Soja recua em Chicago com venda de fundos e possibilidade de fim da greve na Argentina

Os futuros da soja terminaram o pregão desta segunda-feira (28) com baixas consideráveis nos principais contratos, que variaram de 10,75 a 13 pontos. O janeiro/21 encerrou o dia com US$ 12,52 e o março com US$ 12,53 por bushel na Bolsa de Chicago. O mercado registro um dia de intensa volatilidade, com os traders de olho na Argentina, como explicaram os analistas e consultores da Agrinvest Commodities.
Na abertura da sessão (às 22h deste domingo, 27), as cotações da soja subiam mais de 12 pontos, motivadas pelos fundamentos, amenizaram os ganhos na manhã desta segunda e, na sequência, intensificaram as baixas diante de rumores de que a greve argentina poderia estar perto do fim. A pressão veio, uma vez que com a paralisação, a oferta dos derivados argentinos no mercado internacional tem sido menor, ampliando o espaço para os produtos norte-americanos, o que inclusive veio dando espaço para a escalada dos preços nas últimas semanas.
A greve dos trabalhadores portuários e das indústrias processadoras de soja já dura quase 20 dias e tem sido um dos principais pontos de monitoramento do mercado.
"Durante o final de semana, as empresas argentinas fizeram propostas a seus funcionários, elevando as propostas de salário e ainda bônus para estes trabalhadores, fato que traz ao mercado essa percepção de que podemos ter um fim próximo para a greve", explicou a Agrinvest ao longo do dia.
No entanto, o presidente da Câmara da Indústria Processadora da Argentina, Gustavo Idígora, afirmou à imprensa local que os sindicatos que lideram o movimento rejeitaram a última proposta salarial e que as negociações com o Ministério do Trabalho serão retomadas às 11h desta terça-feira (29).
Como explica Marcos Araújo, analista de mercado da Agrinvest, o mercado vê ainda um movimento de venda de posições por parte dos fundos investidores, os quais carregam uma posição comprada recorde e acabam aproveitando. E assim, acredita que as condições na Argentina sirvam "apenas como pano de fundo" para esse ajuste.
Afinal, o mercado ainda se depara com estoques muito apertados nos Estados Unidos e com condições de clima adverso na América do Sul para o desenvolvimento da nova safra de soja. Assim, os traders parecem se alinhar para encerrar 2020 e começarem 2021 protegidos à espera dos novos cenários.
O tempo seco e quente em importantes regiões produtoras do Brasil permanece como um dos principais pilares de suporte para os atuais patamares de preços da soja em Chicago. Nos últimos dias, de acordo com o Commodity Weather Group, cerca de 50% a 60% das áreas produtoras de soja e milho do Brasil receberam chuvas de volumes entre 12,8 e 44,8 mm, pontualmente, os volumes chegaram a 121 mm.
A semana começa com chuvas espalhadas por quase todo Brasil nesta segunda-feira (28). O modelo Cosmo, do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), sinaliza alguns volumes de até 16 mm no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Partes do Goiás, Tocantins e Maranhão também deverão receber algumas precipitações, bem como São Paulo e extremo norte do Rio Grande do Sul.
O que também contribuiu para um equilíbrio do mercado nesta segunda-feira foram as novas vendas de soja e óleo anunciadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), bem como os embarques semanais fortes também reportados pela instituição.
Na semana encerrada em 24 de dezembro, o país embarcou 1,447,261 milhões de toneladas da oleaginosa. Assim, o total já embarcado na temporada chega a 36,482,110 milhões de toneladas, contra pouco mais de 20 milhões na anterior, neste mesmo período.
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