Soja inicia setembro testando ligeira recuperação em Chicago nesta 5ª, mas mantém foco nos EUA

Publicado em 01/09/2016 08:13
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Após sete sessões consecutivas de queda na Bolsa de Chicago, os futuros da soja voltaram a subir na manhã desta quinta-feira, 1º de setembro, e, por volta das 7h35 (horário de Brasília), as cotações subiam entre 3,50 e 4,50 pontos nos principais contratos. Assim, o vencimentos mais negociado neste momento - o novembro/16, referência para a safra dos EUA - era cotado a US$ 9,47 por bushel. 

Segundo explicam analistas internacionais, apesar do início de um novo mês, a "história para o complexo de grãos continua, praticamente, a mesma, com as grandes safras dos EUA ainda pressionando o mercado no curto prazo". Dessa forma, para a consultoria Benson Quinn Commmodities, em entrevista ao portal britânico Agrimoney, alerta para a possibililidade de mais liquidação de posições por parte dos fundos de investimentos diante desse potencial da nova temporada americana. 

Ao lado dessa pressão do pré-colheita nos EUA, seguem as informações de demanda e as compras que os principais importadores vêm relatando quase que diariamente, especialmente pela China. Além disso, já começam ainda a crescer as especulações sobre o novo reporte mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz no próximo dia 12. 

No entanto, antes disso, o mercado recebe, hoje, o novo reporte semanal de vendas para exportação norte-americanas que também será reportado pelo departamento norte-americano. 

Veja como fechou o mercado nesta quarta-feira:

Com pressão da robusta safra dos EUA, soja fecha agosto perdendo 7% na Bolsa de Chicago

O mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou mais uma sessão em baixa nesta quarta-feira (31) e assim, encerra o mês de agosto com cerca de 7% de queda acumulada. Ainda assim, o recuo foi menos severo do que o registrado em julho, de 12%, segundo relata o analista internacional Bob Burgdorfer, do portal Farm Futures. No pregão desta quarta, os principais contratos cederam entre 5,50 e 7,75 pontos, com o novembro/16, que é referência para a nova safra dos EUA, cotado a US$ 9,43 por bushel. 

A pressão da produção estimada para ser recorde nos Estados Unidos, as previsões que continuam mostrando um cenário climático favorável para a conclusão do ciclo produtivo americano e mais o ajuste de posições típico do final de mês por parte dos fundos de investimento foram, ainda de acordo com analistas, combustível suficiente para o movimento negativo das cotações nos últimos dias. 

Para esta semana, de acordo com dados do NOAA, o departamento oficial de clima dos Estados Unidos, estão previstas boas chuvas em importantes regiões produtoras do Meio-Oeste americano, principalmente na região Oeste. As precipitações são bem-vindas, uma vez que as lavouras estão em plena fase de enchimento de grãos e a presença de umidade - mas não em excesso - é determinante. 

Com isso, os índices de produtividade para os EUA nesta temporada são esperados para atingirem recordes e se aproximarem dos 49 bushels por acre (55,57 sacas por hectare), podendo levar, segundo consultorias privadas, a safra 2016/17 norte-americana e algo próximo de 111 milhões de toneladas. 

Dessa forma, para Burgdorfer, "exceto por uma mudança no clima, o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) do próximo dia 12 de setembro poderá ser, nesse momento, ponto decisivo para os traders". Entretanto, o analista ainda chama atenção para as informações de demanda que, por ora, limitam a pressão exercida pelas expectativas da grande safra dos EUA. 

Ainda nesta quarta, foi anunciada uma nova venda de 187 mil toneladas de soja em grão da safra 2016/17 para a China. Na terça-feira (30), a instituição já havia anunciado a venda de outras 126 mil toneladas. Ainda ontem, uma missão da China nos EUA anuncio um acordo para a compra de 3,97 milhões de toneladas de oleaginosa americana, como acontece anualmente, mas reforçando a força do consumo chinês pela commodity. 

Mercado Nacional

No Brasil, os preços acompanharam o recuo das baixas em Chicago combinadas com o recuo do dólar frente ao real nesta quarta-feira. No interior do país, as baixas passaram de 1% e em algumas praças, como Barretos, em São Paulo, a baixa chegou a ser de mais de 9%, para R$ 71,32 por saca. 

Nos portos, o movimento foi semelhante. A soja disponível perdeu 0,63% para R$ 79,50 por saca no porto de Paranaguá e 1,94% em Rio Grande, para R$ 76,00. Já no mercado futuro, estabilidade no terminal paranaense, com os R$ 77,00 sendo mantidos como referência nesta quarta-feira, enquanto no gaúcho perdeu 1,94% para fechar com R$ 76,00. 

Dólar - Nesta quarta, o dólar fechou cedendo 0,34% para R$ 3,2293, após bater em R$ 3,2162 na mínima da sessão, em um dia agitado, principalmente, para a cena política brasileira - com a presidente Dilma Rousseff sendo afastada pelo julgamento do Senado Federal. No mês, o recuo foi de 0,42%. 

"O impeachment ficou para trás e o que sobrou foi todo esse ruído, essa dúvida sobre o que vai ser da base aliada", disse o operador de um banco internacional, sob condição de anonimato em entrevista à agência de notícias Reuters. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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