Soja: Preços sobem quase 3% na semana em Chicago diante das preocupações com chuvas no Corn Belt

Publicado em 05/10/2018 17:18 e atualizado em 08/10/2018 10:36
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Os preços da soja vieram, durante toda a semana, trabalhando com boas altas na Bolsa de Chicago e, depois de iniciarem a sexta-feira (5) atuando com estabilidade, os futuros da oleaginosa voltaram a subir e terminaram o pregão com altas de 8 a 9,75 pontos entre os principais vencimentos. 

Dessa forma, os futuros da oleaginosa conseguiram encerrar a semana com altas de mais de 2% no balanço semanal no mercado norte-americano. O contrato novembro foi a US$ 8,69, subindo 2,84%; o março/19 a US$ 8,94, com alta de 2,52% e o maio/19, referência para a nova safra brasileira, a US$ 9,07, com ganho acumulado de 2,49%. 

O clima nos Estados Unidos chamou muito a atenção do mercado nestes últimos dias, com o excesso de chuvas comprometendo de forma bastante agressiva o ritmo da colheita no Meio-Oeste americano. Embora ainda não haja prejuízos efetivos para a safra 2018/19, os mapas climáticos seguem mostrando condições como estas para os próximos dias e, assim, a situaçao pode se agravar. 

Com tanta umidade, os grãos que ainda estão nos campos norte-americanos começam a arder e perder a qualidade, com alguns produtores, inclusive, se arriscando a colher essas lavouras mesmo sabendo de seus elevados graus de umidade. 

"Tempestades são esperadas para atingir o Meio-Oeste dos EUA, trazendo chuvas fortes do Texas a Michigan na próxima semana. As previsões oficiais do NOAA (serviço oficial de clima do governo norte-americano) mostram essas condições", explica o analista Ben Potter, do portal internacional Farm Futures. 

Chuvas EUA 6 a 10 dias

Previsão de chuvas nos EUA para os próximos 6 a 10 dias - Fonte: NOAA

Chuvas EUA 8 a 14 dias

Previsão de chuvas nos EUA para os próximos 8 a 14 dias - Fonte: NOAA

"Se os mapas climáticos se confirmarem para outubro, poderemos observar quebras de 1 a 2 milhões de toneladas com campos encharcados e a soja em processo de ardência", diz o boletim da AgResource Mercosul.

Em um mercado que vinha carente de novidades, os traders se apegaram a essas preocupações para dar força aos rallies de preços observados nestes últimos dias na Bolsa de Chicago. Além de tudo, ainda cruzam essas informaçoes com uma demanda interna crescente nos EUA, diante de um aumento expressivo do esmagamento no país. 

E não só a demanda interna, mas a demanda para exportação também ajudou a dar fôlego às cotações nesta semana. No último boletim semanal de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), os números da soja vieram acima de 1,5 milhão de toneladas e também deram suporte às cotações. 

E como explicou o analista de mercado Vitor Belasco, da Informa Economics FNP, mesmo com uma mudança nesses mapas climáticos, a tendência de alta para os preços da soja continua, mas segue ancorado pela guerra comercial China x EUA e pelo ritmo recorde do plantio no Brasil. 

Mercado Nacional

Fator determinante para a composição dos preços da soja no Brasil, o dólar caiu na semana e registrou sua maior baixa semanal em 30 meses com o otimismo do mercado financeiro sobre a liderança do candidato Jair Bolsonaro na corrida presidencial. 

A moeda americana perdeu 4,46% na semana, fechando nesta sexta-feira - quando caiu 1% - em R$ 3,857 na venda. 

"O voto útil pode fazer a diferença. Caso os votos que hoje estão com Geraldo Alckmin, João Amoêdo, Álvaro Dias e Henrique Meirelles se transfiram para o candidato do PSL, pode ser que Bolsonaro de fato consiga ser eleito no primeiro turno. Não é um cenário impossível, apesar de improvável", avaliou a economista da corretora CM Capital Markets Camila Abdelmalack, em relatório segundo noticiou a agência Reuters.

Leia mais:

>> Dólar tem maior queda semanal em 30 meses ante real, com otimismo sobre Bolsonaro na eleição

A pressão do câmbio, portanto, foi inevitável sobre as cotações da soja no mercado brasileiro. Somente no porto de Paranaguá, as baixas superaram 1%. O produto disponível perdeu 1,04% e fechou com R$ 95,00 por saca, enquanto a safra nova foi a R$ 85,00, com queda de 2,30%. 

Em Rio Grande, as baixas foram mais comedidas. A soja spot perdeu 0,53% para R$ 93,50 e a referência novembro ficou em R$ 95,50, caindo 0,52%. 

Nesse ambiente, os negócios - principalmente os da nova safra - perderam ritmo no Brasil. Os produtores têm aproveitado as boas condições de clima no país para dar andamento ao plantio, que caminha a um ritmo recorde, e também evitaram participar do mercado em uma semana tão volátil como esta que antecede as eleições. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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