Soja: Comercialização travada no Brasil já reflete nos negócios na Bolsa de Chicago; mercado fecha em alta

Publicado em 24/01/2017 17:46
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Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago voltaram a subir no final da tarde desta terça-feira (24), porém, não o suficiente para impedir uma nova baixa das cotações da oleaginosa no mercado brasileiro. Os preços praticados no interior e nos portos brasileiros cederam por mais um dia e afastaram os vendedores ainda mais de novos negócios, segundo relatam consultores e analistas. 

No mercado internacional, apesar das oscilações tímidas, há uma conjunção de fatores atuando sobre as cotações neste momento, entre técnicos e fundamentais, como explica Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. 

Foram anunciadas novas vendas de soja americana pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de 275 mil toneladas, sendo 112 somente para o México - o que não é comum para este país um volume como esse, o que acabou, portanto sendo bem recebido pelo mercado. Na contramão, as notícias de os próximos dias sendo de tempo mais seco na Argentina e a saída dos Estados Unidos da Parceria Transpacífico tiveram algum reflexo sobre os preços. 

"O mercado trabalhou com liquidação técnica para vender até onde podia ir na linha da baixa, mas viu que nos US$ 10,50 o mercado ainda é muito comprador", diz o consultor. 

Ele explica ainda que em Chicago os traders também acompanham muito o mercado brasileiro, que segue vazio, com os vendedores distantes e ainda eveitando novos negócios frente aos patamares atuais. 

"Na América do Sul, a oferta de físico de soja ainda está muito restrita, o que pode ser visto nos números dos embarques, divulgados pela Secex. Há pouca pressão de venda nova para embarque em fevereiro, ou seja, estão chegando mais navios do que tínhamos de programação de negócios efeitvados, então, em fevereiro poderemos sentir uma pressão positiva nos prêmios", acredita Brandalizze.

Assim, ainda segundo o consultor, o mercado em Chicago segue acompanhando uma demanda internacional bastante crescente e ainda focada, em partes, nos Estados Unidos, o que deverá resultar em estoques finais norte-americanos menores do que o estimado atualmente. 

Nesse quadro, as posições mais negociadas na CBOT terminaram o dia com ganhos de 0,75 a 1,25 ponto, com o março/17 fechando o pregão valendo US$ 10,58 e o maio/17, referência para a safra do Brasil, com US$ 10,68 por bushel. 

Mercado Brasileiro

No Brasil, ainda como relata Vlamir Brandalizze, há cerca de 40% da safra 2016/17 já negociada e agora ele terá que voltar a reestruturar suas estratégias de vendas para dar conta do grande volume ainda não negociado, frente a cotações que estão, aproximadamente, R$ 10,00 mais baixos em relação ao que já foi negociado.

As baixas mais expressivas registradas no interior do país foram observadas, mais uma vez, nas praças da região Sul, onde passaram de 1%. No Centro-Oeste e Nordeste brasileiros, as cotações se mantiveram estáveis. Os indicativos variam de R$ 61,00 a R$ 74,00 por saca. 

Nos portos, Paranaguá tem R$ 76,00 tanto no disponível quanto no futuro, e cedeu 1,30% nesta terça-feira. Enquanto isso, no terminal de Rio Grande, as referências ficaram em, respectivamente, R$ 77,50 e R$ 79,50, com perda de 0,64% e alta de 0,63%.   

Dólar - Ainda nesta terça, o mercado brasileiro esbarrou, mais uma vez, no dólar baixo. A moeda americana subiu 0,09% e encerrou o dia próximo da estabilidade, valendo R$ 3,1715 na venda. Na mínima do dia, porém, foi a R$ 3,1592. A pouca movimentação dos últimos dias vem sendo justificada pela falta de direção que foi adotada pelos players do mercado à espera das novidades e modificações que poderiam ser apresentadas no governo Trump, nos Estados Unidos. 

"O mercado está indefinido. Chegou num patamar em que aguarda novidades que justifiquem tomar uma posição", argumentou o operador da corretora Spinelli, José Carlos Amado em entrevista à agência de notícias Reuters. 

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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