Soja: Com line-up carregado no Brasil, demanda pode se voltar aos EUA e puxar preços em Chicago

Publicado em 19/02/2016 11:32 1505 exibições

A pouca movimentação dos preços da soja na Bolsa de Chicago nos últimos meses, segundo explicam analistas, passa, entre outros fatores, pela comercialização morna nos principais países produtores do mundo, sendo eles Brasil e Estados Unidos. Nos últimos dias, no entanto, um novo fator chegou ao mercado e vem sendo observado com atenção: a logística portuária brasileira. 

O line-up dos portos nacionais está bastante pressionado, com mais de 160 navios esperando para embarcar mais de 9,5 milhões de toneladas de grãos, entre soja e milho. As condições climáticas nos terminais, porém, já ocasionam atraso nesses embarques e sugerem um reposicionamento da demanda, mesmo que momentaneamente, de volta para os Estados Unidos. 

"Tem chovido quase todos os dias e assim o ritmo dos embarques está bem abaixo do que poderia", explica Vlamir Brandalizze, consultor da Brandalizze Consulting. "E com isso, os compradores vão adquirir alguns volumes em outras origens, como nos Estados Unidos. A demanda continua forte, é só uma troca de logística", completa. 

E ainda de acordo com o consultor, os preços em Chicago, nos últimos dias, já refletiram um impacto, mesmo que de forma limitada, desse quadro e, para que esse reflexo seja mais expressivo, a situação deveria se estender um pouco mais e isso vem com a continuidade das chuvas nas regiões dos portos. 

As últimas previsões indicam que elas continuem. Segundo o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia, um novo sistema meteorológico avança pelo Rio Grande do Sul durante este final de semana e provoca chuvas generalizadas, principalmente no estado gaúcho e mais Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

"E, aos poucos, esse sistema avança sobre as demais regiões do Brasil onde, ao longo desse final de semana e também início da semana que vem, ocorrerão pancadas de chuvas sobre todas as localidades das regiões Sudeste, Centro-oeste, Rondônia, Pará e do Matopiba", diz.

Atualmente, os embarques de milho ainda dominam os trabalhos nos principais portos do país e esse deve ser o cenário ainda para a próxima semana. Assim, as operações com a soja devem ganhar mais ritmo na virada de fevereiro para março e, caso essas chuvas persistam, novamente os preços possam sentir. 

"Essa situação pode trazer algum impacto positivo também para os prêmios pagos para a soja exportada nos Estados Unidos e estimular as vendas, que atualmente estão bem lentas", diz Vlamir Brandalizze. Entre as principais posições de entrega, os basis para a oleaginosa norte-americana variam de 52 a 56 cents de dólar sobre os preços praticados em Chicago, porém, patamares mais atrativos seriam ente 70 e 75 centavos de dólar.

Enquanto isso, na China, maior compradora mundial de soja, as indústrias processadoras trabalham com margens significativamente positivas e buscam garantir matéria-prima para continuar com suas atividades e aproveitar o bom momento. E os preços do farelo, por consequência, vêm registrando bom avanço nos últimos dias. 

"Existe, dentro do farelo e do óleo de soja, um sentimento de que a China estaria por buscar mercadoria em quantidade maior. No retorno após uma semana de férias, vimos os esmagadores comprando mais soja, pois há ao redor de US$ 7,00 de ganho no esmagamento da semana passada para cá. Portanto, até US$ 30,00 por tonelada alguns esmagadores tiveram de vantagem em relação à semana antes do feriado", explica o analista de mercado Mário Mariano, da Novo Rumo Corretora. 

E essas novas compras da nação asiática poderiam ser feitas nos Estados Unidos, uma vez que há um ligeiro atraso da colheita no Brasil - que já vem sendo compensado nos últimos dias - atrasando, consequentemente, a entrega para os chineses, ainda segundo Mariano. 

"Dessa forma, encontramos uma nítida especulação por parte dos fundos de commodities, e também sobre esse fundamento onde os esmagadores (chineses) estariam com mais vontade de comprar matéria-prima nos Estados Unidos", complementa Mariano. 

Somente de outubro de 2015 a janeiro de 2016, a China já importou 27,7 milhões de toneladas de soja em grão, registrando um aumento de 8,5% em relação ao mesmo período da temporada anterior. No ano passado, as compras chinesas somaram o volume recorde de 81,7 milhões de toneladas e, para este ano, a perspectiva de alguns analistas e consultores de mercado é de que o montante possa variar entre 86 e 87 milhões de toneladas. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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