 30 dias, muitos produtores já têm buscado o auxílio do seguro agrícola e as perdas para a soja na região podem passar de 30%. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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