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Soja: Produtores do BR podem enfrentar riscos com vendas 22/23 atrasadas, avaliam especialistas

Publicado em 09/08/2022 17:29

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A pouco mais de um mês do início do plantio da nova safra de soja do Brasil, o mercado brasileiro busca entender quais serão os caminhos dos preços a partir daqui e como eles têm influenciado nas decisões de venda tanto do restante da safra 2021/22, quanto da safra 2022/23, que já apresenta um atraso na comercialização se comparada à temporadas anteriores.

De acordo com o último levantamento da Safras & Mercado, até o dia 5 de agosto, 79,9% da soja da safra velha já havia sido comercializada, contra 81,9% do mesmo período da temporada 2020/21 e 82,6% da média das últimas cinco safras. 

Vendas safra 21-22 Soja
Comercialização Soja - Safra 2021/22
Dados: Safras & Mercado / Gráfico: Notícias Agrícolas

Já da safra 2022/23, o total da comercialização antecipada é de 17,3%, enquanto no mesmo período da temporada 2021/22 eram 23% e a média plurianual de 21,5%. O estado mais adiantado nas vendas é, como tradicionalmente acontece, o Mato Grosso, com 28%, seguido do Tocantins, com 22%. 

Vendas safra 22-23 Soja
Comercialização Soja - Safra 2022/23
Dados: Safras & Mercado / Gráfico: Notícias Agrícolas

O mês de agosto começou com um ambiente pouco favorável para o avanço dos negócios com a soja brasileira diante de tamanha volatilidade entre os futuros da commodity na Bolsa de Chicago, bem como do dólar frente ao real, como se deu também para julho. Embora de 1º a 29 de julho o saldo dos preços tenha sido positivo - o contrato setembro/22 subiu 5,01% e o novembro 5,23% - na primeira metade do mês, as mesmas referências cederam 4,03% - de US$ 14,13 para US$ 13,59 por bushel - e 3,80% - de US$ 13,95 para US$ 13,42 por bushel -, respectivamente. 

"Chicago trabalhou boa parte do mês em campo negativo, só no final de julho que recuperou um pouco as perdas, isso precionou os preços no Brasil e retraiu um pouco os produtores. O produtor diminuiu o interesse de venda e é possível ver este atraso tanto na safra nova, com na safra velha", explica Luiz Fernando Gutierrez, analista de mercado da Safras.

Os produtores brasileiros, ainda de acordo com o executivo, se mostram bastante capitalizados, uma vez que foram fazendo suas vendas da soja 2021/22 em preços crescentes ao longo dos últimos meses, aproveitando as boas oportunidades do mercado, acreditando que pode segurar um pouco mais suas novas operações agora, se "arriscando um pouco mais" ao especular o mercado climático norte-americano, que está em seu pico agora. 

Já na safra nova, onde a maior parte dos negócios agora é para travamento de custos, o movimento também é contido, o que poder ser observado, inclusive, nas operações de compras de insumos. Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, as compras destes produtos não aumentaram de forma tão expressiva, mesmo com uma ligeira correção dos preços em relação a meses anteriores. 

"Estamos atrasados para 2023. Há pequenos produtores que ainda estão abertos", diz. 

Todavia, Gutierrez lembra que o mercado tende a seguir ainda muito volátil, o que pode deixar as melhores oportunidades um pouco menos frequentes para o produtor brasileiro a partir de agora. "Seria importante ele avançar um pouco mais", afirma o analista. "E é importante ele ir garantindo seus custos. Mas, os negócios estão muito travados, o produtor está esperando melhores preços, mas também arriscando muito em não avançar no travamento, porque podemos ter uma grande volatilidade, tanto em Chicago, quanto no câmbio, que pode atrapalhá-lo".

COMERCIALIZAÇÃO REGIONAL

Embora o alerta seja geral, a comercialização brasileira da soja tem agora algumas particularidades regionais, como explica o diretor geral do Grupo Labhoro, Ginaldo Sousa. Ainda assim, afirma que a capitalização dos produtores é quase que generalizada, mesmo que em proporções diferentes. 

"Os dois últimos anos foram de preços bons, de capitalização", explica Sousa. Assim, boa parte também dos sojicultores tende a fazer a nova safra com recursos próprios e buscarão recursos de financiamentos caso seja realmente necessário ou conveniente. "E neste momento não temos financiamentos baratos", diz o diretor da Labhoro. 

