Fundos têm maior posição vendida entre os grãos e se focam no clima nos EUA

Publicado em 05/06/2017 13:07
8415 exibições

A semana começa, mais uma vez, com as atenções do mercado internacional de grãos voltadas, quase que em sua totalidade para o clima no Meio-Oeste americano. Os fundos carregam, neste momento, sua maior posição vendida de todos os tempos e qualquer mudança entre as previsões podem originar uma drástica mudança de comportamento entre eles. 

"Comentam-se que alguns gerentes de fundos estão ficando nervosos com estas questões climáticas, devido a posição e o grau de exposição dos mesmos fortemente vendidos", explica o diretor da Labhoro Corretora, Ginaldo Sousa.

De acordo com o último relatório do CFTC trazido na sexta-feira (2), até a última terça-feira (30), os fundos tinham 89,300 mil contratos vendidos na soja, 176,500 mil no milho e 113,800 mil no trigo. Contabilizando todo o complexo soja, esse número sobe para 467,643 mil contratos. Entre as demais commodities agrícolas os números também são altos. 

Dessa forma, segundo analistas internacionais, os preços estariam preparados para um recuperação expressiva, na medida em que esses fundos tivessem que cobrir parte dessas posições. 

"Com o mercado da soja testando suas mínimas em 14 meses, o clima e a resiliente demanda para exportação (da soja americana), os fundos vão querer continuar a adicionar posições vendidas nesses níveis? Qual o risco e a recompensa dessas novas posições estando os preços nestas mínimas?", questionam os analistas da Benson Quinn Commodities.  

Ainda em seu reporte diário, a Benson Quinn acredita também que os fundos poderiam cobrir parte dessas posições no caso do milho caso o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), em seu reporte semanal de acompanhamento de safras que sai nesta segunda-feira (5), não mexer em seu índice de lavouras em boas/excelentes condições, atualmente em 65%. 

Para a Water Street Solution, uma consultoria internacional, essa "ampla posição vendida dos fundos nos grãos é um fator de suporte para os preços neste período em que entramos na temporada de desenvolvimento da safra americana". 

O momento, portanto, leva o Bcom - o índice de commodities da Bloomberg - a acreditar que essa cobertura de posições pode ser encorajada por contratempos climáticos nos Estados Unidos, o que levaria, se confirmados, a motivar uma retomada dos preços. 

"A estabilidade da energia, o pico atingido pelo dólar, e uma melhora dos índices globais de PMIs indicam que o mercado de commodities está pronto para uma recuperação, também sujeito às condições do verão no Meio-Oeste americano", alerta o Bcom. "O principal driver das commodities deve ser os grãos, os quais podem cair ainda mais ou passar por um poderoso rally". acrescenta.

A agência acredita ainda que "apenas algumas semanas de tempo mais quente e seco no Corn Belt entre julho e agosto poderiam ter um impacto altista intenso, aliadas a essa posição vendida recorde dos fundos". 

Clima nos EUA e expectativas para o USDA

As últimas duas semanas foram de tempo um pouco mais seco no Meio-Oeste americano, permitindo um melhor avanço dos trabalhos de campo. 

Dessa forma, ainda segundo a Labhoro Corretora, a expectativa é de que o "milho está virtualmente plantado e as condições de lavouras boas excelentes  devem se manter entre 65/66%", em linha com o reportado na semana anterior. 

Para a soja, nesse quadro, a projeção é de que o plantio já esteja concluído em algo entre 84% e 87% da área, contra 67% da última semana. Caso as condições climáticas se mantenham favoráveis, a projeção é de que a semeadura seja concluída até o próximo dia 15, como explica a Labhoro, e com isso acontecendo, a conclusão viria uma semana antes do final da janela ideal. 

"É bom ficar de olho totalmente voltado para o clima neste momento. Aliás é o único fator capaz de reverter e fazer os preços subirem rapidamente se houver realmente uma mudança climática", diz Ginaldo Sousa. 

E o diretor da Labhoro lembra ainda que, neste momento, os principais modelos climáticos - o europeu e o GFS americano - mostram algumas divergências. 

"O modelo europeu cujo mapa colocamos abaixo mostra as previsões atualizadas um pouco mais úmidas que o modelo GFS americano, o GFS apenas está em sintonia com o europeu em termos de temperaturas limitadas para o meio oeste e planícies do norte para os próximos 5 dias", explica. "Segundo os especialistas os modelos climáticos neste momento não fazendo um bom trabalho, ambos estão errando o que reduz o grau de confiança nas previsões", completa.

O NOAA, o serviço oficial de clima do governo norte-americano, trouxe alguns mapas atualizados mostrando que os maiores volumes de clima já não se concentram mais sobre o Meio-Oeste americano, com os acumulados mais expressivos mais ao Leste dos EUA. 

Para os próximos 7 dias, como mostra o mapa a seguir, indicam chuvas de até 6,35 mm nos principais estados produtores do Meio-Oeste, com algumas exceções. 

NOAA 7 dias

"O Padrão frio e úmido para a área produtora de soja e milho nos EUA dá espaço para dias ensolarados com temperaturas variando dentro da média (mais quente). Nesta semana, de 5 a 10 de junho, o Cinturão Agrícola se vê com precipitações LIMITADAS, com regiões SEM chuvas para o período", informa a AgResource Brasil (ARC Brasil) em seu reporte diário.

EUA 10 dias - AGR

Banner ARC Brasil


"Um padrão mais seco e com temperaturas altas tem se desdobrado para o verão americano (meados de junho até meados de setembro), entranto ainda é incerto sobre a intensidade e duração do cenário climático. No geral, as chuvas se mostram abaixo da expectativa do produtor de grãos do Cinturão Agrícola e, principalmente, para as Planícies, nestes próximos 15 dias. Chuvas mais intensas são necessárias para o fim de junho para manter um bom desenvolvimento da safra nos EUA", conclui a ARC Brasil.

Com informações ainda do Agrimoney. 

Tags:
Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

0 comentário