Soja busca equilíbrio na Bolsa de Chicago e opera com estabilidade e leves ganhos nesta 4ª

Publicado em 05/10/2016 08:35
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Manhã de estabilidade para os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (5). A oleaginosa, por volta de 7h50 (horário de Brasília), subia entre 0,75 e 2 pontos nos principais vencimentos, buscando equilíbrio após um início de semana bastante agitado. Com isso, o vencimento novembro/176, que ainda é o mais negociado neste momento, valia US$ 9,65 por bushel. 

Como explicam analistas, a demanda forte pela soja norte-americana neste momento e as incertezas sobre a safra da América do Sul acabam por se contrapor à enorme safra que os Estados Unidos têm colhido nesta temporada. Embora algumas áreas ainda sofram com condições de clima ligeiramente adversas, os últimos reportes de produtividade dos EUA são bastante impressionantes, e têm a melhor média da história. 

E nesta semana especificamente, a demanda - apesar de muito intensa - perde um pouco de espaço com a China fora dos negócios por conta de um feriado - o que acaba limitando o fôlego das cotações. 

Analistas internacionais atribuem o suporte da soja em grão ainda a um bom momento vivido também pelo farelo, com seus futuros também registrando algumas altas nos últimos dias. 

Veja como fechou o mercado nesta terça-feira:

Preços da soja no Brasil têm pouco impacto da disparada do dólar nesta 3ª; mercado segue travado

Nesta terça-feira (4), o dólar voltou a subir frente ao real e fechou o dia com mais de 1% de alta em uma disparada observada no final da tarde, valendo R$ 3,2551. O avanço - o maior desde o último dia 13, segundo a Reuters, porém, foi insuficiente para motivar uma alta dos preços da soja no Brasil, com alguns ganhos registrados somente em praças de comercialização pontuais e no porto de Santos, para o produto disponível. A maior parte dos locais terminou o dia apenas com estabilidade. 

A limitação para o efeito do dólar em alta veio de uma nova sessão de baixas para os futuros da commodity em Chicago que, neste pregão, realizou lucros e terminou o dia em campo negativo. Os principais contratos perderam entre 8,25 e 9,50 pontos, levando o maio/17, que é indicativo para a safra brasileira, aos US$ 9,82 por bushel. 

Dessa forma, apenas algumas praças registraram ganhos, como Cascavel/PR - 1,52% para R$ 67,00; Sorriso/MT - 2,82% para R$ 73,00; ou Jataí/GO - 0,31% para R$ 65,40 por saca. Enquanto isso, São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, o preço cedeu 2,13% para R$ 69,00. Já no porto de Rio Grande, baixa de 1,68% no disponível e de 0,64% no mercado futuro para alcançarem, respectivamente, R$ 76,00 e R$ 78,00 por saca. 

Dado esse quadro, os negócios com a soja brasileira ainda não exibem novidades expressivas, uma vez que o ritmo ainda é lento e o volume é bem pequeno, com os produtores ainda reticentes em entregar a oleaginosa nos atuais patamares de preços. Os sojicultores mantêm seu foco, portanto, no avanço do plantio, principalmente neste momento em que o clima ainda continua trazendo diversas incógnitas e se mantém como principal desafio desta safra. 

E esse ritmo mais lento não vem sendo observado somente nas fixações para a soja da safra nova, mas também no pouco que ainda resta da temporada 2015/16. 

"O que a gente percebe é que o mercado está muito travado e muito regional. Aumentou muito o nível de regionalização nos últimos dias, o que é normal para essa época do ano, e dependendo também da demanda local. E então, entraremos no período de espera pela nova safra", explica Flávio França Junior, consultor de mercado da França Junior Consultoria. "O momento em Chicago não é bom, por isso também não é bom vender em outubro, e do câmbio, agora também não vem nada de excepcional. E esse sentimento em relação ao câmbio vale para a temporada inteira", completa. 

Mercado Internacional

Em Chicago, o dia foi de realização de lucros e correção após as fortes altas registradas no pregão desta segunda-feira (3). No entanto, ainda segundo França, há alguns fundamentos que pesam do outro lado da balança e que trazem não só equilíbrio para a commodity, mas também suporte às cotações. 

Neste momento, a demanda forte pela soja norte-americana - a qual vem sendo confirmada pelos anúncios quase que diário de novas vendas do EUA e também pelos boletins semanais de embarques e vendas para exportação reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) é um dos dados que contrapõe a enorme safra que vem sendo colhida nos Estados Unidos. 

Além disso, há ainda as incertezas que seguem rondando a nova safra da América do Sul e, juntos, Brasil, Argentina e Paraguai produzem 51% de toda a soja do mundo. Após as perdas causadas por adversidades climáticas na temporada anterior, a atenção dos produtores está redobrada e os investimentos, limitados. Afinal, o ano é de La Niña e, apesar da atual fraca intensidade, o cenário e as previsões vêm inspirando cautela e rigoroso planejamento. 

"Acredito que depois do USDA [boletim mensal de oferta e demanda] de novembro, o mercado vai se focar completamente na América do Sul. Até lá, é colheita nos EUA e mercado local [americano]", diz França em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

Dólar

Segundo especialistas, o movimento de forte alta do dólar refletiu um conjunto de fatores, entre eles a declaração do presidente do Banco Central brasileiro, Ilan Goldfajn, de que o corte da taxa de juros no Brasil ainda não estão na pauta, enquanto nos EUA, a expectativa de uma alta parece mais próxima, além de um alerta feito pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) sobre a economia norte-americana. 

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

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