Soja em Paranaguá tem menor valor desde fevereiro de 2018, aponta Cepea

Publicado em 30/04/2019 14:29 e atualizado em 01/05/2019 09:53
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SÃO PAULO (Reuters) - Os preços da soja em Paranaguá (PR), importante porto exportador do Brasil, seguiram trajetória de queda nesta terça-feira e atingiram 74,36 reais por saca de 60 kg, o menor valor nominal desde os 73,36 reais vistos em fevereiro de 2018, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O recuo no indicador de preço Paranaguá, de 0,44 por cento ante segunda-feira e de 4,31 por cento no acumulado do mês, ocorre enquanto o Brasil exporta uma grande safra de soja e na esteira das quedas nos contratos futuros de referência da bolsa de Chicago.

Os futuros nos EUA, que influenciam os preços locais, tiveram novas mínimas contratuais para a maioria de seus vencimentos nesta terça-feira, à medida que amplos estoques mundiais e uma fraca demanda de exportação para o produto norte-americano empurram os preços para baixo, provocando vendas técnicas.

Já o dólar interbancário caiu 0,49 por cento nesta terça-feira, a 3,9227 reais na venda.

As exportações de soja do Brasil atingiram 8,6 milhões de toneladas no acumulado de abril até o dia 27, informou a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) nesta terça-feira, o que indica uma queda nos embarques neste mês, ante o mesmo período do ano passado.

Preço da soja vira no meio da tarde em Chicago e contrato maio passou a operar abaixo dos US$ 8,40

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Como vem se repetindo nos últimos dias, a estabilidade observada no início da sessão é deixada para trás e os preços da soja voltaram a recuar mais uma vez no início da tarde desta terça-feira (30). Assim, por volta de 14h (horário de Brasília), os principais contratos perdiam mais de 8 pontos, e o maio/19 já era cotado a US$ 8,39 por bushel. 

A guerra comercial entre China e Estados Unidos permanece como principal fator de pressão sobre as cotações, uma vez que mantém a demanda chinesa pela soja americana ainda muito travada, quase inexistente. 

Paralelamente, há ainda os fundos especulativos ainda adicionando mais posições vendidas e ajudando a pesar sobre o mercado na CBOT, com um posicionamento já recorde nesta ponta. Além de tudo, como explica a ARC Mercosul, "os  contratos futuros da CBOT com vencimento em maio começam a expirar antes do feriado de 1 de maio, o que impulsiona o reajuste de posições
abertas".

Parte das atenções está voltada ainda à questão do clima nos EUA. As condições são desfavoráveis para os produtores norte-americanos neste momento e para os próximos 10 dias ao menos, com ainda muitas chuvas, frio intense e neve no meio da primavera. No entanto, o foco dos traders parece estar nas previsões estendidas, com os mapas mostrando possíveis mudanças em 15 dias. 

O plantio da soja nos EUA foi concluído, até o último domingo (28), em 3% da área, de acordo com números do boletim semanal de acompanhamento de safras reportado nesta segunda-feira pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). O índice ficou ligeiramente abaixo da média esperada pelo mercado de 5%. Na semana passada eram 1%, no ano passado 5% e na média plurianual, 6%. 

Mais chuvas são esperadas para os próximos dias no país e podem manter o ritmo da semeadura da safra 2019/20 ainda lento no Corn Belt. Segundo informações apuradas pela ARC Mercosul, os próximos 10 dias deverão ser de precipitações intensas, com volumes que podem chegar aos 150 mm em importantes estados como Iowa e Illinois. 

"Estas condições mais frias e úmidas devem continuar presentes até a metade de maio, o que amplia as preocupações quanto a atrasos nos cultivos de milho do país", explicam os especialistas da consultoria.

E completam dizendo que "apesar de preocupante, não é um fator totalmente atípico, e que em 2018 um cenário semelhante foi observado", alertam os analistas.

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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