Soja: Com foco na demanda e à espera do USDA, Chicago fecha semana com até 3% de alta

Publicado em 09/09/2016 18:06 e atualizado em 09/09/2016 19:39
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A semana foi mais curta para o mercado da soja na Bolsa de Chicago, porém, bastante positiva. O mercado internacional, na volta do feriado do Dia do Trabalho, comemorado na última segunda-feira (5), veio buscando novas altas e tentando garantir patamares importantes para os principais contratos. Dessa forma, as posições mais negociadas registraram ganhos semanais de até 3,03%. O contrato novembro/16, referência para a safra dos EUA e o mais negociado neste momento, subiu 2,91% para chegar aos US$ 9,80 por bushel. 



Segundo analistas e consultores de mercado, as cotações contaram com dois fatores fortes de extrema importância para o avanço nestes últimos quatro dias: o dólar e a demanda. O recuo expressivo da moeda americana frente à brasileira e à uma cesta de outras importantes no início da semana, seguido por um avanço significativo nesta sexta-feira, e números imponentes sobre a procura pelo produto norte-americano ganharam destaque e espaço entre os traders internacionais. Além disso, a atenção dos negociadores - e dos fundos de investimento - se dividiram ainda com a conclusão da safra dos EUA e o início da sulamericana, com o clima pesando em ambos os casos. A firmeza do petróleo no mercado internacional contribuiu. 

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Ao mesmo tempo, em entrevista ao site norte-americano Agriculture.com, o presidente da Commodity Risk Management Group, Mike North, afirmou que um movimento de compra de posições na soja também estimulou os preços durante esta semana, em um movimento ainda bastante técnico do mercado à espera da confirmação de algumas informações e, principalmente de algumas especulações, estas ligadas, em sua maior parte ao novo reporte que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz na segunda-feira, 12 de setembro. 

"Essa foi uma semana marcada pela atuação de fundos em busca de barganhas, de produtos baratos. E, como tínhamos uma janela relativamente confortável até o relatório da segunda-feira, os fundos que estão comprados direcionaram os preços", explica Andrea Sousa Cordeiro, da Labhoro Corretora. "Uma semana de pré-relatório do USDA, com movimendo de compra dos fundos. O saldo dos trabalhos foi a recuperação das commodities", completa. 

Câmbio - Na semana, o dólar subiu 0,82% para fechá-la cotado a R$ 3,28. Somente nesta sexta-feira, porém, o avanço da divisa passou de 2%, e veio corrigindo as perdas fortes dos últimos dias, quando chegou até mesmo a perder o patamar dos R$ 3,19. Segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias Reuters, a aversão ao risco no quadro externo e mais um novo fôlego à possibilidade de alta de juros nos EUA motivaram esse ganho. 

"A declaração de Rosengren (presidente do Federal Reserve de Boston) mostra que há margem para um aumento da taxa de juros norte-americana, percepção que havia perdido força depois do resultado do payroll de agosto", explicou o diretor da corretora de câmbio FB Capital, Fernando Bergallo, referindo-se ao relatório de emprego dos EUA em entrevista à agência. 

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Demanda - Os dois reportes semanais trazidos pelo USDA com indicadores da demanda - embarques e vendas para exportação (LINK) - trouxeram números fortes, que superaram largamente as expectativas do mercado e foram como combustíveis para as altas da soja em Chicago. No desta sexta, as vendas ficaram em mais de 1,7 milhão de toneladas, sendo o volume total da safra 2016/17. Com isso, a temporada americana começa com um total já comprometido de 22,53 milhões de toneladas contra 16 milhões do mesmo período da anterior, como informa a Agrinvest Commodities. 

Além disso, na última quarta-feira (7), o departamento norte-americano reportou ainda novas vendas de soja em grão, para a China e destinos não revelados, que somaram mais de 400 mil toneladas em apenas um dia.   

USDA - O novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA chega na segunda-feira e o mercado conta com duas expectativas quase que convergentes: a primeira delas é a revisão para cima da nova safra americana, podendo passar de 112 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, em contrapartida, se espera ainda uma redução dos estoques americanos dada a força da demanda, ainda como explicam analistas e consultores de mercado. 

"A demanda firme dos últimos meses alimenta a corrente sobre novos ajustes nos estoques. As projeções de exportação da próxima safra americana também têm potencial de alta", afirma a Andrea Sousa Cordeiro. "A expectativas geral do mercado é de uma redução na produtividade do milho e um aumento na produtividade da soja, embora correções na soja devam ocorrer de maneira mais coerente somente em outubro", conclui. 

Mercado Nacional: Preços acompanham e fecham semana em alta

No Brasil, a semana mais uma vez foi marcada por poucos negócios e preços ainda enfrentando dificuldades para subir de forma mais expressiva e suficiente para atrair os produtores de volta às vendas. Ainda assim, com o apoio das altas em Chicago e mais o dólar também registrando um balanço semanal positivo, os ganhos nas principais praças de comercialização ficaram entre 1,25% e 2,86%. As referências, de acordo com um levantamento feito pelo Notícias Agrícolas, têm variado entre R$ 64,00 e R$ 81,00 por saca. 

Já nos portos, as altas também passaram de 1% nesta semana. Em Rio Grande, ganho de 1,27% no disponível e de 2,58% no mercado futuro, com ambos fechando com R$ 79,50. Já em Paranaguá, avanço de 1,25% no disponível, para R$ 81,00 e estabilidade no futuro, em R$ 78,00. No terminal de Imbituba, R$ 81,00 no disponível, subindo 2,53%. 

Nesse quadro e focado em preparar-se para o plantio da nova safra, o sojicultor brasileiro segue retendo o que ainda há de oferta da temporada 2015/16 para voltar ao mercado e realizar vendas novas, talvez em um período de pico da entressafra, o qual ainda não se apresentou, segundo explica Camilo Motter. De acordo com o economista e analista da  Granoeste Corretora de Cereais, cada produtor terá, agora, de acompanhar as características regionais de cada mercado e aproveitar as oportunidades. 

 

Empresas chinesas vão aumentar investimentos na região de Lucas do Rio Verde

Na viagem à china, o ministro Blairo Maggi ouviu que a Hunan Dakang, gigante chinesa do agronegócio, deseja expandir sua atuação no Brasil. Ela já tem participação numa empresa em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, e quer comprar outras naquela região. Naquela área são produzidas cerca de 100 milhões de toneladas de grãos por ano. As empresas japonesas já tem uma atuação forte por ali. A Sogitso, por exemplo, tem uma associação com a companhia Cantagalo, de Josué Alencar, filho do ex-vice-presidente José Alencar. Agora é a vez das chinesas. Outra que vai aumentar sua participação por aqui é a Cofco Agri, controlada pela estatal de alimentos da China. (na coluna RADAR,  de veja.com.br)

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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