Soja: Mercado tem 2ª feira de estabilidade em Chicago com foco ainda na colheita dos EUA

Publicado em 26/09/2016 08:03
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Após o recuo forte da última sexta-feira (23), os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago começama a semana operando com estabilidade e testando os dois lados da tabela. Por volta das 7h20 (horário de Brasília), os principais contratos da oleaginosa registravam oscilações de menos de 1 ponto, com o novembro/16 valendo US$ 9,54 e o maio/17, US$ 9,71 por bushel. Mais cedo, o mercado internacional operava em alta. 

A falta de direção dos preços nesta segunda-feira vem ainda do foco que os investidores mantêm sobre a questão climática nos Estados Unidos e o impacto que vem exercendo sobre o andamento da colheita no Meio-Oeste. Embora algumas áreas venham sofrendo com o excesso de umidade e os trabalhos estejam comprometidos, em outras o avanço é considerável. O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) traz, no final da tarde de hoje, a atualização dos dados sobre a colheita e as condições das lavouras e, até sua divulgação, os investidores seguem especulando. No último final de semana, alguns estados receberam até 127 mm de chuva, segundo informações do Commodity Weather Group, como Kansas e Oklahoma, e algumas chuvas ainda no leste do Corn Belt. O restante do cinturão permaneceu seco e as novas previsões indicam que deverá permanecer assim até que as precipitações retornem, na próxima semana. 

"O mercado continua preocupado com as chuvas fortes e algumas cheias em Iowa, Minnesota e Wisconsin. Porém, os trabalhos de campo avançaram bem no restante do Meio-Oeste e isso ainda mantém uma pressão sobre os preços", explica Tobin Gorey, do Commonwealth Bank da Australia em nota nesta segunda. Além disso, os reportes de produtividade têm confirmado, nos últimos dias, o potencial da safra americana. 

Ainda nesta segunda, o USDA atualiza também os embarques de grãos norte-americanos, e este boletim chega no início da tarde, podendo também trazer alguma influência sobre a direção das cotações. A demanda, afinal, tem sido o mais importante pilar de suporte dos preços nas últimas semanas, com boas vendas sendo reportadas dos EUA. 

No mercado financeiro, o petróleo busca uma recuperação e, em Nova York, nesta manhã de segunda-feira, subia quase 1%, para buscar de volta os US$ 45,00 por barril. Já na China, os índices acionários caíram às suas mínimas em sete semenas com reflexo das últimas baixas de Wall Street e pressionado ainda pelo setor imobiliário local, como informa a agência de notícias Reuters. 

Veja como fechou o mercado na última semana:

Soja tem semana de foco no clima dos EUA e Brasil começando a ganhar espaço no debate

Nesta semana, o clima voltou ao centro das discussões do mercado internacional e foi determinante para o desenvolvimento dos preços da soja na Bolsa de Chicago. Assim, qualquer mudança, mesmo que pouco significativa em condições já conhecidas, foi suficiente para promover um movimento mais intenso de realização de lucros entre os futuros da oleaginosa, como o registrado nesta sexta-feira (23), levando-os a encerrar o dia com uma baixa de mais de 20 pontos. O recuo, portanto, fez com que o balanço semanal da commodity na CBOT também fosse negativo, já que neutralizou o bom ganho dos últimos dias. 

Neste quadro, as posições mais negociadas concluíram a semana cedendo entre 0,72% e 1,14%, levando o novembro/16, referência para a safra americana, de volta à casa dos US$ 9,50, enquanto o maio/17, que é indicativo para a temporada brasileira, terminou valendo US$ 9,71, após chegar aos US$ 10,00 nos pregões anteriores. 

A colheita da safra 2016/17 dos Estados Unidos e as condições climáticas em que se desenvolvia nestes últimos dias foram o combustível principal para os ganhos entre as cotações em Chicago. Estados importantes entre os produtores do Meio-Oeste americano receberam chuvas intensas, de mais de 200 mm em algumas localidades nos últimos dois ou três dias, e tiveram seus trabalhos de campo bastante comprometidos. Iowa, Minnesota e Wisconsin são alguns exemplos, enquanto Illinois e as Dakotas, por exemplo, conseguiram bom avanço. As regiões leste e sul do Corn Belt são as que contam com melhor cenário para os trabalhos de colheita. 

