Soja: Produtores fecham outubro focando plantio; semana termina com preços em queda

Publicado em 30/10/2015 16:36

Com pouco mais de 20% da área estimada para a safra 2015/16 plantada e mais de 40% da soja da nova temporada já comercializada, o mercado brasileiro registrou uma semana de negócios pontuais. Os produtores, com a melhora do quadro climático em importantes regiões do Brasil, passaram a dedicar-se ainda mais aos trabalhos de campo. 

As operações registraram um pouco mais de ritmo somente no pequeno volume que ainda resta da safra 2014/15, uma vez que, na medida em que se adentra mais o período de entressafra, e apesar da instabilidade do câmbio, os preços para essa oferta ganham força no interior do país ao ficarem mais regionalizados e superando, em alguns casos, a paridade internacional, como explicou Camilo Motter, analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais.

Ainda assim, mesmo diante desse quadro, a última semana de outubro foi negativa para as cotações da oleaginosa nos principais portos de exportação e praças de comercialização. As baixas superaram 1% com uma combinação de uma queda expressiva do dólar com os preços testando níveis mais baixos na Bolsa de Chicago nestes últimos dias. 

Nesta sexta-feira, o dólar fechou com leve alta de 0,23% para R$ 3,8628, após mais uma sessão muito volátil. Entretanto, somente em outubro, a moeda norte-americana tem uma queda acumulada de 2,59%, a maior mensal desde abril, quando perdeu 5,57%, de acordo com a agência de notícias Reuters. Ainda assim, no ano, o dólar ainda acumula forte alta de 45,29%. 

No Paraná, Ubiratã e Londrina perderam 0,70% para fechar com R$ 71,00 por saca; já em Cascavel o preço cedeu 1,40% pra R$ 70,50, no Rio Grande do Sul, Não-Me-Toque terminou a semana com R$ 74,50, caindo 1,32%, enquanto em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, o preço perdeu 1,39% para R$ 71,00. Nas praças de Mato Grosso - Tangará da Serra e Campo Novo do Parecis - baixas de 1,47% e 0,75%, respectivamente, para R$ 67,00 e R$ 66,50. Em Jataí, Goiás, queda de 1,49% para R$ 66,00. 

No porto de Paranaguá, a soja disponível recuou 2,38% para R$ 82,00, enquanto em Rio Grande a baixa foi de 0,58% para R$ 85,50 por saca. Enquanto isso, a oleaginosa da nova safra perdeu 1,22% e 1,81%, respectivamente, com os últimos preços da semana em R$ 81,00 e R$ 81,50. 

"O produtor aproveitou bons momentos e participou adequadamente, mas agora entra em um momento de espera, pois acredita que teremos bons momentos pela frente. Ou seja, o mercado vem em certa inércia nas últimas semanas e o produtor adotou uma postura defensiva", explica Motter. 

O analista afirma ainda que por conta desse elevado percentual já negociado e mais a instabilidade local, o produtor brasileiro fixou alguns patamares-alvo para voltar às vendas. "Por exemplo, no oeste do Paraná, se não liquidar com pelo menos R$ 77,00 ou R$ 84,00 / R$ 85,00 no porto de Paranguá, o produtor não quer vender".

E essa postura do produtor, a qual pode ser observada em quase todas as regiões produtoras se dá em função de duas variáveis principais: as condições climáticas e o andamento da taxa cambial. "Ele sabe que existe alguma chance clara de alguma alta lá fora, sobretudo pelo clima no Brasil. Mas também há a esperança de um câmbio mais forte", explica. 

Clima irregular x Bom plantio

O que mais chama a atenção dos sojicultores brasileiros no quadro climático da temporada 2015/16 é o impacto do El Niño e as características que ele impõe sobre o regime de chuvas. Enquanto o sul do Brasil ainda recebe constantes e elevados acumlados, o Centro-Oeste sofre com chuvas ainda muito irregulares e, em alguns pontos, pouco volumosas. 

Assim, que lidera os trabalhos de campo é o Paraná, com 66% da área já plantada, segundo os últimos números do Deral (Departamento de Economia Rural do PR), ao passo em que, em Mato Grosso, por exemplo, a semeadura já foi concluída em apenas 38% da área estimada, com o ritmo mais lento desde 2010, como informou o Imea (Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária). 

Dessa forma, em um ano onde, de um lado, há custos de produção elevados e incertezas climáticas, e de outro a possibilidade de bons preços para a soja, o produtor precisa plantar bem para garantir todo o potencial produtivo de sua lavoura. O alerta é do engenheiro agrônomo Dirceu Gassen.

"Uma velocidade elevada não garante a distribuição uniforme das sementes e a profundidade necessária, muito menos o corte da palha e a abertura e fechamento do sulco", explica o engenheiro, que considera a velocidade adequada de 3,6 km/h (1 m/seg), onde seriam lançadas cerca de 12 a 15 sementes por segundo, enquanto no Brasil, a "velocidade média padrão" é de algo entre 9 e 10 km/h, quando são lançadas cerca de 40 sementes. 

"Neste ano estamos com um preço excelente para soja em reais, por isso essa é a safra para plantar melhor conseguindo produzir mais e gerar mais renda, porque os custos já foram", afirma Gassen.

Bolsa de Chicago

E o desenvolvimento do plantio no Brasil e demais países da América do Sul produtores de soja é uma das principais variáveis observadas pelos traders no quadro internacional, como explicam os analistas. Ao lado dessas informações, estão as novidades que vêm chegando sobre a demanda. 

"Para Chicago, a tendência é de que sairmos da pressão sazonal da colheita americana e começarmos a focar a demanda e a safra da América do Sul", diz Steve Cachia, consultor de mercado da cerealpar. "Talvez já tenhamos saído e, possivelmente, os piores preços da temporada já passaram. Dentro desta ótica, a tendência é de ligeira alta", completa. 

Nesta semana, porém, o mercado parece ter focado ainda o bom desenvolvimento da colheita nos EUA, que já está quase terminada, e a chegada de algumas dessas chuvas relatadas no Brasil e terminou com baixas de poucos mais de 1% entre as posições mais negociadas. Mas é senso comum, porém, que o momento é pontual. 

O contrato novembro/15, referência para a safra americana, recuou 1,32% para R$ 8,83 por bushel, enquanto o maio/16, indicativo para a temporada brasileira, ficou em US$ 8,94, perdendo o patamar dos US$ 9,00 por bushel ao recuar 0,86% na semana. 

"Haverá suporte da demanda agressiva, que deve continuar principalmente pela China, e também talvez de incertezas climáticas na América do Sul, mesmo sendo ano de El Niño que normalmente é favorável para a safra do Brasil, mas sempre é fator de especulação", afirma ainda Steve Cachia. Nesta sexta-feira (30), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe um novo anúncio de venda de 120 mil toneladas de soja da safra 2015/16 para a China estimulou o mercado. 

Além disso, os últimos números das vendas para exportação e dos embarques norte-americanos têm sido bastante fortes de acordo com os boletins trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Os embarques norte-americanos de soja nesta temporada já superam em cerca de 15% os do ano passado. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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