Plantio de soja no MT mais que dobra na semana e chega a 54% da área do Estado, diz Imea

Publicado em 31/10/2020 06:38 433 exibições

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SÃO PAULO (Reuters) - O plantio de soja 2020/21 em Mato Grosso, maior Estado produtor do grão no país, mais que dobrou na última semana ao alcançar 53,9% da área estimada, informou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com o retorno das chuvas na região.

Na semana anterior, cerca de 24,9% das lavouras estavam semeadas.

No entanto, apesar do avanço de 29 pontos percentuais, os trabalhos continuam atrasados ante o mesmo período do ano anterior (81,6%) e em relação à média histórica para esta época (68,18%), após um amplo período de escassez de chuvas no início da temporada.

A corrida para avançar a semeadura no Estado deve permitir que os trabalhos sejam concluídos ainda em novembro, dentro da janela ideal para o desenvolvimento da oleaginosa, afirmou o meteorologista da Somar, Celso Oliveira.

"Por pior que o início da instalação tenha sido, o ritmo aumentou nas últimas semanas e continuará acelerado, já que as áreas que estão mais atrasadas atualmente permanecerão sob pancadas de chuva", disse.

Ele ressaltou que nos últimos cinco anos, mesmo nos períodos mais atrasados, o plantio chegou quase à totalidade em meados de novembro, embora os modelos climáticos indiquem que o penúltimo mês de 2020 terá precipitações abaixo da média histórica.

"Há previsão de uma nova parada (de chuvas) em Mato Grosso, especificamente na região do Parecis, ao longo da primeira semana de novembro", estimou Oliveira.

Posteriormente, as precipitações retornarão, "indicando que a parada não será tão longa".

Vale destacar que o Estado já está com níveis de umidade do solo mais elevados que os registrados há um mês, o que contribui para a continuidade da semeadura sem grandes interrupções.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, produtores chegaram a paralisar o plantio de soja em determinadas áreas devido às condições secas, conforme levantamento da Emater-RS divulgado nesta quinta-feira.

No caso de Mato Grosso, o comprometimento tende a ficar para os cultivos de segunda safra.

Na última semana, quando a semeadura de soja ainda estava na casa dos 25%, o Imea já havia alertado que as condições estariam apertadas para a janela de plantio do milho "safrinha" e para o algodão, especialmente, no sudeste do Estado, em função do atraso da oleaginosa de verão.

Safras & Mercado eleva projeções para colheitas de soja e milho do Brasil em 2020/21

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SÃO PAULO (Reuters) - As previsões de colheitas recordes de soja e milho do Brasil em 2020/21 foram elevadas nesta sexta-feira, de acordo com a consultoria Safras & Mercado, que aumentou a expectativa de plantio em meio a preços em máximas históricas desses dois produtos.

A produção brasileira de soja em 2020/21 deverá totalizar 133,5 milhões de toneladas, com elevação de 6,5% sobre a safra passada. Na projeção anterior, divulgada em setembro, a consultoria havia previsto 132,17 milhões de toneladas.

Com o plantio em andamento, a Safras indica aumento de 2,8% na área, para 38,325 milhões de hectares.

Segundo o analista Luiz Fernando Roque, foram feitos ajustes nas estimativas de áreas para alguns Estados.

"Nossa última pesquisa mostra que as áreas a serem semeadas devem ser maiores do que as estimadas inicialmente, principalmente em alguns Estados das regiões Centro-Oeste e Sudeste", comentou ele em nota.

No caso do milho, a área total do Brasil deverá ocupar 20,022 milhões de hectares nesta temporada, com avanço de 2,8% ante 2019/20, superando também os 19,576 milhões de hectares indicados na projeção de setembro.

"Por conta dos ajustes realizados, Safras está elevando o indicativo de produção da safra 2020/21 para 116,427 milhões de toneladas de milho, acima das 115,523 milhões de toneladas apontadas em setembro e bem à frente das 106,833 milhões de toneladas colhidas na safra 2019/20", disse o analista Paulo Molinari.

A produção de milho da safra de verão 2020/21, contudo, deverá ficar em 22,851 milhões de toneladas, ante 24 milhões de toneladas previstas no levantamento anterior, devido ao tempo seco. A colheita deve ser inferior também ante as 23,161 milhões de toneladas de 2019/20.

Parte da safra de milho do RS tem quebra por seca, avalia Fecoagro

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SÃO PAULO (Reuters) - O Rio Grande de Sul, maior produtor de milho na primeira safra do Brasil, registra perdas irreversíveis nas lavouras do cereal devido à seca, o que adiciona potencial para alta de preços em um mercado que lida com oferta escassa, avaliaram a federação das cooperativas agropecuárias do Estado (Fecoagro) e especialistas.

Alguns produtores gaúchos, que por questões climáticas fazem apenas uma safra de milho por ano, diferentemente de outras partes do país que colhem mais na segunda, já acionaram o seguro rural. Outros agricultores do Estado estão ponderando plantar soja em terras nas quais o milho não se desenvolveu.

"É difícil estimar (as perdas), mas acredito que tem produtores no Rio Grande do Sul que já acionaram o seguro, aqueles que já têm danos irreversíveis. E tem produtores não financiados pensando em tirar o milho e plantar soja", disse à Reuters o presidente da Fecoagro, Paulo Pires.

"O produtor vai aproveitar os preços da soja, o produtor é muito dinâmico, ele vira a página muito rápido", disse ele, em referência às cotações da oleaginosa, que assim com as do milho, estão em patamares recordes.

O Rio Grande do Sul tem safra de milho estimada pelo governo em 5,7 milhões de toneladas em 2020/21, ou pouco mais de 20% da produção total no verão --volume que não considera perdas pela seca.

O preço do milho bateu um recorde histórico no Brasil esta semana, com a cotação atingindo 82,67 reais por saca de 60 kg nesta quarta-feira. Os valores apagaram máxima anterior de 2007, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Na última terça-feira, a soja marcou 166,57 reais/saca, nova máxima, segundo o indicador do Cepea.

A firmeza nas cotações já havia levado o governo a reduzir as tarifas para importações de soja e milho de fora do Mercosul, mas questões sobre variedades transgênicas não aprovadas trazem preocupações sobre eventuais negócios, segundo especialistas.

O analista da Safras & Mercados Paulo Molinari disse que as importações ainda estão limitadas a países ao Mercosul, especialmente Paraguai, e o mercado deve ficar sustentado até meados de 2021, quando acontecerá a colheita da segunda safra brasileira.

"A primeira safra de milho não atende todo o mercado, ainda mais se a região Sul tiver quebra. Continua tendo problema no Rio Grande do Sul", afirmou ele à Reuters.

Nesta sexta-feira, separadamente, a Safras & Mercado revisou seus números de produção total do país, elevando a projeção para um recorde de 116,427 milhões de toneladas do cereal, que considera uma área maior na segunda safra, já que reduziu a estimativa da colheita de verão, devido à seca.

Pires, da Fecoagro, concordou que não há sinalização para uma redução do preços das commodities agrícolas.

"Estão em desespero por milho, nunca vi indústrias tão preocupadas com o suprimento da matéria-prima, e os produtores com milho plantado com pivô (irrigação) vão ter bons resultados", acrescentou o presidente da federação.

 

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Fonte:
Reuters

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