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Com isso, o primeiro número oficial do USDA (Departamento de Agricultura) divulgado na última segunda-feira (19) sobre a colheita do país indicou uma conclusão em 4% da área, contra 6% do mesmo período do ano passado e 5% de média dos últimos cinco anos. Novos números serão reportados na próxima segunda, 26 de setembro, e podem mexer com o mercado caso confirmem ou não algum eventual atraso nos trabalhos. 

Enquanto crescem as especulações, os fundos de investimento vão se movimentando no mercado e promovendo reações como a desta sexta-feira, em que se apoiaram em previsões atualizadas para iniciar uma forte venda de posições para realizarem lucros. "Os fundos observam muito o cenário climático nesse momento para efetivarem sua tomada de decisões", explica Camilo Motter, analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais. 

Na próxima semana, portanto, segue o acompanhamento sobre o clima e às previsões diárias que são reportadas de diversos institutos públicos e privados. "Embora divergentes, os modelos climáticos diminuíram as chuvas acumuladas para o centro e norte do cinturão. Já o leste e a parte extensa do Delta registram há vários dias tempo favorável a colheita que segue mostrando a super safra que a nossa expedição Mulheres do Agronegócio antecipou no fim de agosto", explica a analista de mercado Andrea Sousa Cordeiro, da Labhoro Corretora. 

Ainda no quadro climático, começam as discussões sobre o início do plantio no Brasil. A movimentação, porém, ainda se dá basicamente sobre especulações, como explica Motter, e "a América do Sul deverá vir para o centro dos debates mais adiante, em meados de outubro", diz. 

Neste momento, os produtores brasileiros estão todos focados no plantio e em driblar algumas dificuldades com a aquisição de crédito e endividamento, além de terem de manejar as irregularidades climáticas. Ainda assim, em regiões onde as condições permitem, os trabalhos avançam.

"O Paraná, que evoluiu plantio na região oeste, paralisou os trabalhos e segue esperando mais chuvas. O Mato Grosso inicia os trabalhos, embora em um ritmo mais calmo. O volume acumulado de chuvas não permite maior fluxo e o produtor segue monitorando as previsões. Esse é um ano de alto custo de produção e com oferta de sementes ajustada, além de muito cara. Minas Gerais e o Goiás terminam o vazio sanitário no próximo dia 30 e as chuvas previstas para os próximos dias contribuirão para os trabalhos", diz a analista da Labhoro. 

Nesse momento, portanto, a influência do mercado financeiro, ainda como explica Camilo Motter, deverá ser limitada, embora o petróleo exija atenção frente à sua intensa volatilidade das últimas sessões, além do dólar não só frente ao real mas à cesta das principais moedas globais. 

Comercialização no Brasil

A comercialização da soja no Brasil segue travada. Os negócios de maior volume, embora não seja comum no momento, estão mais voltados para as exportações, uma vez que a liquidação interna não se desenvolve e os preços atuais para lotes remanescentes da safra velha não são atrativos para os produtores, como relata o analista da Granoeste.

Segundo levantamento feito pelo economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes, os preços nos portos do país perderam entre 0,75% 2,53% e as referências para a soja disponível têm variado entre R$ 77,00 e R$ 80,00 por saca. Para o produto da nova safra, esse intervalo é mais curto e os negócios, segundo reportam analistas e consultores, têm oscilado com referências de R$ 76,00 e R$ 77,00. 

Já as praças do interior do país fecharam a semana com baixas de 0,38% a até 4,11%, com recuo mais intenso no Centro-Oeste. A exceção ficou por conta de Rio Verde, Goiás, onde o preço subiu 2,70% para R$ 76,00 por saca. E esse recuo, além do reflexo da baixa do dólar combinada ao recuo dos futuros em Chicago, passa ainda pela menor agressividade da demanda interna. 

"A demanda está mais restrita internamente. As indústrias estão bem abastecidas e, neste momento, operando sem margens positivas, já que o setor de carnes também tem demandado menos e isso faz com que a liquidação interna fique mais comprometida", explica Motter. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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