Desmatamento associado à soja no Cerrado está em queda, diz estudo

Publicado em 25/06/2020 15:50 257 exibições
Taxa é a menor em 18 anos e sofrendo sucessivas quedas; Tendência é de expansão nas áreas de pastagens no próximo ciclo de crescimento da cultura no bioma.

Em função da importância econômica da soja para o Cerrado e atenta às preocupações relacionadas aos impactos socioambientais causados pela cultura na região, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) tem dedicado esforços com o objetivo de acompanhar a crescente expansão da soja no bioma. Estudo encomendado pela entidade e elaborado pela Agrosatélite, por meio da análise de imagens de satélites adquiridas desde o início dos anos 2000, concluiu que, apesar da expansão da cultura no Cerrado, este crescimento sobre áreas desmatadas vem caindo sucessivamente, passando de 215 mil hectares anuais de 2001 a 2006 para 73 mil hectares ao ano de 2014 a 2018.

“Já havíamos constatado essa tendência de queda do desmatamento associado à soja no estudo anterior, divulgado em 2018, e ela se confirma agora. Temos a menor taxa de desmatamento associado à soja em 18 anos. A justificativa é o aumento da produtividade e a expansão dos plantios em áreas já antropizadas”, diz André Nassar, presidente da ABIOVE.

O Cerrado é o segundo maior bioma do Brasil e ocupa 204 milhões de hectares, sendo que 52,5% está coberto por vegetação nativa.  É nele que está hoje 51% de toda a área de soja nacional.

O estudo mostra que a área de soja no Cerrado cresceu 2,4 vezes nas últimas 18 safras, passando de 7,5 (em 2000/01) para 18,2 milhões de hectares (8,9% do bioma) em 2018/19. Neste mesmo período também houve um aumento de 30% da produtividade a partir do melhoramento genético dos cultivares e agricultura de precisão.

 Um terço desta expansão se concentrou no Matopiba (formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a área de soja aumentou de 0,9 para 4,1 milhões de hectares no mesmo período. Por outro lado, de 2016/17 a 2018/19, houve ligeira queda na taxa anual de expansão da soja no bioma, puxada justamente por uma desaceleração no Matopiba.

Tanto no Matopiba quanto nos outros estados do Cerrado (Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rondônia e pelo Distrito Federal), a rotação de culturas e o pousio exercem papel relevante na dinâmica da expansão da soja entre as safras. A conversão de pastagens é mais relevante nos outros estados, contribuindo com 67,2% (1,23 milhões de hectares) da expansão de 2014 a 2018. Neste período, o desmatamento na região representou apenas 4,4% (80 mil hectares) da expansão líquida da área de soja.

Segundo o estudo inédito, o bioma Cerrado tem hoje 95,7 milhões de hectares (46,8%) da sua área antropizada, dos quais 26,1 milhões de hectares estão com pastagem em área de aptidão agrícola para soja. “A tendência é de até a safra 2028/29 a área cultivada com soja no Cerrado cresça em até 5 milhões de hectares, sendo que esse próximo ciclo de expansão pode acontecer em quase sua totalidade nas áreas de pastagens”, explica Bernardo Rudorff, diretor-executivo da Agrosatélite.

“O estabelecimento de um mecanismo de compensação financeira pela manutenção da vegetação nativa preservada nos imóveis que cultivam soja no Cerrado é uma ideia que temos defendido na Abiove e que também aprofundamos ao longo do estudo. Identificamos que o bioma possui hoje uma área total de 4,4 milhões de hectares passível de compensação financeira de acordo com o mecanismo que estamos discutindo para o bioma”, completa Nassar.

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Abiove

1 comentário

  • Tiago Pandolfo Balsas - MA

    O senhor André Nassar deveria parar de jogar contra nosso desenvolvimento e de fazer lobby para companhias europeias... Querem estar acima de nossas leis sugerindo e impondo moratórias. O IDH nessas regiões desmatadas LEGALMENTE aumentou absurdamente e deram um mínimo de dignidade às pessoas dessa região. Ajudem o Brasil!

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    • Luiz Ribeiro Villela São Paulo - SP

      Sera que o Sr ANDRE NASSAR é proprietario de fazenda????????

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    • Tiago Pandolfo Balsas - MA

      Com certeza não, mas deve ganhar bem melhor que nós por esse serviço às multinacionais americanas e europeias. O Brasil que se lasque, neh!

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