Assim, o especialista aponta cenários semelhantes para Santa Catarina e Paraná, com aproximadamente 38% da soja catarinense 2021/22 ainda a ser comercializada e tendo apenas perto de 10% da nova safra vendida. No Paraná, ainda segundo Sousa, há mais de 30% da safra velha ainda na mão dos produtores. 

Dados do IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) divulgados nesta segunda-feira (8) mostraram que as vendas da safra 2021/22 de soja, em julho de 2022, registraram seu menor avanço desde outubro de 2021, tendo subido apenas 1,7% se comparado a junho, chegando a 83,93% da produção.

"A justificativa do baixo avanço é devido ao recuo de 0,99% no preço da saca, cotado na média do estado em R$ 162,92/sc. A queda no preço médio só não foi maior em julho devido ao avanço do dólar na última semana do mês, período em que alguns produtores aproveitaram
para negociar sua produção", afirma a equipe do IMEA em seu boletim semanal.

Já sobre a safra 2022/23, o reporte indica as vendas também mais tímidas na última semana, " devido ao preço que permaneceu pressionado e às incertezas quanto ao tamanho da safra", informa o IMEA. Assim, a nova safra de soja estimada para Mato Grosso já foi 25,51%. "No que e tange ao preço médio comercializado, a soja apresentou desvalorização de 0,96% ante o mês passado, cotada a uma média de R$ 152,03/sc no estado", complementa o instituto.

Diante destes dados, o diretor do Grupo Labhoro faz alertas importantes, em especial sobre a intensa volatilidade que tende a continuar não só na Bolsa de Chicago - com os preços passando pelo pico do mercado climático norte-americano - mas também do dólar frente ao real, em especial em ano de eleições presidenciais.

E assim, para Sousa o aumento de área que vinha sendo esperado para alguns estados poderia não se confirmar. "Se tivermos um aumento de 2% de área em Mato Grosso será muito. A safra 2022/23 não será uma safra barata", diz.  

FERTILIZANTES E AS RELAÇÕES DE TROCA

Embora as compras de fertilizantes não estejam tão aceleradas neste momento, as importações brasileiras de matérias-primas estão, tendo registrado recordes no período de janeiro a julho. Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) apontam para 23,93 milhões de toneladas nos primeiros sete meses do ano. 

Histórico das importações de fertilizantes
Importação de fertilizantes de janeiro a julho
Gráfico: Jeferson Souza/Agrinvest Commodities

"Esse número consolida mais um recorde absoluto nas importações. No ano passado, considerando o ano inteiro, o volume importado ultrapassou 40 milhões de toneladas, portanto presumindo uma manutenção nas importações, aproximadamente 60% do montante já estaria garantido", explica Jeferson Souza.

O analista da Agrinvest aponta que o destaque continua sendo o cloreto de potássio, onde as compras brasileiras somaram 8,4 milhões de toneladas, 33,5% a mais do que no mesmo período do ano passado. E também entre as relações de troca com a soja o KCl é um do destaques. 

"A relação de troca da soja versus o cloreto de potássio sofreu mais uma queda nessa primeira semana de agosto. A média do mês de junho terminou em 35,4 sacas para uma tonelada do fertilizante, considerando as últimas atualizações a queda observada foi de 9,13%. Atualmente o barter está na faixa de 32,2 sacas para uma tonelada do fertilizante. No mês de julho o preço da soja chegou a ficar inferior a $29/sc, contribuindo para elevar a relação de troca", afirma o especialista.

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Gráfico: Jeferson Souza/Agrinvest Commodities

Além do KCl, as relações de troca entre a soja e o MAP também registrou uma baixa significativa e deu espaço a oportunidades, as quais não foram, porém, completamente aproveitadas pelo sojicultor brasileiro. 

"A média do mês de julho foi de 35,3 sacas, já atualmente o barter está na faixa de 32 sacas de soja para uma tonelada do insumo", afirma Jeferson Souza.

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Gráfico: Jeferson Souza/Agrinvest Commodities

Assim como o analista de fertilizantes, Ginaldo Sousa, diretor da Labhoro também se preocupa com janelas de compras que podem ser menos oportunas para os produtores dadas à proximidade com o plantio, à volatilidade cambial e a volatilidade que tem sido, inclusive, muito frequente no mercado de fertilizantes, além dos demais insumos. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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