Soja: Formação dos preços no Brasil tem falta de direção com alta do dólar e baixas fortes na CBOT

Publicado em 23/05/2016 18:34
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Nesta segunda-feira (23), os futuros da soja encerraram o dia com perdas de quase 20 pontos na Bolsa de Chicago - ou baixas próximas de 2% - enquanto o dólar frente ao real disparou e fechou com alta de 1,82% e cotado a R$ 3,5823. O dia foi intenso e de volatilidade para os mercados internacionais e interno da oleaginosa. 

Dessa forma, o dia foi de falta de direção para a formação dos preços no Brasil. No interior do país, algumas praças como Tangará da Serra, Sorriso e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, chegaram a encerrar com perdas de 1,25% a 3,80%, enquanto outras indicaram estabilidade ou outras, como Jataí/GO e Ponta Grossa/PR, foram observados ganhos de mais de 1%. 

Nos portos, um cenário semelhante, com destaque para a disputada soja disponível, que caiu 1,12% em Paranaguá, para R$ 88,00 por saca, enquanto em Rio Grande subiu 2,30% para R$ 89,00. Para a oleaginosa da safra 2016/17, baixa de 2,30% no terminal paranaense, para R$ 89,00, e alta de 1,12% para R$ 90,00 no gaúcho. 

"Os preços da soja e derivados continuam em alta no mercado brasileiro. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ, subiu 2,4% em sete dias, a R$ 83,57/sc 60 kg na sexta-feira, 20. Além da firme demanda, especialmente externa, a valorização do dólar frente ao Real na última semana também impulsionou as cotações", informou o Cepea em um de seus alertas divulgado nesta segunda-feira. 

A instituição destaca ainda o movimento forte das exportações enxugando a oferta doméstica. Neste mês, o Brasil tem embarcado 500,8 mil toneladas por dia, ante 504,3 mil toneladas em abril e 467,1 mil toneladas por dia em maio de 2015, segundo os últimos números da Secretaria de Comércio Exterior. Em todo maio, já foram exportadas 7,5 milhões de toneladas da oleaginosa. 

Bolsa de Chicago

Como explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, essas baixas refletem mais um movimento dos fundos investidores, que liquidaram parte de suas posições diante de um financeiro menos favorável e que estimula uma maior aversão ao risco. "Esse é um mercado de fundos e não de físico", diz . 

A possibilidade de um aumento da taxa de juros nos EUA - que puxa o dólar para cima - e mais a baixa superior a 1% do petróleo também refletem esse cenário e pesa sobre as cotações. Ainda de acordo com Brandalizze, esse movimento não indica, no entanto, uma reversão de tendência para os preços da oleaginosa. 

Entre os fundamentos, melhores condições de clima nos EUA que podem favorecer os trabalhos de plantio da nova safra também acaba sendo um fator de pressão sobre as cotações neste início de semana. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) atualiza, às 17h (horário de Brasília), seu boletim semanal de acompanhamento de safras, após o fechamento do mercado, porém, as especulações já se iniciam. A projeção dos traders é de que o plantio da oleaginosa já esteja concluído em 56% da área. 

Complementando o quadro negativo para os preços vieram os números baixos e aquém das expectativas dos embarques semanais de soja reportados hoje pelo USDA. 

Os EUA embarcaram, na semana encerrada em 23 de maio, 77,372 mil toneladas de soja, contra 211,056 mil da semana anterior. As projeções dos traders, porém, variavam de 80 mil a 240 mil toneladas. No acumulado da temporada 2015/16, os embarques norte-americanos de soja já somam 43.209,230 milhões de toneladas, abaixo das 46.881,989 milhões do mesmo período do ano comercial anterior. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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