Soja fecha em queda na CBOT diante dos detalhes da ajuda de Trump aos produtores dos EUA

Publicado em 23/05/2019 18:00
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O mercado da soja na Bolsa de Chicago fechou a sessão desta quinta-feira (23) em campo negativo. Os preços terminaram o dia perdendo pouco mais de 7 pontos nos principais contratos, com o julho valendo US$ 8,21 por bushel e o agosto, US$ 8,28. 

As cotações reagiram, principalmente, às previsões sinalizando melhores condições de clima a partir do início de junho, perto do dia 3. No entanto, as preocupações não deixam o radar dos traders, e o cenário ainda bastante desfavorável para os próximos dias continua servindo como um suporte para as cotações. 

O mapa a seguir mostra, nas manchas verdes, os elevados percentuais de umidade do solo em quase todo o cinturão produtivo dos EUA, o que ainda impede um avanço considerável do plantio no país. O índice deste ano se mostra bem abaixo do ano passado e frente à média das últimas cinco safras. 

Umidade no solo - EUA

E de acordo com a última previsão do NOAA, o serviço oficial de clima do governo americano, nos sete dias próximos as chuvas fortes ainda não dão trégua. A maior parte do Centro-Oeste e parte das Planícies ainda poderiam registrar acumulados de até 100 mm neste intervalo, como ilustra a imagem abaixo. O mapa refere-se ao período de 23 a 30 de maio. 

EUA Chuvas 7 dias NOAA

Se o clima mantém a volatilidade do mercado internacional, as questões políticas ainda inspiram algum cuidado e exigem acompanhamento diário. 

Nesta quinta, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deu mais detalhes sobre o pacote demajuda do governo Trump aos produtores americanos de US$ 16 bilhões. Segundo o comunicado, serão destinados US$ 14,5 bilhões a pagamentos diretos aos produtores. Os pagamentos aos agricultores serão uma taxa única por município e não por mercadoria e baseados nos danos comerciais de cada condado. 

Os valores destinados a cada produto, porém, ainda não são conhecidos e serão divulgados mais a frente. A primeira rodada de pagamentos pode acontecer entre julho ou agosto. 

Leia mais:

>> USDA confirma ajuda de US$ 16 bi a produtores dos EUA; US$ 14,5 bi em subsídios

"O anúncio sobre os pagamentos feito nesta quinta-feira deixaram os traders apreensivos sobre a continuidade da guerra comercial entre China e Estados Unidos, provocando uma queda dos preços da soja, do milho e do trigo. Porém, o mercado também se mantém atento às previsões de clima no curto e médio prazo, que ainda sugerem um plantio lento", explicou o analista Ben Potter, do portal internacional Farm Futures. 

Ainda nesta quinta, o USDA reportou suas vendas semanais e o número veio apenas dentro das expectativas do mercado. 

Da safra 2018/19, os EUA venderam 535,8 mil toneladas de soja em grão, contra projeções de 100 mil a 800 mil toneladas. O volume é 45% maior do o da semana anterior e está acima também da média das últimas quatro semanas. Destinos não revelados foram os maiores compradores. 

Em todo o ano comercial, os EUA já comprometeram 45.772,9 milhões de toneladas de soja em grão, contra mais de 55 milhões do mesmo período do ano anterior. Em seu último reporte, o USDA reduziu sua estimativa para as exportações de soja totais dos EUA para 48,31 milhões de toneladas. 

MERCADO NACIONAL

Nos portos, os preços da soja, mais um dia, cederam e perderam um pouco de força diante das baixas de Chicago. O que sustenta as referências, porém, é o dólar ainda acima dos R$ 4,00 e os prêmios bem mais altos do que nos últimos meses, conseguindo manter-se na casa de US$ 1,00 acima dos preços praticados na CBOT. 

Assim, as baixas nos principais terminais do país perderam enre 0,62% e 1,26%, e variam de R$ 78,50 - para junho em Rio Grande - a R$ 80,50 em Paranaguá. Para a safra nova, os indicativos são ligeiramente mais altos. 

Já no interior, os preços também registraram perdas em algumas praças de comercialização, como Rondonópolis/MT, onde o preço cedeu para R$ 68,50, com queda de 2,14%. 

No entanto, algumas praças conseguiram registrar valorizações, principalmente nas praças do Sul do Brasil. Em Castro/PR, a alta foi de 1,30% para R$ 78,00 por saca. As realidades locais contribuem para os ganhos.  

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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