China faz primeira compra de soja nos EUA após trégua firmada entre Trump e Xi

Publicado em 12/12/2018 16:24 e atualizado em 12/12/2018 19:01
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O site internacional Business Insider, com dados da agência de notícias Reuters, informou, na tarde desta quarta-feira, que empresas estatais chinesas teriam feito a compra de mais de 500 mil toneladas de soja dos EUA no valor de cerca de US$ 180 milhões. Este é o primeiro sinal concreto de que a nação asiática estaria cumprindo sua parte na trégua firmada com o EUA após o encontro do G20. 

As compras, feitas pela Sinograin, teriam sido de cerca de 30 navios, o que totalizaria perto de 2 milhões de toneladas, de um volume que pode ficar entre 3 e 5 milhões, segundo explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities. O importante agora é saber, no entanto, se as tarifas chinesas sobre a soja americana serão mantidas e como isso irá estimular ou não as empresas privadas na China a voltarem a comprar nos EUA. 

Segundo operadores internacionais, essa é a primeira grande compra da nação asiática após o "cessar-fogo" temporário de Xi Jinping e Donald Trump e de que as tensões entre as duas maiores economias do mundo estariam começando a diminuir.  

"A China estava comprando diretamente nos terminais nesta manhã. Parece que estamos de volta aos negócios agora", disse um segundo operador à Reuters Internacional. 

Em entrevista à agência nesta semana, Trump já havia dito que as compras estariam sendo retomadas. 

"Eu ouvi que eles (os chineses) estão comprando grandes volumes de soja. Eles estão começando, começando agora", disse o presidente norte-americano Donald Trump, em uma entrevista à Reuters nesta semana, aquecendo as expectativas de que o mercado está prestes a ver um acordo sendo firmado entre China e Estados Unidos em torno da oleaginosa. 

E Trump afirmou ainda que estaria disposto a voltar a se reunir com o presidente chinês Xi Jinping, e que espera saudá-lo por essa volta das compras de soja pela nação asiática no mercado norte-americano. De acordo com o líder dos EUA, as negociações evoluem bem - com boas conversas acontecendo pelo telefone - e mais reuniões entre os dois governos estariam prestes a acontecer. 

Há informações ainda de que a China está prestes a anunciar, ainda neste mês, uma série de compras de soja nos EUA, segundo comunicados oficiais de Pequim, e essa retomada, ao ser efetivada, poderia trazer um alívio considerável aos produtores norte-americanos - que sofrem não só com preços mais baixos - em alguns casos abaixo dos custos de produção - mas também com a dificuldade para armazenar uma safra tão grande. 

De acordo com os últimos números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) trazidos neste 11 de dezembro, a temporada 2018/19 deverá se consolidar com uma safra maior do que 125 milhões de toneladas e estoques finais de 25,99 milhões de toneladas. 

No último boletim mensal de oferta e demanda, o departamento indicou, ao mesmo tempo, uma manutenção das exportações norte-americanas de 51,71 milhões de toneladas, enquanto aumentou as do Brasil de 777 milhões para 81 milhões de toneladas. Números de consultorias e instituições brasileiras falam em estimativas ainda mais altas para 2018. 

Trump está em meio a uma fase delicada da guerra comercial, onde as negociações também são frágeis. O período é de trégua com a China, porém, a pressão dos mercados financeiros continua crescendo, uma vez que os investidores têm vivido semanas de especulações e tentativas de entender os efeitos de uma possível piora nessa guerra comercial. 

Com informações da Reuters Internacional e da Bloomberg.

Vendas antecipadas de soja do Brasil vão a 30,3% do total, diz Datagro

SÃO PAULO (Reuters) - As vendas antecipadas de soja da safra 2018/19 no Brasil, cuja colheita pode começar ainda este mês em algumas áreas, avançaram para 30,3 por cento da produção estimada até a última semana, informou a Datagro nesta quarta-feira.

Embora a comercialização esteja à frente dos 26 por cento reportados em dezembro de 2017, ficam levemente atrás dos 31,6 por cento da média para o período e bem atrás dos 45,5 por cento de recorde em 2015, destacou a consultoria.

"A esperada queda nos preços aconteceu de forma geral, mantendo frouxo o interesse de venda pelos produtores e escasseando os negócios", afirmou em nota o analista de grãos da Datagro, Flávio França Jr.

Em relação à temporada 2017/18, já encerrada, as vendas chegam a 95 por cento, ante 90 por cento há um ano.

Maior exportador mundial de soja em grão, o Brasil deve produzir um recorde de 124,66 milhões de toneladas da commodity no atual ciclo, conforme previsão da consultoria.

A estimativa da Datagro, por sinal, foi a mais otimista em uma pesquisa da Reuters divulgada no fim do mês passado.

Com as lavouras se desenvolvendo bem, a tendência é de que alguma colheita ocorra já nos próximos dias, em especial em Mato Grosso, maior produtor nacional, graças a um plantio antecipado em muitas regiões do país.

Por lá, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) destacou que os sojicultores já comercializaram antecipadamente 41,33 por cento da produção local, um avanço mensal de 5,59 pontos.

"Este progresso... é reflexo da aproximação da colheita da nova safra, seja para liberar espaço nos armazéns, quanto para a garantia de preços. Dessa forma, este último mês foi marcado por movimentações nos principais 'drives' de formação de preços, principalmente da queda nos prêmios de exportação nos portos brasileiros", destacou o Imea em boletim.

MILHO

A Datagro destacou também nesta quarta-feira que as vendas da primeira safra de milho 2018, colhida no último verão, alcançaram 94 por cento da produção obtida, ante 90 por cento em dezembro do ano passado.

"A lentidão nas negociações da temporada está ligada diretamente à expectativa de melhora ainda maior no padrão de preços por parte dos produtores", comentou França Jr.

Já em relação à segunda safra de milho, colhida no inverno deste ano, as negociações chegam a 82 por cento da produção esperada, bem acima do percentual de 78 por cento observado no ano passado, mas ainda abaixo dos 84 por cento da média para os últimos cinco anos.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas/Reuters

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