Soja volta a fechar em alta na Bolsa de Chicago e Paranaguá chega a bater em R$ 88/saca nesta 3ª feira

Publicado em 06/12/2016 17:45 e atualizado em 06/12/2016 19:35
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Os preços da soja negociados na Bolsa de Chicago registraram, nesta terça-feira (6), uma nova sessão de altas, com as posições mais distantes já voltando a superar o patamar dos US$ 10,60 por bushel. Já o vencimento janeiro/16, que fechou com US$ 10,39, alcançou os US$ 10,61 na máxima do dia. Ao longo do pregão, afinal, os ganhos chegaram a superar os 11 pontos entre as posições mais negociadas. 

Já no Brasil, dia misto para os preços. Apesar das boas e novas altas observadas em Chicago, o dólar - que começou o dia em alta - voltou a recuar frente ao real, com algum alívio sobre a cena política interna, e acabou ou limitando os ganhos ou exercendo alguma pressão sobre as cotações. 

No porto de Rio Grande, a soja disponível terminou os negócios com R$ 82,00 de referência e queda de 0,61%, enquanto no de Paranaguá, o valor subiu 0,62% para R$ 81,50. No mercado futuro, o terminal paranaense encerrou o dia com R$ 83,50 por saca, com ganho de 0,60%, enquanto perdeu 0,58% no gaúcho, fechando com R$ 86,00. Ao longo do dia, os preços da soja da nova safra brasileira, segundo informou Vlamir Brandalizze, chegaram a bater nos R$ 88,00 por saca em Paranaguá  nos vencimentos mais distantes, com pagamento julho, por exemplo.

No interior do Brasil, as praças de Mato Grosso como Campo Novo do Parecis e Tangará da Serra registraram um ganho de 4,69% para R$ 67,00 a saca; no Paraná, Ponta Grossa, 1,27% para R$ 80,00 e em Panambi, no Rio Grande do Sul, R$ 73,02 por saca e alta de 0,66%. Em Sorriso/MT e São Gabriel do Oeste/MS, as cotações também subiram mais de 1%. 

A comercialização no Brasil, porém, ainda encontra dificuldades para evoluir com mais ritmo. Segundo os últimos números da consultoria Safras & Mercado, os números das vendas antecipadas chegam ao índice de 28% do total da safra 2016/17, contra 46% do mesmo período do ano anterior. 

Mercado Internacional

Na Bolsa de Chicago, o mercado mais uma vez encontrou suporte nas boas novas vindas da demanda com mais anúncios de venda por parte do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Foram mais de 500 mil toneladas, sendo 198 mil somente destinadas à China, que, nesta segunda (5), já havia realizado a compra de outras 426 mil toneladas da oleaginosa.

Como explica o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, as compras ainda agressivas da China reforçam a intensidade atual da demanda e trazem perspectivas ainda melhores para as cotações. E com essas informações, ainda como explica Brandalizze, o novo relatório mensal de oferta e demanda que será reportado pelo USDA na próxima sexta-feira (9) poderá vir com números mais ajustados para os estoques americanos, ao mesmo tempo trazer uma correção positiva de suas exportações.

"O mercado está comprando mais agressivamente porque já há um consenso de que o USDA venha com um relatório positivo para as cotações, podendo trazer uma evolução de até 30 a 40 cents de dólar", diz.

Além disso, Brandalizze chama a atenção ainda sobre a interferência sobre as especulações ao redor da nova safra da América do Sul e a demanda forte refletindo também "O que o USDA deve confirmar é que a demanda vai superar as 330 milhões de toneladas e não vamos ter excedentes não. Por isso que os chineses compram o máximo que podem dos EUA, porque ainda temem sobre a nova safra sulamericana. Vamos ter um avanço, mas não com sobra de produto", diz. Dessa forma, para o consultor, o novo alvo para os preços da soja na Bolsa de Chicago é o de US$ 11,00 por bushel. "O espaço para alcançar esse patamar agora é menor e o ambiente é propício".

O que limitou as altas na sessão desta terça-feira, porém, foram os movimentos técnicos que o mercado ainda vem respeitando. "A resistência dos US$ 10,70 ainda é forte, quando os preços chegaram a superar os US$ 10,80 no julho, por exemplo, o mercado voltou. Então, ainda vai continuar atuando entre os US$ 10,20 e os US$ 10,70", diz.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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