Soja: Cotações em Chicago voltam a recuar de forma intensa e registram baixas de dois dígitos

Publicado em 02/08/2016 13:24
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Como vem acontecendo nas últimas sessões, a estabilidade durou pouco na Bolsa de Chicago e os futuros da soja negociado nesta terça-feira (2) voltaram a recuar de forma mais intensa e perdiam, por volta de 13h (horário de Brasília), entre 13 e 16 pontos nos principais vencimentos. Com isso, o contrato novembro/16 era negociado a US$ 9,48 por bushel. 

Segundo explicam analistas internacionais, o movimento de liquidação de posições por parte dos fundos neste início de agosto continua e se fortalece nas previsões que seguem indicando boas condições de clima para o Meio-Oeste americano nas próximas semanas. As temperaturas estão elevadas, mas se encaminhando para a normalidade, além de boas e bem distribuídas chuvas no Corn Belt. 

Nesse cenário, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe um aumento de 71% para 72% no índice de lavouras de soja em boas ou excelentes condições no país, ajudando a pressionar as cotações. 

Segundo explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o mercado climático deverá atuar ainda por, pelo menos, mais duas semanas sobre os negócios praticados na Bolsa de Chicago. Os fundos de investimento, que seguem atuando de forma expressiva sobre o mercado de commodities agrícolas, vêm no clima adequado um momento para liquidar parte de suas posições, pesando ainda mais sobre o mercado. 

Ainda nesta terça-feira, o USDA trouxe também um novo anúncio de vendas dos EUA, neste caso para a China, de 252 mil toneladas de soja em grão da safra nova. Este já é o segundo anúncio da semana, sendo que nesta segunda (1), reportou a venda de 391 mil toneladas também da safra nova. 

A demanda, ainda como explicam analistas e consultores de mercado, segue forte, porém, assumem um papel menor neste momento dos negócios, em que o cenário climático ainda domina o andamento dos preços. E, como sinaliza Brandalizze, isso vale também para a influência sobre a formação dos preços no Brasil. 

"Nesses próximos dois meses, devemos ter um mercado mais próximo da estabilidade, sem espaço para grandes mudanças porque estamos em cima da safra americana. Setembro é o final da fase de desenvolvimento e início da colheita das lavouras americanas e, passando esse período, o mercado deve se desligar mais dos EUA e aí sim poderemos ter uma pressão do consumo local para a soja do mercado interno. Vai se descobrir que temos pouca soja, vai haver pressão (dos compradores) e talvez e os produtores possam ter cotações melhores", diz o consultor. 

Na tarde desta terça, o porto de Rio Grande tinha 0,76% de alta no disponível, para R$ 80,00 por saca, enquanto o preço no mercado futuro mantinha sua estabilidade nos R$ 78,00. 

Além da pressão de Chicago, continua a pressão do câmbio sobre os preços da soja brasileira e, nesta terça-feira, a moeda americana registra uma nova sessão de baixa frente ao real. Perto de 13h40 (Brasília), a divisa recuava 0,69% para ser negociada a R$ 3,249. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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