Soja: Após 7 pregões seguidos de altas em Chicago, comercialização no Brasil chega a 50%

Publicado em 28/11/2016 17:17
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Os preços da soja fecharam seu sétimo pregão consecutivo na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (28), registrando bons e fortes ganhos ao longo do dia, levando o contrato maio/17 - referência para a nova safra do Brasil - a alcançar e se estabilizar, ao menos neste início da semana, na casa dos US$ 10,70 por bushel. O patamar, apesar de um recuo do dólar frente ao real, ajudou o mercado interno brasileiro a garantir ainda preços que, em um novo contexto, se mostram melhores para o produtor brasileiro. Nesta segunda, a moeda americana terminou o dia com R$ 3,3846, na venda, perdendo 0,85%. 

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No interior do Paraná, por exemplo, negócios entre R$ 77,00 e R$ 78,00 por saca foram registrados no Oeste, enquanto em Ponta Grossa, uma das praças mais importantes do estado, as cotações para prazos que vão a janeiro, os indicativos chegaram a algo entre R$ 81,00 e R$ 82,00, como informa o analista de mercado e economista das Granoeste Corretora, Camilo Motter. 

"O mercado, de maneira geral, voltou a ficar mais animado", diz. "O produtot está vindo um pouco mais a mercad, mas sabe que as coisas podem evoluir ainda melhor, então, ainda vem de forma mais comedida. Os preços estão longe daqueles praticados entre abril e junho, mas estão melhores do que há dois ou três meses", completa. 

Na região Médio-Norte de Mato Grosso, a situação é semelhante, com preços perto de R$ 67,00, R$ 69,00 por saca, que remuneram melhor os produtores, como explica Mário Mariano, e estimula novas vendas. Dessa forma, como explica o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, elevou o índice de comercialização da safra 2016/17 para 50%, com uma boa puxada nas últimas semanas em função desse conjunto do rally em Chicago mais as altas no câmbio. 

"Nós enxergamos nas últimas cinco sessões em Chicago, e consequentemente aqui no Brasil, um aumento da ordem de 10% a 11% para os preços da soja, principalmente de Mato Grosso, porque é naquela região que estará saindo o maior volume de soja entre os meses de fevereiro e março pelos portos do Arco Norte. Então, sendo mais próximos dos portos, as corridas às vendas aumentaram naquela região", explica Mariano. 

Nos portos do Brasil, as referências para a soja disponível ficaram entre R$ 81,00 e R$ 82,00, enquanto para o mercado futuro fecharam o dia com R$ 86,60 em Rio Grande. Já em Paranaguá, o último indicativo foi de R$ 82,00/saca. 

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, as posições mais negociada terminaram o pregão com ganhos de 10 a 10,25 pontos, com a primeira - janeiro/17 - valendo US$ 10,56 e o julho/17, a US$ 10,75 por bushel. A demanda, principalmente pelo produto norte-americano, segue como principal combustível para os ganhos, que já duram sete sessões. 

Segundo os números trazidos nesta segunda-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu reporte semanal de embarques indicaram um novo volume forte e que ajudou a dar ainda mais suporte às cotações. Foram 2.090,724 milhões de toneladas, contra as expectativas do mercado que oscilavam entre 1,8 milhão a 2,1 milhão de toneladas. No acumulado da temporada, o total já embarcado pelos EUA chega a 24.006,013 milhões de toneladas e supera em 19% o total do mesmo período da temporada 2015/16. 

A demanda conta ainda com as boas margens de esmagamento que vem sendo registradas na China. "As margens de esmagamento estão sendo sustentadas pelo baixo nível dos estoques domésticos do farelo e óleo", explicam os analistas da Agrinvest Commodities, nesta segunda. Além disso, ainda de acordo com os executivos, há uma demanda interna maior concentrada sobre o farelo e o óleo na nação asiática dada a política anti-dumping sobre o DDG americano. 

Dentro do complexo soja, mais uma vez o óleo ganha destaque. Com altas de mais de 16 meses entre os futuros da canola, os futuros dos óleos vegetais renovaram suas altas nos mercados globais, puxando o óleo de soja na CBOT e, portanto, a soja em grão também. E, como explicam analistas internacionais ouvidos pelo portal internacional Agrimoney, os estoques mundias da canola são estreitos este ano e estão no radar dos traders. 

E o mercado internacional, paralelamente, segue atento ao comportamento do clima na América do Sul e o impacto que vem exercendo sobre as lavouras da safra 2016/17 de soja, principalmente no Brasil e na Argentina. 

E ainda de acordo com Mário Mariano, embora o plantio brasileiro já esteja concluído em cerca de 85% da área, segundo os últimos levantamentos, algumas áreas do sul do país começam a enfrentar alguns problemas, bem como a Argentina, e a situação da safra sulamericana 2016/17 está longe de estar definida. E mesmo com previsões de novas chuvas esta semana, o mercado em Chicago parece ainda precificar os riscos que essa temporada ainda poderia presenciar. 

Esse quadro, portanto, ainda como explicam analistas e consultores, traz de volta os fundos investidores à ponta compradora do mercado, dando ainda mais estímulo à oleaginosa negociada em Chicago.  

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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