Soja: Mercado segue estável na CBOT, mas passa para campo negativo na tarde desta 3ª feira

Publicado em 16/08/2016 12:12
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Após atuar com estabilidade em Chicago nesta manhã de terça-feira (18), o mercado internacional da soja passou a realizar lucros e, por volta de 12h (horário de Brasília), os preços perdiam entre 2,50 e  5,50 pontos. Mais cedo, as perdas eram ligeiramente mais intensas e se aproximavam de 9,75 pontos. As cotações, na sessão anterior, subiram quase 30 pontos, bateram nas máximas de algumas semanas e agora devolvem parte desses ganhos, segundo explicam analistas e consultores. 

O mercado segue acompanhando a força que o crescimento da demanda vem exercendo sobre as projeções de uma robusta safra que vem dos Estados Unidos nesta temporada, enquanto acompanha, ao mesmo tempo, a boa conclusão do ciclo produtivo por lá. Embora alguns pontos do Meio-Oeste americano venham recebendo mais chuvas do que o necessário, as lavouras ainda se desenvolvem bem por lá e vêm confirmando as estimativas. 

Em seu reporte semanal de acompanhamento de safras divulgado no final da tarde de ontem, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) manteve em 72% seu índice de campos em boas ou excelentes condições, mesmo número da semana anterior. O boletim  informou ainda que 95% das plantaçõs estão em fase de florescimento, contra 91% da semana anterior e 93% da média. Há também 80% dos campos na fase de formação de vagens, contra 69% da semana anterior e 75% da média. 

Dessa forma, o mercado em Chicago ainda sente a pressão da safra 2016/17, mas apoiado na demanda, principalmente neste momento em que os compradores se voltam cada vez mais ao produto dos EUA diante da baixa oferta disponível na Argentina. E nesta terça-feira, o USDA já trouxe o anúncio de uma nova venda da oleaginosa de 119 mil toneladas de soja para a China. 

"Ainda há toda uma colheita pela frente e, até lá, os preços devem continuar voláteis e negociando dos dois lados, ora focando em uma grande safra, ora na demanda forte", explicam, em nota, os analistas da Labhoro Corretora. 

Ao mesmo tempo, são acompanhadas ainda as perspectivas dos estoques finais tanto norte-americanos quanto globais, que deverão, como explicam analistas, seguir apertados neste ano comercial, enquanto o consumo continua subindo. Apesar de uma safra dos EUA bem maior do que a anterior, os estoques globais de soja foram projetados pelo USDA em 71,24 milhões de toneladas, menores do que os da temporada 2015/16, esperados em 73 milhões. 

Portos do Brasil

Embora em Chicago os futuros da oleaginosa venham trabalhando com uma realização de lucros nesta terça, os preços da soja sobem nos portos de Paranaguá e Rio Grande na tarde de hoje. No terminal gaúcho, alta de 0,62% para R$ 81,50 para o produto disponível e, no paranaense, de 0,62% para R$ 80,50 no mercado futuro. Estáveis permaneciam a soja dispobnível em Paranaguá, com R$ 83,00, e a futura em Rio Grande, com R$ 79,50. 

As baixas limitadas em Chicago ao lado de um dólar estável frente ao real, ainda segundo analistas, permitia esse comportamento das cotações. A moeda norte-americana, por volta de 12h10 (Brasília), perdia 0,10% para R$ 3,18. 

"O dólar começou o dia em baixa seguindo o exterior, mas voltou um pouco com os comentários do Dudley", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira, em entrevista à Reuters, e referindo-se ao presidente do Federal Reserve de Nova York, William Dudley, sobre a possibilidade de que o banco central norte-americana possa, já no próximo mês, promover alguma alta na taxa de juros.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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