Soja tem nova sessão de altas em Chicago nesta 3ª feira ainda especulando sobre chuvas nos EUA

Publicado em 20/09/2016 08:20
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Pela quarta sessão consecutiva, os futuros da soja operam em campo positivo na Bolsa de Chicago. Nesta terça-feira (20), por volta das 7h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos subiam entre 6 e 8 pontos, já levando o maio/17 a US$ 9,92 por bushel, enquanto o novembro/16, referência para a safra dos EUA, buscava se estabilizar nos US$ 9,80. 

O foco do mercado internacional permanece sobre as previsões que indicam chuvas para o Meio-Oeste dos Estados Unidos, as quais poderiam atrasar a colheita da nova safra e provocar, inclusive, alguns atrasos nos lineups com os navios no Golfo do México. 

"As condições da soja estão estáveis, porém pode haver algum dano caso as chuvas continuem chegando ao Corn Belt. Ao continuarem, o próximo boletim semanal de acompanhamento de safras pode mostrar uma piora nas condições das lavouras", disse, em entrevista à Reuters Internacional, o analista de mercado Kaname Gokon da corretora japonesa Okato Shoji. 

A colheita da soja nos Estados Unidos já foi iniciada em alguns pontos do país e, de acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já foi concluída em 4% da área até o domingo, 18, contra 6% do mesmo período do ano passado e 5% de média dos últimos cinco anos. 

O reporte mostrou ainda que 73% das plantações estão em boas ou excelentes condições e o índice das que estão derrubando suas folhas subiu de 26% para 46%. 

Veja como fechou o mercado nesta segunda-feira:

Soja: Mercado fecha em alta em Chicago e preços no Brasil testam novos patamares nesta 2ª feira

A segunda-feira (19) foi positiva para os preços da soja praticados na Bolsa de Chicago e os futuros da oleaginosa terminaram o dia subindo entre 6,50 e 8 pontos nas posições mais negociadas e com o novembro/16 cotado a US$ 9,72 por bushel. Já o vencimento maio/17, que é referência para a safra do Brasil, encerrou o pregão valendo US$ 9,81. 

Com esse avanço, os preços da soja no mercado brasileiro encontraram espaço para também dar início à semana em campo positivo. Em Paranaguá e Rio Grande, o produto disponível subiu, respectivamente, 0,63% e 0,13% para R$ 80,00 e R$ 78,40 por saca. No terminal gaúcho, o produto subiu ainda no mercado futuro - 0,51% - para teminar o dia com R$ 79,30. 

No interior brasileiro, algumas praças de comercialização também registraram leves altas nesta segunda, como São Gabriel do Oeste/MS, com 1,43% para R$ 71,00 por saca, ou Campo Novo do Parecis/MT, 1,39% para R$ 73,00 e Não-Me-Toque/RS, com alta de 0,73% para R$ 69,00 por saca. 

Além dos ganhos em Chicago, afinal, o dólar - que começou o dia em campo negativo - voltou a subir frente à moeda brasileiro e ajudou a estabelecer o movimento positivo em algumas regiões. A divisa fechou com ligeira alta, mas já abaixo dos R$ 3,30 observado nos últimos dias. E o quadro mais favorável poderá permitir a realização de negócios mais vantajosos nesse momento para os produtores brasileiros.

"O mercado da soja, nesta nova semana, poderá trazer os compradores de volta para se abastecer e conseguir escala para trabalhar nos próximos meses, e outras indústrias apontando que terão que parar de esmagar mais cedo porque não terão matéria-prima. Assim, começam a abrir os olhos para aquelas que seguirão em atividade para atender a demanda por farelo e óleo, apostando em alta nestes para os próximos meses", explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

O foco dos sojicultores, entretanto, não se desvia do início do plantio da temporada 2016/17, a qual deverá exigir cautela e escalonamento dos trabalhos de plantio, uma vez que as condições para o início do plantio se mostram ainda bastante irregulares. 

“Os agricultores não podem correr o risco de ficar com a semeadura acumulada para o final de outubro e com possibilidade de chuvas para a colheita, entre o final de fevereiro e começo de março. E nem comprometer a janela ideal de cultivo do milho safrinha”, explica Leonildo Barei, vice-presidente do Sindicato Rural de Sinop,em entrevista ao Notícias Agrícolas. Na região, o valor da soja varia entre R$ 72,00 e R$ 74,00 por saca. 

Mercado Internacional

No mercado internacional, o combustível para as altas deste início de semana vêm das chuvas que chegam ao Meio-Oeste americano, podendo comprometer os trabalhos de colheita em importantes regiões produtoras de grãos do país. Ao longo do dia, os futuros da oleaginosa chegaram a subir mais de 11 pontos. 

Durante o último final semana, foram registradas chuvas fortes na metade sul da região produtora norte-americana e, no início desta semana elas deverão voltar a subir pelo Meio-Oeste antes que uma nova frente se mova para o oeste, de acordo com o que noticiou o portal internacional Farm Futures.

Nos próximos 7 dias, de acordo com informações do NOAA, o departamento oficial de clima dos Estados Unidos, as chuvas no coração do Corn Belt podem alcançar de 25,4 mm a 254 mm. 

Chuvas nos próximos 7 dias nos EUA - Fonte: NOAA

Chuvas nos próximos 7 dias nos EUA - Fonte: NOAA

"A possibilidade de atraso na colheita por conta das chuva, bem como as previsões que indicam a chegada de mais precipitações nos próximos dias para a maior parte do Meio-Oeste têm dado suporte ao mercado", afirma Bob Burgdorfer, analista de mercado do Farm Futures. E este padrão de tempo mais úmido deverá durar, segundo o Commodity Weather Service, ainda por algumas semanas. 

Ao mesmo tempo, as perspectivas de uma retomada mais forte do ritmo da demanda chinesa após o feriado do Festival de Outono na nação asiática também favorece o avanço das cotações. O início da nova safra 2016/17 no Brasil também vem ganhando cada dia mais espaço entre os negócios no cenário internacional. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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