Soja tem nova sessão de estabilidade em Chicago nesta 4ª feira e espera por novidades

Publicado em 17/08/2016 08:20 e atualizado em 17/08/2016 09:00
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Nesta quarta-feira (17), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago registram uma nova sessão de estabilidade e, por volta de 7h55 (horário de Brasília), os principais contratos subiam entre 1,75 e 3 pontos, com o novembro, que é referência para a safra americana, era cotado a US$ 10,09 por bushel.

O mercado agora espera por mais novidades para voltar a registrar oscilações fortes e expressivas, enquanto segue acompanhando a disputa por espaço entre as informações da demanda e da nova safra dos Estados Unidos, entretanto, com dados já conhecidos pelos traders.

As previsões climáticas indicam que, na próxima semana, as temperaturas ficam mais amenas, com mais algumas ocorrências de chuvas. Embora sejam bem vindas para boa parte do Corn Belt, em algumas regiões o excesso de precipitações já vem causando algumas inundações e exigindo mais atenção dos produtores. 

Além disso,essas condições de tempo têm ainda comprometendo, ainda ligeiramente, as atividades de embarque de grãos em alguns terminais e esse tem sido, de acordo com analistas nacionais e internacionais, fator de suporte para as cotações. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Soja: Mercado fecha com leves baixas nesta 3ª, mas mantém patamar dos US$ 10 em Chicago

O mercado da soja, na sessão desta terça-feira (16), fechou o dia em queda na Bolsa de Chicago, mas bem próximo da estabilidade e ainda com as principais posições se mantendo no patamar dos US$ 10,00 por bushel. As baixas ficaram entre 1,50 e 4,25 pontos, com o setembro/16 valendo US$ 10,19 e o novembro/16, referência para a safra americana, em US$ 10,07 por bushel. 

O analista de mercado Marcos Araújo, da Lansing Trading Group, explica que o complexo soja tem agora no óleo seu elo mais forte e que vem dando consistente suporte aos futuros da cadeia. As altas do derivado, somente nesse mês de agosto, são bastante expressiva e na sessão desta terça-feira, os ganhos foram de pouco mais de 0,5%. 

"Os maiores produtores mundiais de óleo de palma, Indonésia e Malásia, estão com problemas de oferta e, por isso, têm estoques abaixo da média histórica, o que puxa a demanda pelo óleo de soja. Os países estão buscando óleos vegetais", explica Araújo. E a demanda tem sido bastante grande, principalmente por parte da China. 

Além da demanda pelo óleo, a soja em grão continua registrando bons negócios, contribuindo para a força da demanda. Nesta terça-feira, o USDA já trouxe o anúncio de uma nova venda da oleaginosa de 119 mil toneladas de soja para a China. 

Ao lado das informações da demanda, há ainda a questão climática e o excesso de chuvas que começa a ser registrado em alguns pontos do Meio-Oeste dos Estados Unidos, o que também tem sido importante para ajudar na reação das cotações, ainda como explica o analista da Lansing. "Há expectativa desse clima chuvoso podendo comprometer a soja e também dificultando todo o escoamento do que vem pela frente, principalmente com o início da colheita no Sul dos EUA", diz o executivo. 

Entretanto, o analista afirma ainda que este é um momento delicado para o mercado, já que há duas frentes fortes brigando pela atenção dos traders. "Colocando as peças no tabuleiro, temos a expectativa desse clima chuvoso, que dá sustentação ao mercado, vinculada a essa demanda por soja em grão devido a ausência das exportação brasileiras e argentinas. E temos também o óleo de soja, auxiliado pela falta do óleo de palma", diz. "Porém, cortando essas previsões de chuva, o mercado pode voltar a dar uma recuada, mas não acredito que Chicago possa voltar a recuar tão fortemente", completa. 

Mercado Nacional

Nesta terça-feira, os preços da soja no mercado disponível brasileiro subiram em praticamente todas as principais praças de comercialização do interior e registraram ganhos entre 1,39% - como Tangará da Serra/MT, para R$ 73,00 por saca - e 2,70% em Sorriso, também em Mato Grosso, para R$ 76,00. 

Entretanto, os negócios está travado neste momento dado o spread grande, ou seja, a diferença, entre o preço de compra que as tradings estão praticando e a oferta do produtor rural, ainda segundo explica Marcos Araújo, e que estaria em cerca de R$ 3,00 por saca. "Vimos que essa movimentação brusca do dólar deixou muitos produotores sem um direcionador, acreditando que esse dólar possa voltar a recuperar", relata. 

Nesta terça-feira, a moeda norte-americana conseguiu fechar o dia com alta de 0,17% para R$ 3,1940, depois de operar boa parte do dia, mais uma vez, em campo negativo. 

"O dólar começou o dia em baixa seguindo o exterior, mas voltou um pouco com os comentários do Dudley (presidente do FED de Nova York sobre a possibilidade de uma alta nos juros americanos no próximo mês). Vamos ter que esperar para ver, o mercado tende a ficar de lado enquanto não tivermos novidade no cenário local, com o fiscal ou a política", disse o superintendente de câmbio da corretora Intercam, Jaime Ferreira em entrevista à agência de notícias Reuters.

Ainda nesta terça, os preços da soja nos portos do Brasil registram leves baixas. Em Paranaguá, queda de 0,60% para R$ 82,50 no disponível e estabilidade em R$ 79,00 no futuro. Já em Rio Grande, baixa de 0,90% no disponível, para R$ 80,50, e futuro estável, com R$ 79,50 por saca. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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