Soja fecha em queda na Bolsa de Chicago nesta 4ª e preços no Brasil em campo misto

Publicado em 28/09/2016 17:47
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O mercado internacional da soja, apesar de trabalhar o dia todo com oscilações tímidas, registrou uma sessão de volatilidade e fechou os negócios desta quarta-feira (28) em campo negativo. Os contratos mais negociados recuaram entre 6,25 e 7 pontos, com o vencimento novembro/16 ficando em US$ 9,45 e o maio/17, referência para a safra do Brasil, em US$ 9,64 por bushel. 

Como explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, os preços na CBOT sentiram, neste pregão, a pressão, novamente, de uma série de fatores e os mesmos ainda não teriam batido em suas mínimas. "Os fundos investidores estão pressionando para saber onde está o 'fundo do poço', e o mercado, que ainda está acima de US$ 9,40, poderia bater nos US$ 9,20, ou seja, ainda com espaço para trabalhar no lado da baixa", diz. 

Entre os fundamentos, atenção a dois principais fatores: o avanço da colheita nos Estados Unidos e o novo boletim de estoques trimestrais do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) a ser reportado no próximo dia 30, ainda como explica afirma o consultor. 

No Meio-Oeste americano, as condições são melhores para os trabalhos de campo, as chuvas deram uma trégua em boa parte do cinturão e as últimas previsões climáticas do NOAA, o departamento oficial de clima dos EUA, mostram que nos próximos sete dias, esse deverá ser ainda o padrão. Já na sequência, no intervalo de 6 a 10 dias, as precipitações voltam a superar a média para o período. 

"Em algumas áreas ainda chove, mas naquelas onde se consegue colher, os reportes de produtividade têm sido muito bons", relata Brandalizze. 

Paralelamente, mas ainda entre os fundamentos, há a espera pelo novo boletim do departamento norte-americano de estoques trimestrais, o qual chega no final da semana, e as especulações sobre os números. Ainda de acordo com o consultor, o intervalo das expectativas do mercado para os números é bastante largo, mas a média tem ficado em 5,5 milhões de toneladas, contra o último boletim do USDA - de 12 de setembro - que trazia algo próximo de 5,3 milhões. 

"É uma diferença pequena 200 mil toneladas, mas em uma época de poucas notícias, o mercado se apoia nisso e hoje sentiu a pressão disso", diz. E para os mais otimistas, principalmente com a demanda - que tem sido bastante intensa pela soja americana nos últimos dias - esse volume poderia cair ainda para algo próximo a 4,2 milhões de toneladas. "Esse é o relatório de estoques mais importante do ano", conclui Brandalizze. 

Ainda sobre a demanda, o USDA anunciou nesta quarta-feira a venda de mais soja em grão da safra 2016/17. Foram 344,171 mil toneladas, sendo 133 mil para a China e mais 211,171 mil para destinos não revelados. Assim, no acumulado da semana, as vendas norte-americanas já somam mais de 704 mil toneladas. 

Preços no Brasil

Nesta quarta-feira, mais uma vez, os preços da soja nas principais praças de comercialização do Brasil não obedeceram um padrão comum e registraram altas - como em Sorriso/MT, de 0,72% para R$ 70,00 ou no Oeste da Bahia, de 3,64% parar R$ 66,33 por saca - e baixas, como foi o caso de Assis, em São Paulo, de 5,27% para R$ 70,34, ou Ponta Grossa, no Paranám de 2,56% para R$ 76,00. 

Nos portos, comportamento semelhante. A soja disponível caiu 1,27% para R$ 78,00 em Paranaguá, subiu 0,39% em Rio Grande para R$ 76,50, se manteve estável nos R$ 79,00 em Santos e caiu 0,51% em Imbituba para R$ 78,60 por saca nesta quarta-feira. 

O câmbio, mais uma vez, não contribuiu. A moeda norte-americana recuou frente ao real novamente e fechou o dia com baixa de 0,28% e valendo R$ 3,2218. "O salto do petróleo criou ambiente para o dólar perder força e a fala do Evans (presidente do Fed de Chicago, Charles Evans) de que o ambiente de juros baixo nos Estados Unidos deve ser mantido por algum tempo acabou ajudando", explicou, à agência Reuters, um operador de uma corretora nacional.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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