Soja: Dólar despenca frente ao real e mercado brasileiro tem mais uma semana negativa no interior e portos

Publicado em 05/08/2016 18:05
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A volatilidade tomou conta dos negócios com a soja na Bolsa de Chicago e, apesar do fechamento positivo nesta sexta-feira (5), com altas de mais de 14 pontos entre os principais vencimentos, no balanço da semana, as baixas no mercado internacional superaram os 2%. Dessa forma, o mercado brasileiro acumulou mais uma semana de ritmo lento e poucos negócios, segundo relataram analistas e consultores. 

"Se o produtor brasileiro fizer, neste momento, suas relação de custo da fazenda, câmbio e Chicago ele não irá encontrar valores que o motivem a fazer novas vendas. E já temos de 22% a 25% da nova safra vendida, o que mostra também que, agora, o produtor não teria a motivação que teve há alguns meses, quando contava com valores melhores", explica Mário Mariano, analista de mercado da Novo Rumo Corretora. 

Para o restante de soja da safra 2015/16, a situação é semelhante, porém, com um volume bem menor ainda a ser comercializado. A baixa disponibilidade de oferta frente à força da demanda, que é grande também internamente, tem sido um dos pilares de sustentação das cotações ao lado dos prêmios, que seguem ainda bastante firmes e elevados, se aproximando de US$ 2,00 nos portos e de US$ 3,00 sobre Chicago no interior do país. 

Entretanto, um dos maiores entraves para a formação dos preços da soja brasileira, em contrapartida, é a situação do câmbio. Com as notícias que chegam do mercado financeiro global e da cena política nacional, o dólar cedeu mais de 2,2% na semana e fechou com R$ 3,1691, seu menor nível desde 16 de julho de 2015, segundo informou a Reuters. 

"O mercado engrenou em um movimento de baixa (do dólar) e não quer soltar. Todas as casas estão vendo muito fluxo e parece que isso não vai passar tão cedo", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato em entrevista à agência de notícias.

E foi nesse quadro que os preços da soja no interior do Brasil perderam de 1,27% - em Avaré/SP - a 5,63% em Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra/MT na última semana, de acordo com o levantamento do economista André Bittencourt Lopes, do Notícias Agrícolas. A exceção foram as praças de Assis/SP, com alta de 2,66%, e São Gabriel do Oeste/MS, com ganho de 0,69%. 

Dessa forma, as referências das principais praças de comercialização fecharam a semana valendo entre R$ 64,67 e R$ 80,00 por saca. Para o consultor de mercado Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, os preços da soja brasileira poderiam encontrar espaço para uma recuperação nos meses de outubro a dezembro, quando a demanda interna poderia ficar ainda mais aquecida - principalmente em regiões onde o parque industrial é mais forte - e a safra norte-americana já tendo sendo concluída. 

Nos portos brasileiros, as perdas também foram intensas. Paranaguá perdeu 4,12% no disponível e 6,10% no mercado futuro, encerrando a semana com R$ 81,50 e R$ 77,00 por saca, respectivamente. No terminal de Rio Grande, as referênicas ficaram R$ 77,50 e R$ 76,50 por saca, com perdas de 4,91% e 4,38%. 

Mercado Internacional

No mercado internacional, a semana foi marcada pela disputa das notícias de clima e de demanda. O vencimento novembro/16, que é referência para a safra americana, recou 2,84% no balanço semanal e encerrou os negócios valendo US$ 9,74 por bushel. A volatilidade foi bastante intensa. 

"O jogo encontra-se em um momento em ques as projeções indicam a produção dos Estados Unidos podendo ficar entre 105 milhões e 110 milhões de toneladas, ao mesmo tempo que a China pode aumentar suas importações", explicou Mário Mariano. E segundo explicou o analista da Novo Rumo, as notícias fortes de demanda reportadas nesta semana se sobressaíram.

No acumulado da temporada comercial 2015/16, que termina no próximo dia 31, as vendas americanas para exportação já superam em 7,3% o esperado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos EUA). O momento, portanto, gera especulações, uma vez que um novo reporte mensal de oferta e demanda será divulgado pela instituição em 12 de agosto. 

E nesta sexta-feira, o USDA anunciou ainda uma nova venda de soja em grão da safra 2016/17 para a China e de 498 mil toneladas e surpreendeu o mercado. Em todos os dias desta semana o USDA trouxe anúncios de vendas novas da oleaginosa, incluindo volumes das safras 2015/16 e 2016/17. Assim, o total no acumulado dos últimos cinco dias úteis, somente contabilizando os anúncios do departamento, é de 2.090,2 milhões de toneladas. Os principais compradores foram a nação asiática e destinos não revelados. 

Leia mais:

>> USDA: China compra mais 498 mil t de soja da safra 2016/17 dos EUA

Ainda segundo Mariano, a queda de preços dos últimos dias atraiu a demanda, motivando não somente as compras de fato, mas como um movimento de compras de posições por parte dos fundos de investimento, o que ajudou a puxar os preços em determinados, especialmente nesta sexta-feira, em que os ganhos passaram de 14 pontos entre as posições mais negociadas. 

Por outro lado, as perspectivas de elevados índices de produtividade das lavouras norte-americanas de soja reforçam a robustez desta safra dos EUA, que está em seu mês chave de desenvolvimento, e ainda é um forte fator de pressão sobre as cotações em Chicago. 

Com isso, ainda como explica Mariano, será de extrema importância acompanhar o comportamento especulativo dos fundos à espera do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz na próxima sexta-feira, 12 de agosto. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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