Soja: Portos fecham em queda nesta 2ª feira com recuo em Chicago e dólar estável

Publicado em 22/04/2019 17:10
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Os preços da soja perderam um pouco mais de força nos portos do Brasil nesta segunda-feira (22) sentindo a pressão da combinação das leves baixas observadas na Bolsa de Chicago e mais a estabilidade do dólar frente ao real. Em Paranaguá, a soja disponível fechou com baixa de 0,26% para R$ 76,30 por saca e recuando 0,13% para R$ 75,60 em Rio Grande. Para maio, R$ 76,80 e R$ 76,30, respectivamente, com perdas de 0,26% em ambos os casos. 

O mercado brasileiro caminha com um ritmo lento neste momento com poucas novas vendas sendo efetivadas e isso se dá, como explica Flávio França Junior, chefe do setor de grãos da Datagro, por uma demanda menos aquecida neste momento e também por uma estratégia do produtor de se manter mais retraído neste momento.

Os atuais patamares de preços não são atrativos neste momento, o que, portanto, não exerce uma grande pressão de venda sobre os valores praticados. "O pessoal está aproveitando somente os picos, porque não é, realmente, um bom momento para o produtor brasileiro vender. E ou Chicago vai subir ou o prêmio vai subir", diz França. 

O câmbio ainda atua como algum colchão para os preços da soja no mercado brasileiro, mas no atual momento insuficiente para atrair novas vendas, mesmo acima ainda dos R$ 3,90. Afinal, na outra ponta, os futuros seguem pressionados na Bolsa de Chicago e os prêmios pagos pela soja brasileiro ainda enfraquecidos.  

"A demanda não está nos EUA, mas também não está aqui. Temos bons números dos embarques, fortes, mas de compras feitas antecipadamente", complementa França. 

Uma das maiores preocupações da demanda mundial por soja, a peste suína africana continua se espalhando pela China e causando ainda mais temores entre os suinocultores. O governo da nação asiática confirmou no final da semana passada que dois locais da província de Hainan, uma ilha na costa sul, confirmaram novos casos da doença e este era um local que autoridades acreditavam estar livre do contágio. 

Se os chineses comprarão menos soja, por outro lado, deverão continuar comprando mais carne suína e o Brasil deverá ser seu principal fornecedor, segundo acreditam analistas e consultores de mercado. 

Como explicou o presidente da ACSURS (Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul), Valdecir Folador, se a demanda chinesa pelo produto brasileiro, a produção gaúcha deverá crescer de forma considerável para atender a este consumo maior. 

Leia mais:

>> Preocupação na demanda por soja, peste suína africana se alastra por toda China

Mercado Internacional

Os futuros da soja terminaram o pregão desta segunda-feira com baixas de pouco mais de 3 pontos nos principais contratos. O maio/19 fechou o dia com US$ 8,77 por bushel. A falta de novidades fortes segue limitando uma movimentação mais agressiva dos preços. 

As informações que continuam movimentando o mercado - o que acontece muito timidamente - são as relativas à guerra comercial entre China e EUA e a demanda pela soja norte-americana; as condições de clima nos EUA; os trabalhos de campo no Meio-Oeste americano e os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre o desenvolvimento dos trabalhos de campo. 

E nesta segunda, mais uma vez os números dos embarques semanais norte-americanos vieram abaixo das expectativas e ajudaram a pressionar as cotações. 

Na semana encerrada em 18 de abril, os americanos embarcaram 382,298 mil toneladas de soja, contra mais de 470 mil da semana e frente às projeções de 400 mil a 800 mil toneladas. No acumulado da temporada, são 31.046,807 milhões de toneladas embarcadas, contra mais de 42 milhões do ano passado, nesse período. 

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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