"Prêmios da soja estão subvalorizados e vão voltar a subir", diz diretor da Pátria Agronegócios

Publicado em 18/01/2021 16:16 e atualizado em 18/01/2021 17:56 4241 exibições

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"Os prêmios da soja para exportação estão subvalorizados", afirma o diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira. O analista explica que embora o cenário para o mercado internacional e os preços em dólares seja bastante favorável, a força dos prêmios também será determinante para a continuidade e a garantia dos preços altos da oleaginosa brasileira. Os valores, afinal, seguem positivos mesmo com a colheita ganhando ritmo, as referências em Chicago acima dos US$ 14,00 e o dólar também alto frente ao real. 

"E nós, aqui na Pátria, acreditamos que há espaço para mais altas não só nos prêmios, mas também dos preços em Chicago e do dólar", diz Pereira. Hoje, a referência para fevereiro/21 tem cerca de 64 cents de dólar por bushel sobre o valor da CBOT, na pedida do comprador. "Mas podemos ver estes valores voltando a atuar entre 80 e até 100 cents acima de Chicago, principalmente quando os compradores chineses voltarem mais agressivamente aqui para o Brasil". 

A China ainda compra muita soja norte-americana - na última semana foram quase 1 milhão de toneladas - o que é mais um sinal, além da força de seu consumo - de que os atuais preços ainda não exercem o poder de racionamento da demanda, como vem sendo sinalizado por especialistas. "E há essa máxima no mercado de que, em momentos como estes, o remédio para preços altos são preços ainda mais altos", diz. 

Pereira explica ainda que os prêmios também não têm espaço para quedas no Brasil diante da baixa oferta exportável que deverá se mostrar disponível ao mercado na medida em que a colheita for avançando no Brasil. Já são quase 65% da nova safra comprometida com a exportação, o que deverá, como já aconteceu em 2020, alimentar uma disputa severa entre a indústria processadora nacional e as exportações do restante ainda a ser comercializado. 

E o mercado já monitora também o comportamento da China após o maior feriado do país. O Ano Novo Lunar se dá em 12 de fevereiro, "e depois disso, os chineses tendem a ser compradores muito agressivos", diz o analista. 

MACROCICLO DE ALTAS 

Ainda como explica Matheus Pereira, as novas altas em Chicago são esperadas também pelas commodities - especialmente as agrícolas - estarem em um "macrociclo de altas", o que deverá resultar em preços elevados por pelo menos algo entre 3 e 5 anos. "Estamos em um momento em que a demanda superou a oferta. E esse é o período necessário para que a haja, novamente, um equilíbrio entre produçã e consumo, e três anos de clima bom na América do Sul - Brasil, Argentina e Paraguai - e Estados Unidos, afirma.

Mais do que isso, a Pátria Agronegócios, ao lado de outras consultorias, já vinha sinalizando um déficit atual de ao menos 10 milhões de toneladas na oferta global de soja sobre a atual demanda. E afirma que para que haja, portanto, uma equalização desta relação, o crescimento da demanda também deve ser equilibrado, ou o momento pode durar ainda mais tempo. 

Relembre:

+ Soja: Com déficit de oferta de ao menos 10 mi de t, mercado reserva boas oportunidades de negócios para o BR

Depois de concluída a safra da América do Sul, o mercado volta todos os seus olhos para a nova temporada dos Estados Unidos, onde haverá uma intensa disputa por área e nenhum espaço para condições adversas de clima, dados os já baixos estoques globais de grãos - nos EUA contabilizando a menor relação estoque x consumo dos últimos anos - e da demanda que permanece crescente, como explicou o consultor de mercado Steve Cachia, da Cerealpar e da TradeHelp em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta segunda-feira (18). 

"O fator demanda não vai deixar o mercado respirar e vai ajudá-lo a se manter firme", acredita o consultor.

"Nós corremos um grande risco de ter um déficit de alimentos. No momento ainda não, mas o que há agora é uma má distribuição de matéria-prima e alimentos. Estamos chegando próximos à temporada dos EUA e se o clima por lá não ajudar podemos entrar em uma drástica crise de segurança alimentar, bastante preocupante. Alguns países onde há muitas preocupações com pos efeitos do Covid, com a segurança alimentar interna. Começaram a colocar algumas restrições em suas exportações, querendo estoques estratégicos que não víamos há décadas, mas a demanda de um modo geral acabou fazendo que com a gente subestimasse os estoques que tínhamos, ou seja, os estoques que pareciam abundantes, de repente não eram", explica Cachia. 

Veja Mais:

+ "Corremos um grande risco de ter um déficit de alimentos; o que temos agora é uma má distribuição", diz Steve Cachia

Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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1 comentário

  • Elton Szweryda Santos Paulinia - SP

    Com esse premios atuais, 50 cents por buschel, ninguem vende nada, nem pra remedio..., precisamos ao menos 300 cents por buschel..., afinal existem apenas 40 por cento da soja a ser vendida..., eu nao vendo com esses miseros premios.

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    • Carlos William Nascimento Campo Mourão - PR

      Walter mercato anuncia safra de soja de 135 mi de toneladas. Mãe Dinah falará amanhã.

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    • Elton Szweryda Santos Paulinia - SP

      Walter, mae dinah falou hoje, haha

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    • Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP

      Ô Loco!!! Só com estas últimas chuvas localizadas ja deu para chegar em 135 mi de toneladas. E o pior é que Chicago acreditou.

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