Perto do fim, plantio de soja em MT segue à frente da média histórica, diz Imea

Publicado em 28/11/2020 07:34 e atualizado em 29/11/2020 10:19 396 exibições

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SÃO PAULO (Reuters) - O plantio de soja 2020/21 em Mato Grosso avançou 1,18 ponto percentual ao longo da última semana e atingiu 99,65% da área esperada, permanecendo à frente da média histórica para o período à medida que se aproxima da conclusão, informou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta sexta-feira.

No mesmo momento da safra anterior, os trabalhos também atingiam 99,65%, enquanto a média de cinco anos para o período é apurada em 98,33%.

De acordo com o boletim do Imea, a maioria das regiões mato-grossenses ainda possui algumas áreas remanescentes para plantio --apenas o Norte do Estado alcançava 100% ao final desta semana.

Maior produtor de soja do Brasil, o Estado retirou durante o mês de novembro o atraso causado pela seca no início da semeadura --em 30 de outubro, os trabalhos alcançavam 53,9%, segundo o Imea, com forte defasagem ante às safras anteriores.

A consultoria ARC Mercosul alertou que, no Centro-Oeste como um todo, os produtores conseguiram compensar ou tirar grande parte do atraso gerado pela estiagem, mas isso não significa que a produtividade vai ser a mesma que a esperada inicialmente.

O Imea estima o plantio de soja de Mato Grosso em 10,3 milhões de hectares em 2020/21, alta de 3,18% na comparação anual, enquanto a produção é vista em 35,87 milhões de toneladas, avanço de 1,31% no ano a ano, segundo relatório publicado no início deste mês.

ARC Mercosul reduz previsões para soja e milho 20/21 do Brasil por efeitos da seca

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SÃO PAULO (Reuters) - A produção brasileira de soja 2020/21 deve atingir 128,34 milhões de toneladas, estimou a ARC Mercosul reduzindo sua previsão em cerca de 800 mil toneladas em função dos efeitos da seca nas lavouras da oleaginosa, fato que também motivou um ajuste negativo nas expectativas para o milho.

A consultoria também baixou sua previsão para a área de plantio de soja a 38,25 milhões de hectares, ante 38,43 milhões de hectares vistos anteriormente.

"Tanto no Paraná quanto no Centro-Oeste como um todo, os produtores conseguiram compensar ou tirar grande parte do atraso causado pela seca em setembro... (isso) não significa que a produtividade vai ser a mesma", disse à Reuters o diretor da ARC, Alexandre Inácio.

Ele disse que em Mato Grosso, principal Estado produtor da oleaginosa, as chuvas de setembro, necessárias para dar a largada na semeadura, ficaram 75% abaixo da média do ano passado --quando a temporada já teve um início mais seco.

Com disso, uma parcela das primeiras lavouras plantadas em 2020/21 não se desenvolveu e os produtores precisaram realizar replantio.

"Agora está chovendo, o que permitiu que a semeadura alcançasse os níveis do ano passado, mas as precipitações seguem irregulares e com volume menor... E o que vem pela frente também não nos anima", comentou.

Inácio também ressaltou que em dezembro, com a chegada do verão, as temperaturas tendem a aumentar, o que criaria um novo problema para a produtividade, caso as chuvas sigam abaixo da média.

"A produtividade dos Estados do Centro-Oeste como um todo tende a cair, porque a necessidade de água das plantas pode não ser condizente com as precipitações que estão previstas até o fim do ciclo", explicou.

No milho, a estimativa da ARC é de que a produção total do Brasil alcance 106,5 milhões de toneladas em 2020/21, volume abaixo da previsão anterior de 107 milhões de toneladas. A expectativa de área se manteve estável em 18,44 milhões de hectares.

"Acreditamos que algumas regiões devam ter um aumento da área plantada por conta dos preços, porém, em outras regiões também vamos encontrar uma queda de produtividade por conta do atraso no plantio da soja que compromete a janela de plantio da safrinha", afirmou.

Ele explicou ainda que, se o plantio da segunda safra de milho ficar para fevereiro, aumenta muito o risco de não ter a chuva quando o cereal mais precisa, em meados de abril/maio, e compromete a produtividade.

"Mesmo assim, os preços estão muito bons e os sinais que temos é de que o produtor está disposto a correr mais riscos."

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Fonte:
Reuters

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