EUA tem 70% da soja estimada para exportação já comprometida e USDA atualiza dados nesta 6ª

Publicado em 25/11/2016 08:08 1924 exibições

Os negócios nas bolsas de Chicago e Nova York serão retomados nesta sexta-feira, 25 de novembro, após o feriado de Ação de Graças comemorado ontem nos Estados Unidos. Os pregões, porém, serão reduzidos, começando mais tarde e fechando mais cedo, às 16h05 (Brasília). 

No caso da soja, consultores de mercado acreditam que os futuros da commodity possam encontrar espaço para algumas novas altas nessa volta das operações, ainda com seu foco principal voltado para a demanda, principalemte por parte da China. Novos números sobre as vendas semanais para exportação dos EUA serão divulgados hoje pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e podem contribuir, mais uma vez, para o movimento positivo das cotações. 

O último reporte indicou que, na semana encerrada em 10 de novembro, as vendas americanas, no acumulado da temporada 2016/17 chegaram a 38.484,2 milhões de toneladas, bem acima dos 30.896,6 milhões do mesmo período da temporada anterior, representando uma diferença positiva de 25%. Dessa forma, já há quase 70% do volume estimado pelo departamento para exportações - de 55,79 milhões de toneladas - comprometidos. 

Soja: Mercado volta do feriado nos EUA com espaço para novas altas em Chicago, dizem consultores

O mercado brasileiro da soja, nesta quinta-feira (25), registrou um dia de preços estáveis e pouca movimentação. Com a Bolsa de Chicago fechada em decorreência do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos e mais a estabilidade do dólar frente ao real, os negócios voltaram a perder o ritmo, mesmo com preços melhores para a oleaginosa no mercado doméstico. As referências nos principais portos nacionais - principalmente Rio Grande e Paranaguá - hoje, mesmo que em um mercado apenas 'nominal', ainda variam perto de R$ 85,00 a R$ 86,00, com referência na entrega maio e pagamento julho 2017. 

"E o mercado ainda tem fôlego para pagar mais amanhã, cerca de R$ 1,00 acima dos preços de hoje, com Chicago voltando do feriado trazendo boas notícias para encarar o final de semana", explica o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. Com esses níveis nos portos, ainda segundo o consultor, os preços no interior do Brasil - nas principais regiões produtoras - supera os R$ 70,00 e remunera o produtor neste momento. 

Ontem, com a boa alta do dólar de mais de 1% e mais as cotações atrativas de Chicago - que somam 50 pontos de alta desde a última quinta-feira (17), o ritmo foi melhor e bons negócios foram concluídos em quase todas as regiões produtoras. No Rio Grande do Sul, por exemplo, onde a comercialização está um pouco mais atrasada, os sojicultores aproveitaram o momento e travaram parte de sua produção. 

Para o consultor Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios, essa parcimônia dos produtores brasileiros neste momento é uma estratégia acertada, com o foco mantido em aproveitar as novas e ainda melhores oportunidades que podem surgir mais adiante. E, para o sojicultor que quiser se manter competitivo, "terá de buscar informação 24 horas por dia", diz em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Na sequência, Fernandes orienta ainda atenção redobrada sobre o câmbio e os impactos que o cenário político doméstico exerceram sobre o andamento da moeda norte-americana frente à brasileira, o qual deverá ser bastante volátil nas próximas semanas. "O principal item do investidor é segurança". 

Para Brandalizze, o dólar acomodado no patamar dos R$ 3,40, por exemplo, já seria suficiente para que o produtor brasileiro faça preços ainda melhores do que os registrados no ano passado. E, segundo especialistas, a tendência atual para o câmbio é de alta frente as incertezas sobre a aprovação de medidas, no Brasil, para a estabilização da economia, por exemplo. 

Comercialização x Clima

Mesmo com um cenário mais favorável para a comercialização que parece começar a se estabelecer para a soja do Brasil, o produtor também limita seu ritmo de vendas diante das incertezas sobre o clima para esta safra, principalmente após as perdas ocasionadas pelo El Niño na temporada 2015/16. Muitos sojicultores sofreram prejuízos severos no ano passado e já tinham travado boa parte de sua safra, o que os impediu de cumprir alguns contratos. 

"É uma postura lógica do produtor, que recua diante da possibilidade de que a produção se perca. Por outro lado, como ele também já esperou bastante tempo, agora, diante de um fato que pode culminar em uma perda e levar a uma elevação dos preços, o produtor observa para ver o que vai acontecer", explica Camilo Motter, economista e analista de mercado da Granoeste Corretora de Cereais. 

Segundo Motter, há avaliações que indicam que haja cerca de 30% a 35% da área brasileira da soja - com estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, partes do Mato Grosso do Sul e São Paulo, sob risco climático nessa safra, área que estaria no foco do La Niña. "Esse é um ano em que o produtor plantou um volume maior de ciclo precoce, tivemos um clima bastante frio nos últimos dias para essa época do ano e isso também dá uma segurada no desenvolvimento. Então, ciclo precoce, clima frio e agora quente e seco, precisamos ver se haverá danos", diz. 

Perspectivas para Chicago

Os negócios na Bolsa de Chicago serão retomados nesta sexta-feira, 25 de novembro, porém, com meio pregão apenas, já que é volta de um dos feriados mais tradicionais do país. E para Ênio Fernades, a tendência de preços para o mercado internacional agora é de alta dadas as últimas informações. 

A demanda é muito intensa e os futuros do complexo soja, principalmente no óleo, têm trazido uma força bastante sustentada para o avanço dos preços e ainda deverá seguir no foco dos traders. Além das vendas norte-americanas muito fortes e maiores do que as da temporada anterior, há também uma busca maior pelo óleo de soja agora que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA divulgou uma elevação na cota dos biocombustíveis no processo energético do país. Haverá, portanto, mais óleo de soja no diesel e mais etanol de milho na gasolina e, portanto, um uso maior de ambos os grãos para a produção desses biocombustíveis.

Como explica Vlamir Brandalizze, o mercado poderá acompanhar um aumento de cerca de 8 a 10 milhões de toneladas de soja esmagadas a mais nos Estados Unidos. "Essa sim é uma demanda a mais, que não estava sendo esperada". Na última quarta (23), os futuros do óleo de soja, após essa notícia, subiram mais de 6%, puxaram o grão e o mercado espera agora para entender quais serão os próximos impactos na formação das cotações.  

Derivados

Como explica o consultor de mercado Carlos Cogo, da Carlos Cogo Consultoria Agroeconômica, o óleo de soja foi o mais importante driver para os preços do grão e, realizou o mesmo papel nos últimos dias. A quebra da safra de palma na Malásia e demais países asiáticos comprometeu a produção do seu óleo, puxou seus futuros nas bolsas locais - onde alcançaram as máximas em quatro anos nesta quinta (24) - e também motivaram o óleo de soja.  

Entrento, acredita que um movimento iniciado no começo dos anos 2000, de o farelo ser o protagonista da formação das cotações, ainda é o mais forte catalisador das cotações da soja em Chicago. 

"O farelo de soja se tornou e é, ainda hoje, o maior componente proteico para a fabricação de rações para a produção das carnes que também explodiram que são, justamente, a suína e a de frango, em detrimento da bovina. O farelo é o derivado que apresentou a maior expansão mundial de demanda", diz Cogo. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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