China pode fazer novas compras de soja nos EUA ainda nesta 5ª feira

Publicado em 13/12/2018 11:39
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Novas compras de soja pela China no mercado norte-americano deverão ser feitas ainda nesta quinta-feira (13), segundo informou a agência internacional de notícias Bloomberg. As aquisições continuarão a ser feitas pela estatal Sinogrin, a mesma empresa que fez as compras relatadas ontem, de cerca de 2 milhões de toneladas. 

De acordo com informações de fontes que preferiram não se identificar à Bloomberg, as novas ordens de compra são para algo entre 1,5 e 2 milhões de toneladas de soja. E essas ainda são as atitudes mais concretas que sinalizam o comprometimento da nação asiática com a trégua firmada com os EUA no início deste mês, após o encontro com o G20. 

Nem a Sinograin e nem a Cofco - maior empresa de alimentos da Sinograin - têm comentado as compras já feitas até este momento ou os volumes totais que serão adquiridos. 

As tarifas de 25% da China sobre a soja norte-americana para empresas privadas segue mantida e, como explicam analistas e consultores, é esse o ponto-chave que deve ser observado pelo mercado. E ainda é esse o fator que limita um avanço mais substancial das cotações na Bolsa de Chicago, que nesta quarta-feira (12), bateram em suas máximas em seis meses. 

Desde meados de maio, por conta dessa disputa, as importações da nação asiática nos EUA têm caído drasticamentem, comprometendo de forma agressiva a renda e a logística dos produtores norte-americanos. O gráfico a seguir, da Bloomberg, marca esse momento inicial de redução das compras e como têm se mantido nos meses seguintes. 

Importações de soja da China nos EUA - Bloomberg

Com essas sinalizações de melhora da relação entre os governos de Donald Trump e Xi Jinping, os preços da soja na Bolsa de Chicago vem buscando uma recuperação. Nos últimos 30 dias, os preços subiram de maneira considerável, com uma alta de 4,19% no janeiro/19 - que foi de US$ 8,83 para US$ 9,20 - e de 3,85% no maio/19, que saltou de US$ 9,10 para US$ 9,45 por bushel. 

"Os embarques, principalmente os do Pacífico Noroeste, irão ajudar a reduzir a pressão dos estoques dos produtores norte-americanos. Além disso, podem também aliviar o abastecimento ajustado da China no primeiro trimestre do próximo ano", diz à Bloomberg o analista chefe da consultoria chinesa Shanghai JC Intelligence Co.

Apesar dessas primeiras compras, o mercado e os representantes dos diversos elos do complexo soja ainda estão preocupados com a relação EUA x China e, mais do que isso, os impactos que essas notícias podem ter sobre os preços a partir deste momento. 

Um representante da Cargill, no início deste mês, fez uma avaliação sobre os preços e afirmou que talvez o melhor momento de venda de soja dos EUA para a China já tenha passado, uma vez que a nova oferta da América do Sul está quase chegando ao mercado. 

"É um tanto tarde para a temporada americana, os estoques são enormes", disse Darin Friedrichs, consultor de risco da filial da INTL FCStonte em Xangai. 

E no Brasil, o produto vai, de fato, ficando mais competitivo, uma vez que as notícias dessas compras têm pressionados os prêmios pagos pela soja brasileira caíram consideravelmente, além de um volume maior previsto para chegar ao mercado nos próximos meses. 

"O prêmio para fevereiro (nos últimos dias) caiu US$ 1,00 por bushel, o que dá quase R$ 8,00 por saca se fizermos a conversão, o que explica, diretamente, a forte queda dos preços da soja nos portos e no interior (do Brasil) também, esse é um dos pontos. O outro ponto é que a China não está com um apetite tão grande, está esmagando menos e vendo seus estoques de farelo subindo", explica o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities. 

Segundo o executivo, a China está bem pouco coberta neste momento, o que intensifica a necessidade de se avaliar a sazonalidade do esmagamento no país e de que forma isso irá se confirmar. 

"A gente tem um número bastante baixo, menos de 5 milhões de toneladas que a China tem de soja comprada para embarcar nos próximos dias, conta uma demanda que é muito maior do que isso. No ano passado, por exemplo, o esmagamento chinês chegou a 25 milhões de toneladas, fora o que precisa ser comprado para suas reservas, então, ela está bem pouco coberta. Porém, sua necessidade interna parece bem menor, por conta da questão da peste suína. Então, estamos vendo um cenário, nesse momento, bem anormal para a demanda chinesa", diz Vanin. 

O analista explica ainda que a tendência, por agora, é de que a nação asiática sofra, de fato, uma falta de farelo em seu mercado, dada a pouca soja em seu mercado neste momento. Mesmo comprando nesse momento, o tempo de transporte existe e o volume esperado para chegar à China seria insuficiente. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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