Soja fecha em baixa na CBOT realizando lucros após altas de quase 5% nos últimos 4 pregões

Publicado em 21/09/2016 17:25 e atualizado em 21/09/2016 17:55
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Após as quatro últimas sessões consecutivas em que os preços da soja acumularam uma alta de quase 5% na Bolsa de Chicago, os preços voltaram a ceder de forma expressiva nesta quarta-feira (21) e terminaram o dia com baixas de mais de 13 pontos entre os principais vencimentos. Com isso, o vencimento novembro/16, ainda o mais negociado, fechou o dia com US$ 9,75 por bushel, após encostar em uma mínima de US$ 9,71. Já o maio/17, referência para a safra brasileira, que registrou a máxima em US$ 10,01, viu o movimento de realização de lucros se intensificar e levar a posição ao fechamento com US$ 9,90. 

Os futuros do farelo e do óleo de soja que também vinham registrando um movimento importante de altas também recuaram nesta quarta e terminaram a sessão perdendo mais de 1% entre suas principais posições. 

"Os mercados agrícolas tiveram muitas informações para digerir nesta quarta-feira, o que inclui novas vendas para exportação dos Estados Unidos e o Federal Reserve (o banco central norte-americano) mantendo a taxa de juros dos EUA inalterada", afirmou o analista internacional Bob Burgdorfer, do portal Farm Futures. 

E de fato, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trouxe novas vendas de soja em grão com um volume total de 364 mil toneladas, divididas entre a China, Taiwan e destinos não revelados. Nesta terça, os chineses, ainda segundo informações do departamento americano, já haviam adquirido outras 110 mil toneladas da oleaginosa. A força da demanda, portanto, permanece presente e ganhando espaço. 

A correção do mercado, porém, foi inevitável e os dados insuficientes para revertâ-la, mas somente para limitá-la. O mercado, no entanto, espera agora pelo novo reporte semanal de vendas para exportação que o USDA traz, tradicionalmente, às quintas-feiras. "E o ritmo de exportação é forte", afirma o consultor de mercado Carlos Cogo. 

Outro fator que ajudou a segurar não só a soja, mas também outras commodities, foi o avanço expressivo do petróleo nesta quarta-feira. Em Nova York, seus futuros fecharam o dia com alta de mais de 3% e voltaram à casa dos US$ 45,00 por barril.

O clima nos Estados Unidos também segue aparecendo entre os fundamentos que direcionam os futuros da soja na CBOT e, ainda como explica Cogo, enquanto os trabalhos de campo continuarem a se desenvolver e a nova safra ainda estiver exposta a alguns riscos, as especulações deverão se manter. No entanto, lembra que a frota de maquinários agrícolas dos EUA é uma das maiores e melhores do mundo, capaz de compensar determinados atrasos. 

Nesta quarta, tempestades voltaram a ser registradas nos estados de Iowa e Nebraska e deverão durar, segundo as previsões, até, pelo menos, esta sexta-feira (23). No período dos próximos sete dias e no intervalo de 6 a 10, as temperaturas, de acordo com mapas do NOAA, ligeiramente acima do normal para esta época do ano. 

Dólar e Juros nos EUA

No cenário financeiro, o Federal Reserve trouxe um anúncio com a manutenção da taxa de juros entre 0,25% e 0,50% nos EUA, como vinha sendo esperado pelo mercado e, na sequência, o dólar ampliou sua queda frente ao real para 1,52% e fechou o dia com R$ 3,2114. Esse, segundo informou a Reuters, é o menor patamar registrado pela moeda desde 8 de setembro. 

 "O Fed deu a impressão de que está cada vez mais distante um aumento dos juros. E o dólar só tinha o Fed para segurar as cotações", comentou o economista de uma corretora nacional em entrevista à agência de notícias. Leia mais:

>> Dólar cai 1,5% e caminha a R$ 3,20 após Fed sinalizar gradualismo com juros

Mercado Brasileiro

Com essa reação do dólar aliada às baixas em Chicago, os preços no Brasil sentiram a pressão também e terminaram a quarta-feira em campo negativo na maior parte das principais praças der comercialização levantadas pelo Notícias Agrícolas. A exceção ficou por conta de Não-Me-Toque e Panambi, ambas no Rio Grande do Sul, com ganhos de 1,45% e 0,69%, respectivamente, para R$ 70,00 e R$ 70,50 por saca. 

Nas demais, o recuo dos preços variou entre 1,37% e até 18,42%, como foi o caso de Barretos, em São Paulo, onde a saca de soja foi a R$ 60,57. Em Sorriso, Mato Grosso, R$ 71,00 e queda de 1,39%; em Jataí, Goiás, recuo de 0,38% para R$ 65,75. 

Nos portos, as baixas foram ainda mais intensas. A soja disponível perdeu 2,47% em Paranaguá e 3,13% em Rio Grande, para, respectivamente, R$ 79,00 e R$ 77,50 por saca. As referências para a oleaginosa da safra nova também cederam. No terminal paranaense, 2,50% para R$ 78,00 e no gaúcho, 3,21% para R$ 78,40 por saca. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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